CONTAS MAL CONTADAS PELO GOVERNO DA SAÍDA DA TROIKA LIMPA E COM SUCESSO

16 de Julho de 2014

Economia, O PAÍS QUE TEMOS

 Este artigo é publicado no âmbito da economia do país e não no âmbito político

ANÁLISE DO DÉFICE – DÍVIDA PÚBLICA – PIB

DOS ÚLTIMOS 4 ANOS

CONTAS DA ECONOMIA

O quadro acima é elementar e para os iluminados na matéria não tem qualquer valor. Mas para um grande número de leitores interessados em compreender frases pré-fabricadas politicamente para persuadir os menos conhecedores de números, vale a pena alguns minutos do seu precioso tempo.

Números são apenas números. Apesar de a vida de cada um de nós depender de todo o tipo de números, poucos na maioria do povo compreendem ou dão qualquer importância a números, para além do que no dia a dia directamente e de imediato os afecta. Isso, contribui para que a maioria desconheça, mesmo numa forma muito elementar a realidade de como a economia do país pode directamente e a longo prazo afectar a vida de cada um, não apenas no aspecto económico como social, porque o seu estatuto social depende infelizmente da sua situação económica.

As definições aqui apresentadas são de uma forma básica, sem qualquer complexidade, com alguns exemplos para que melhor possam ser entendidas.

DÉFICE é o resultado, negativo, de quando as despesas são superiores ás receitas disponíveis para gastar, de acordo com o orçamento para um determinado período, normalmente um ano. A forma ideal seria procurar balançar entre reduzir despesas e criar receitas sem causar grande desequilíbrio a nível económico e social. A forma aplicada por governos com o mínimo de respeito pela maioria do povo, é para reduzir ou mesmo eliminar o défice através do corte de despesas, a maior parte delas essenciais á sobrevivência da maioria de um povo e criar receitas através de impostos aplicados aos mesmos sobre os quais já fizeram cortes nas despesas. Por outras palavras a maioria é afectada de duas formas: nas despesas e nas receitas.

Desde o início do actual governo, Junho de 2011, o qual começou em coligação com a troika, foi instaurado um programa de austeridade no sentido de reduzir despesas e aumentar receitas, supostamente 50% nas despesas e os outros 50% na receita, programa esse que teve como alvo afectar todas as classes de contribuintes, salvo a banca nacional.

A forma escolhida pelo governo e pela troika, foi:

– No âmbito das despesas: cortes nos postos de trabalho de toda a função pública, independente da idade ainda de actividade de cada um, cortes na saúde, na educação, na cultura e todos os de mais serviços de apoio social, colocando a classe média na linha da pobreza e os pobres abaixo da linha da miséria.

– No âmbito das receitas: aumento de impostos nos rendimentos, no consumo, em todo o tipo da economia interna e aumentos das contribuições para a Segurança Social sobrecarregando mais todo o trabalhador e a entidade patronal, para além do insustentável.

Resultados do Défice: Analisando no quadro a coluna do défice, apesar de todo o sacrifício económico e degradação social dos portugueses, não houve qualquer redução no défice. Pelo contrário houve uma subida. E muito mais grave do que mesmo os números representam, se compreendermos que aqueles valores obtidos do défice foram obtidos através de receitas provenientes apenas de uma vez transacções de privatizações de património nacional e de fundos privados de pensões da PT e outras instituições, que o governo acabou por assumir indefinidamente como despesas contínuas e que amontoam em milhões e milhões de euros anuais.

Outros tiros que saíram pela culatra:

– Perda de milhares de postos de trabalhos na função pública de portugueses ainda em idade activa de trabalho, sem capacidade da economia privada de os absolver.

– Encerramento de dezenas de milhares de empresas na economia interna, devido á incapacidade de consumo e ao aumento de impostos.

– Perda do poder de consumo devido ao desemprego de centenas de milhares.

– Perda de consumo devido ao êxodo de mais de 200 mil portugueses forçados na emigração.

– Perda de contribuições para a Segurança Social com o aumento de desemprego e o elevado números de emigração

– Aumento das despesas de benefícios sociais relacionados com o desemprego e apoio à miséria que gradual e desumanamente foram removidos.

