Em tempos de crise vão os anéis, ficam os dedos. Mas, ……, será que ficam os dedos?

O primeiro-ministro, Passos Coelho, criticou a mentalidade de “certas personalidades que acham que são donas do país”. Se alguém se acha dono do país, esse alguém é o governo. Supostamente, o governo não passa de uma mera comissão de cidadãos eleitos pelo povo, para gerir o país por um tempo limitado, no respeitante há protecção da soberania do país, do património nacional e da protecção e bem-estar social dos cidadãos.

Tal como os governos anteriores, este governo tem sido consistente em gerir de forma oposta as funções para as quais foi nomeado e se comprometeu governar, actuando como donos absolutos de Portugal, sem qualquer respeito pela soberania do país, pelo bem-estar dos cidadãos, pelo valor real do património, privatizando tudo a preços de saldos, colocando todas as fontes de receitas nacionais de produtos e serviços essenciais à sobrevivência em mãos estrangeiras, deixando em risco a autonomia de sobrevivência futura da nação.

Muitas das negociatas de privatização realizadas por este governo e anteriores, logo após a sua conclusão, usufruem rendimentos inúmeras vezes superior, ao valor porque foram adquiridas na transacção com o Estado. O valor real de obras de arte mundialmente reconhecidas, possuem valor incalculável. A colocação em leilão das obras de arte de Miró por 35 milhões, poderão horas depois de leiloadas ter um valor acima de 100 milhões. Mas, tal como as negociatas dos submarinos e todas as de mais realizadas por governantes que têm desgovernado o país, também por detrás das obras de Miró, existe certamente o pagamento de luvas na ordem de milhões. É em todos estes negócios, realizados sob o pretexto de crise, que têm ido todos os anéis dos dedos do povo e do património nacional. Muitas vezes questiono quanto das reservas de ouro de Portugal ainda estão intactas, ou que destino lhes foi dado em silêncio.

Segundo Passos Coelho, as obras de Miró devem ser vendidas porque não são uma prioridade. Também, para o primeiro-ministro português, a cultura em qualquer sector não é uma prioridade; a educação não é uma prioridade; o bem-estar social dos portugueses não é uma prioridade; a saúde do povo, principalmente dos idosos, incapacitados e grupos com doenças crónicas, não é uma prioridade. Há dias, tal como acontece em países do 3.º mundo, foi aprovado em Portugal um tratamento para a cura da hepatite C, que já está ultrapassado no tratamento da doença, que milhares de portugueses estão infectados.

Qual é ou são então as prioridades de Passos Coelho? São com os parceiros internacionais; com os mercados financeiros e banqueiros nacionais e estrangeiros, no sentido de garantir empréstimos a longo tempo, endividando para quanto mais tarde melhor, pois quem estiver nessa altura que se preocupe e contribuindo para o aumento contínuo da dívida pública, já impagável. Em vez da criação de postos de trabalhos no país, através de investimentos na produtividade e economia nacional, o governo dá prioridade à sobrevivência nacional através de viver endividado continuamente.

Se em vez dos nossos governantes, com alguns cabeçalhos de notícias virtualmente positivas, fazerem comparações e contrastes com países em tão mal estado como Portugal, o caso da Grécia, se pusessem os olhos em notícias reais de sucesso como na Islândia (leitura recomendada), certamente que o país já estaria há muito no caminho certo.

Há quem pense que este governo é composto de incompetentes para os cargos que desempenham, o que eu também pensei no passado, mas isso não corresponde à realidade. Este governo tem uma agenda maquiavélica, para destruição massiva do país em benefício dos próprios. O que está em causa é o seu enriquecimento pessoal e o futuro político de cada um deles na Europa e em instituições bancárias internacionais após os termos dos seus mandatos, o que tem acontecido com muitos dos responsáveis pelo estado da nação, à medida que saem do governo.

Agora que já começaram com as campanhas eleitorais para 2015, como que nada mais preocupe o país, começaram as promessas falsas e sem qualquer tipo de vergonha. Tal como o irrevogável Portas disse no passado, que em tempo de eleições os submarinos emergem e passadas as eleições submergem, em ordem inversa, as medidas de austeridade em tempo de eleições submergem e depois das eleições emergem. Essa a razão, das promessas de redução do IRS para 2015 e do aumento do salário mínimo, bem como outras que vão surgir ao longo dos meses. Tudo isto leva a acreditar que toda a fabricação dos OE com as medidas excessivas de austeridade, está mais ligado à manipulação política do governo para persuadir o povo no momento preciso das eleições, com o propósito de benefícios eleitorais.

As manifestações do povo de tempos em tempos, numa tarde de fim-de-semana, contra as medidas do governo, podem produzir imagens momentâneas muito impressivas de milhares, mas não passam de actos insignificantes, que mais parecem como que uma ida de fim-de-semana ao futebol, em que daí seguem para a sua vida normal e o governo volta à sua normalidade habitual sem qualquer distúrbio ou obstáculos. O governo sabe que os portugueses não têm espírito de sacrifício e determinação nas lutas contra as medidas governamentais como outros povos, gabando-se mesmo internacionalmente da passividade e conformismo do povo, perante todas as decisões tomadas.

Para já, a crise tem levado os anéis dos dedos do povo. Mas, a continuarem adormecidos e resmungando baixinho quando acordados, mas obedientes, será que ficarão os dedos?

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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One Comment em “Em tempos de crise vão os anéis, ficam os dedos. Mas, ……, será que ficam os dedos?”

  1. pintobasto Says:

    Custa a acreditar no que se passa em Portugal, entregue a um desgoverno que passou dos limites da irresponsabilidade para entrar na criminalidade de lesa Pátria. São tantos os crimes cometidos contra a Pátria que não dá para entender a passividade do Povo, o maior lesado nesta história toda. Não sentem como estão sendo roubados? Ainda não viram como todos os abutres de fraque que passam pelo governo ficam tão ricos imediatamente? Não sentiram que até o Cavaco Silva está envolvido em negociatas espúrias? E o desfile de vigaristas como Paulo Portas também não lhes fez abrir os olhos?
    O Povo português caiu numa ratoeira armada pelo tremendo traidor da Pátria Mário Soares e não tem mais forças nem para reconhecer que bancou o trouxa!

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