ENTRÁMOS EM 2014 – O ESTADO DA NAÇÃO

22 de Janeiro de 2014

O PAÍS QUE TEMOS, Política Nacional, Saúde

ENTRÁMOS EM 2014 – O ESTADO DA NAÇÃO

Ao longo dos últimos anos tenho publicado acontecimentos ligados á política e economia nacional, no site sob o título “Opaísquetemos”, que há dois anos passou a integrar-se no blog actual.

A razão do lançamento deste site, foi despertar ou alertar muitos portugueses, para a farsa do sistema político instaurado em Portugal, que definem como uma democracia, que realmente não existe. Ainda na semana passada, um grupo parlamentar foi obrigado a votar uma proposta para a coadoção e adoção de casais do mesmo sexo, contra a sua vontade própria, algo inaceitável numa democracia . Um sistema democrático é eleito pela maioria e para benefício das condições de vida do povo, ao contrário do existente que protege apenas uma minoria privilegiada e onde os supostos representantes do povo na AR, têm de obedecer aos interesses do partido sem dar ouvidos aos portugueses ou à sua consciência.

Analisando bem, quando dei início a este site, eu estava fora do contacto com a realidade do mal que afectava o país. Pensei que com um pouco de tratamento caseiro e partilhando conselhos e alertas de prevenção sobre os acontecimentos políticos e económicos que afectavam o país, eu poderia contribuir de alguma forma como um cidadão comum que se preocupa com o povo a que pertence, para evitar que a doença pudesse agravar mais o estado de saúde do país. Infelizmente, eu estava errado! A doença de que o país sofre já vem de longe e tornou-se crónica. Poderá ter momentos em fases de latência, que se poderá pensar que houve remissão do mal. Mas acaba sempre por reactivar.

No sistema actual, uma pequena sociedade de elite, políticos e seus aliados patrocinadores financeiros, beneficia cada vez mais de benefícios sociais e enriquecimento pessoal, usufruindo devido á falta de conhecimentos políticos da maioria do povo, ao trabalho precário de alguns milhões com salários cada vez mais baixos por meio de reduções salariais e impostos sobre os mesmos, como também de todas as cedências através de cortes de bens sociais à maioria dos portugueses, principalmente aos menos privilegiados. Em contrapartida, usam do poder político que lhes é conferido em benefício próprio,

Compreendo que os portugueses são facilmente influenciados por teorias e conceitos de comentadores profissionais, muitos deles nascidos em berços de ouro e sem experiência de vida, outros ligados a interesses políticos (ex. Marques Mendes, Nuno Melo, …) e outros com ligações a lobbies e instituições financeiras (ex. Jorge Coelho, Cartroga, …), que conhecem o carácter passivo, conformista e de fácil persuasão dos portugueses. Mesmo conhecidos mentirosos patológicos, como José Sócrates, Passos Coelho e o irrevogável Paulo Portas, conseguem persuadir a maioria dos portugueses ou pelo menos criarem a confusão na diferenciação entre o trigo e o joio.

Lamentável que um desses mentirosos e também responsável pelo estado a que o país chegou, José Sócrates, tenha o seu tempo de antena televisiva na RTP á conta dos contribuintes. Certamente, porque não? Passos Coelho terá também o seu tempo de canal público para comentários após terminar o seu mandato no governo. Ao longo dos tempos, haverá mais tempo de programas de televisão dedicado a ex-governantes e políticos incompetentes e corruptos, justificando seus actos de incompetência, de má fé e conflitos de interesses como praticados para bem do interesse público, do que de antena televisiva para programas de interesse cultural e cívico para os portugueses, o que com cada vez menos acesso á educação e á cultura, mais fácil se consegue a manipulação de um povo. Com base no exposto, desconheço qual a razão para o pagamento de uma taxa para os serviços audiovisuais.

Em muitos dos meus comentários aqui e nas redes sociais, tenho mencionado que o povo tem o que merece. Na realidade, ninguém merece ser tão sacrificado continuamente, muito menos por erros cometidos por outros. Por isso, eu vou ser mais benévolo e dizer agora que o povo não tem o que merece mas sim o que consente.

Entrámos no ano novo, 2014! Mas, como Luís de Camões escreveu, “ Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos”. Pessoalmente, mas com desejos sinceros de que eu esteja errado, acredito que os erros velhos se vão repetir, degradando cada vez mais o património nacional, com privatizações a preço de saldos de todas as fontes de receita contínua, essencial para a autonomia do país (ex. combustíveis, energias, …).Todo o desperdício de património nacional, sem a mínima noção nos danos causados para a autonomia futura do país, apenas com o propósito de tapar buracos criados pelo sistema instalado, que muitos deles acabarão por reabrir, quem sabe se em forma de crateras.