– Degradação do sistema de educação. As dificuldades económicas das famílias afecta o aproveitamento escolar e contribui para um estado deprimente e degradação social das crianças e jovens, causando desinteresse e abandono escolar precoce, com efeitos permanentes no futuro das novas gerações.

– Degradação do sistema de saúde causando um aumento no número de suicídios e a morte precoce de muitos cidadãos nos grupos mais susceptíveis como idosos e doentes de doenças crónicas. Também, o índice de natalidade foi afectado devido à situação económica batendo agora os valores mais baixos de toda a CE.

O que devia ter sido feito e não foi pensado:

Infelizmente, a maioria dos políticos e economistas do governo usam umas palas nos olhos como os cavalos em corrida para não saírem do percurso programado, sem nenhuma criatividade ideológica, não passando de meros idiotas. Outros, actuam com agendas de interesses pessoais e ou de grupos ou instituições com o propósito de usufruírem benefícios à custa do povo.

A nível de cortes nas despesas, poderiam começar por: (*)

– Reduzir a idade da reforma para menos 2 ou 3 anos, evitando eliminar pessoas com ainda inúmeros anos de actividade pela frente e dando a oportunidade a jovens para ingressar no mercado de trabalho, como que por exemplo, por cada 2 reformados seria admitido 1 pessoa. Desempregar alguém com 10 ou mais anos ainda de actividade, ainda que com pagamento de compensações, acabará mais cedo ou mais tarde de depender de apoios sociais.

– Reduzam 50% do Orçamento da Assembleia da República e vão poupar ± 43.000.000,00€

– Reduzam 50% do Orçamento da Presidência da República e vão poupar ± 7.600.000,00€

– Cortem as Subvenções Vitalícias aos Políticos deputados e vão poupar ± 8.000.000,00€

– Cortem 30% nos vencimentos e outras mordomias dos políticos, seus assessores, secretários e companhia e vão poupar ± 2.000.000.00€

– Cortem 50% das subvenções estatais aos partidos políticos e pouparão ± 40.000.000,00€.

– Cortem, com rigor, os apoios às Fundações e bem assim os benefícios fiscais às mesmas e irão poupar ± 500.000.000,00€.

– Reduzam, em média, 1,5 Vereador por cada Câmara e irão poupar ± 13.000.000,00€

– Renegociem, a sério, as famosas Parcerias Público Privadas e as Rendas Energéticas e pouparão + 1.500.000.000,00€.

Só aqui nestas “coisitas”, o país  podia reduzir a despesa em mais de 2 MIL e CEM MILHÕES de Euros.

A nível de receitas também é possível obter resultados:(*)

– Combate eficazmente à economia paralela e as receitas aumentarão mais de 10.000.000.000,00€. Mas, há que ter em conta que a sobrevivência de muitos dos mais necessitados é neste tipo de economia, porque de outra forma a miséria do povo seria maior. O problema da economia paralela não está, como exemplo na venda de um pequeno produtor de 5 ou 10 kgs das batatas que produz ou em umas dúzias de ovos que as galinhas dão ou mesmo em alguns cortes de cabelo que uma cabeleireira faz nos fins de semana a amigas como um extra para a sobrevivência. O problema da economia paralela está em negócios de milhões e milhões de euros em grandes negociatas manipuladas contabilisticamente por peritos de elite.

– Procurem e realizem o dinheiro que foi metido no BPN e encontrarão mais de 9.000.000.000,00€

– Vendam centenas das viaturas de luxo do parque do Estado e as receitas aumentarão ± 5.000.000,00€

– Façam o mesmo a centenas de automóveis das Câmaras, 1 por cada uma, e as receitas aumentarão ± 3.000.000,00€.

(*) Muitas das sugestões aqui apresentadas nas despesas e nas receitas são recomendações de leitores, com as quais eu concordo.

A DÍVIDA PÚBLICA

Quando existe défice, tal como já foi mencionado, em que o montante das despesas é superior ao das receitas, há necessidade para fazer frente ás obrigações ou compromissos assumidos de recorrer a empréstimos de origem nacional ou internacional, o que se designa em termos gerais para o efeito como dívida pública. Como é óbvio, ao valor do empréstimo são acrescidos os juros relacionados com o empréstimo em taxas que variam consoante a entidade que providência o empréstimo, o mercado financeiro no momento do empréstimo e a credibilidade e garantias oferecidas, neste caso pelo Estado português, para além de muitos outros factores não relevantes para aqui.

Como exemplo, o empréstimo contraído à troika pelo Estado português de 78 mil milhões de euros teve um montante total de juros de 34400 milhões de euros. Independente de os juros terem começado a valores aparentemente insignificantes de 3,25% e no máximo atingir atingirem 4,25%, a realidade é que o total dos juros são quase metade do valor do empréstimo, sendo o valor acumulado do empréstimo de 112400 milhões de euros. Quase só por si o montante do empréstimo recebido em 2011, levou a dívida pública de Dezembro de 2010 de 92,4% a 107,8% do PIB nacional em Dezembro de 2011.

Compreendo o que causou o pedido de resgate: Não havia dinheiro em caixa para enfrentar as obrigações básicas do país no momento em que o mesmo foi solicitado.

 Discordo das condições aceites de mãos abertas como o empréstimo foi aprovado. Mas, dadas as condições tardias em que o mesmo foi feito, até com muita dificuldade posso engolir.

 Mas, não compreendo como os 78 mil milhões de euros foram geridos.

 Para além dos 12 mil milhões de euros colocados de lado para a banca nacional, que sempre afirmou estar sólida, mas já que havia boa vontade no fundo disponível aceitaram. Gradualmente, ao longo do tempo acabaram por usar parte e aqueles de nariz levantado que não precisavam, estão agora a rezar por todos os santos para protecção contra credores. Mas adiante!

Dos restante 66 mil milhões, para além de não terem investido em benefícios sociais de apoio aos portugueses, que pelo contrário tudo o que tinha sido adquirido ao longo do tempo o vento ou a austeridade arrancou dos bolsos dos cidadãos, nada foi investido, pelo menos de forma visível na produtividade e economia do país para crescimento do PIB. E a verdade é que, independente de todo o crescimento nas exportações, de que o governo tanto se gaba mas nada investiu, o PIB tem caído constantemente contribuindo para os níveis altos do défice, de acordo com Bruxelas, e que o governo culpa os professores e todos os demais funcionários públicos (eu não sou nem nunca fui funcionário público do Estado português).

Compreendo que, 50% do resgate  possa ter sido aplicado em pagamentos de dívidas ás bancas internacionais e nacional, que aos restantes credores nacionais, muitos acabaram falidos antes de serem pagos e de credores do Estado acabaram em devedores ao Estado. A vida dá voltas, não dá?

Mas ainda digamos que faltam pelo menos 40% do montante do resgate! Onde param ± 30 mil milhões de euros?

Será que este montante está guardado a sete chaves no tal banco de fomento, criado para investimentos económicos, mas que mesmo Bruxelas não conhece informação detalhada sobre dito banco? Se o dinheiro está no tal Banco Fomento, espero que antes de entrar em actividade, não consumam os montantes nos salários, benefícios e bónus de toda a comissão administrativa.

Para além do optimismo do governo sobre o sucesso das medidas de austeridade e da saída limpa da troika, ao fim de 3 anos de governo a dívida está acima dos 135%, o défice não demonstrou qualquer melhora ou estabilidade futura e no final do 1.º semestre de 2014 encontrava-se a 6%.

A verdade nua e crua é que o país está:

– mais pobre

– mais endividado

– mais desemprego

– mais emigração sem retorno de benefícios para o país

– mais degradado na saúde, na educação, na cultura e em todos os restantes aspectos sociais.

Há algum tempo atrás publiquei um artigo intitulado:“A DÍVIDA PORTUGUESA É IMPAGÁVEL …. “. Hoje,volto a afirmar o que escrevi naquele  artigo.

 

PIB: É o produto interno bruto ou o valor de todos os bens e serviços finais produzidos dentro de uma nação em um dado ano.

O PIB é o elemento mais significante. Aquele sobre o qual o défice de um país é calculado.

Sempre que há um aumento do PIB, ainda que as despesas se mantenham, a percentagem do défice diminui. Por muito que o governo corte nas despesas, até ao ponto dos portugueses sobreviverem a pão seco e água, se o PIB baixar continuamente como acontece desde 2010, o défice nunca descerá e mesmo poderá subir em percentagem, ainda que a despesa seja a mesma ou até menos.

Onde o governo falhou no crescimento do PIB?

Há um ditado muito velho que diz que: “é preciso semear para depois colher”.  Tal como diz o ditado mencionado:

– Sem investimento não há produtividade e crescimento económico;

–  Não há capacidade de autonomia no país. Independente das medidas contínuas de austeridade que possam ser aplicadas ao povo, o défice aumenta e a instabilidade social cresce, contribuindo para a falta de credibilidade e instabilidade de um governo.

É precisamente o que está a acontecer no país, com um governo sem qualquer credibilidade e insegurança cada vez maior.

Pelo menos 1/3 do montante do empréstimo de resgate pela troika, devia ter sido investido em indústrias pesadas como na Siderurgia Nacional e estaleiros navais, sendo um no norte, em Viana do Castelo, privatizado ao desbarato; a Lisnave na margem sul do Tejo e um no sul, no porto de Sines. Os três estaleiros navais mencionados, com a estrutura geográfica de Portugal na parte mais ocidental da Europa, seria um incremento sem dúvida do PIB nacional e certamente, independente do montante de despesas o défice seria mais baixo do que a maioria dos países da CE. Portugal tem condições para fazer mostrar ao mundo a nossa capacidade de autonomia e podermos rir de quem nos humilha. Infelizmente, temos políticos palhaços ou com agendas próprias que em lugar de governar o país governam-se a eles.

O governo não há muito tempo disse que o futuro do país é o mar para onde as nossas fronteiras se estendem mais além. Mas de facto, nem mesmo investimentos foram feitos no litoral em portos marítimos com capacidade de estaleiros navais para navios de grande porte. Certamente, que o nosso apoio incondicional à Alemanha, para além da aquisição de submarinos, que nem para jogos à batalha naval servem, foi também o de não fazermos concorrência com indústrias pesadas. Só atrasados mentais ou indivíduos sem qualquer senso de patriotismo aceitariam tais acordos. Mas infelizmente o país está cheio de gente dessa em lugares vitais de gestão do país.

Ainda sobre o mar como futuro para Portugal, graças a génios economistas e políticos como o reformado Dr. Cavaco, que há muito devia estar afastado da política, Portugal não possui uma frota pesqueira adequada á exploração pesqueira até ao limite das fronteiras das nossas áreas territoriais. Certamente que assumimos compromissos cordialmente dentro da CE, com a nossa vizinha Espanha para que eles, que são possuidores de uma frota pesqueira moderna, explorem as águas que definimos como nossas, para que nós não termos de investir capital nessa área. Se a ignorância política e económica pagasse imposto, certamente que éramos um dos países mais estável economicamente em toda a CE.

Com a economia interna do país de rastos, para além de valores insignificantes das exportações para sustentabilidade do país, resta como PIB para os portugueses a prestação de serviços para aqueles que possuem o capital e a inteligência para nos subjulgar.  Também,  temos fontes de receita de turismo, graças ao clima, ás belezas da natureza, à hospitalidade do povo e a todo o legado de monumentos arquitectónico deixados pelos nossos antepassados e cada vez mais abandonados ao desprezo pelos governos que temos tido e que irão continuar a desgovernar até o país acordar, se é que vai acordar ainda a tempo.

A todos aqueles que chegaram ao fim do texto, obrigado pelo tempo dispensado.

Devo esclarecer que sou leigo em economia e que as minhas opiniões são na qualidade de um cidadão comum com experiência vivida em Portugal e além fronteiras. Lamento o estado de Portugal, mas para além de um desabafo, a minha opinião não tem voto na matéria. Acredito que um político ou economista se ler isto dirá: ” Pobre diabo, rsrs. Vozes de burro não chegam ao céu!”

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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3 comentários em “CONTAS MAL CONTADAS PELO GOVERNO DA SAÍDA DA TROIKA LIMPA E COM SUCESSO”

  1. pintobasto Says:

    Quem ousa desmentir o que fica registrado neste artigo? Não é um artigo qualquer, mas verdadeira certidão de incompetência e desonestidade dos pseudo governantes que desmantelaram a economia da Nação a mando da agiotagem internacional.
    Seu autor merece o reconhecimento de todos os portugueses!

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  2. serolmar Says:

    Um excelente texto, sem dúvida, onde são apresentados os problemas e uma série de possíveis soluções. Deixo aqui a ligação para a base-de-dados do Eurostat que me parece ser fácil de consultar: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/statistics/search_database

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