O LADO VIRTUALMENTE OPTIMISTA DA NAÇÃO QUE TEMOS 

Presentemente,  observa-se um optimismo virtual por parte do governo, com alguns números estatísticos, tais como as melhorias do número de desempregados. Mas, estatísticas valem o que valem e os seus valores dependem dos factores aplicados e dos omitidos ou não considerados intencionalmente, para ocultarem a realidade do problema (ex. Portugueses que emigraram, jovens e outros inscritos em estágios com subsídios precários por imposição de perda do subsídio de desemprego, etc.). De facto, conforme Passos Coelho disse ao país, foram criados milhares de postos de trabalho para portugueses.

postos de trabalho

Um dos grandes optimismos do governo é sobre o fim do resgate (que apenas existe data prevista) com ou sem plano cautelar (que nem o governo tem ideia como funciona, rsrs), mas que o governo português tem por hábito de ser imitador, copycat, mas nunca criador de iniciativa e projectos originais. Também, o regresso aos mercados para venda de dívida pública a longos prazos de 5 e 10 anos. Mas, nada disso representa a retomada da soberania financeira.

A soberania financeira de um país não é conquistada através de pedir emprestado a Pedro para pagar a Paulo e deixar rolar a dívida para tempos longínquos e à responsabilidade de outros que vierem depois a governar, o que contribui para os buracos tapados agora acabarem por reabrir mais tarde. Realisticamente, a dívida pública nacional é quase que impagável e os juros contínuos sobre a mesma são uma forma de rendimentos vitalícios para todos os bancos nacionais e instituições internacionais, com ou sem FMI, troika, ou outro diabo de nome que lhe queiram chamar.

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Com ou sem troika ou qualquer tipo de programa cautelar ou PEC à la mode de Sócrates, como nos últimos dias já foi referido por Passos Coelho, a soberania financeira, não consegue ser alcançada sem um gigantesco projecto de investimento na produtividade e economia do país, para que possamos reconquistar a autonomia do país e amortizar a dívida pública, ainda que levemos 5 décadas a pagar. Certamente que pedir uma extensão por décadas no pagamento da dívida externa e mesmo um perdão de parte da dívida, não se trata de algo invulgar e muito menos vergonhoso, que outros países europeus, hoje no topo da economia europeia como a Alemanha, não tenham usufruído no passado. Mas é fundamental o investimento no gigantesco projecto acima mencionado sobre a produtividade e a economia nacional.

Ao longo deste governo, foi referido várias vezes a criação do Banco Fomento, para investimentos directos na economia, de uma forma nunca especificada aos portugueses. Ao fim de mais de 2 anos foi nomeada uma comissão, para agora a mesma começar a decidir como irá funcionar e ser feito o investimento na economia. Certamente, que tal como muitas iniciativas deste e outros governos anteriores, este projecto do Banco de Fomento é mais um dedicado a empresas e grupos privilegiadas, sem qualquer tipo de apoio chegar directamente à economia interna do país e totalmente degradada desde o governo anterior de Sócrates.

Ao longo deste governo tem sido mencionado que as percentagens atingidas pela primeira vez nas exportações, ultrapassam os 40% do PIB. No entanto, não causou qualquer aumento significante do PIB nos últimos 4 anos, o que significa que o aumento das exportações não deu para cobrir as perdas em outros sectores da economia do país; a ordem dos factores de produção da receita alterou sem beneficiar o PIB. A economia interna da nação contínua em decadência, devido ao desemprego, á emigração de dezenas de milhares de portugueses, à redução de rendimentos das famílias devido a impostos sobre rendimentos, cortes salariais e de pensões, há insegurança geral dos consumidores. Milhares de actividades de prestação de serviços em economias estáveis, tais como exemplos a manutenção de serviços de imóveis e veículos rodoviários encerram dia a dia devido à falta de capacidade de consumo interno.

Também, colocar toda a autonomia nacional do país a depender nas exportações, sem preocupação da economia interna, é como colocar todos os ovos no mesmo cesto e algo inesperado acontecer e perdermos todos os ovos. No sistema global em que vivemos, as exportações dos países dependem de factores externos ao controlo de cada país e o rumo poderá alterar quando menos é esperado. Por isso, ignorar a economia interna de pequenos e médios empresários, é ficarmos sempre dependentes de outros.

O LADO REALISTA E TRISTE DA NAÇÃO QUE TEMOS

Deixemos as notícias falar por si 

SAÚDE

Doente com cancro espera dois anos por colonoscopia

Quando fez o exame, o doente já tinha cancro no intestino e era inoperável. O ministério já lamentou este caso «intolerável».

Lamentar, não restitui anos de vida ao doente. Esta situação não se passou no interior do país mas na zona de Lisboa, capital da nação. Um hospital ao serviço de uma população de 500 a 600 mil e apenas com 7 especialistas em gastroenterologia .

Registados 84 suicídios por mês este ano

674 suicídios confirmados até agosto e aumento do consumo de antidepressivos. À primeira vista, o número de suicídios confirmados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal mantém a tendência do ano passado.

84 suicídios em média por mês num país com 10 milhões de habitantes, é algo significante. Significa que as dificuldades da vida, ao contrário do que Passos Coelho tem afirmado que é uma porta de oportunidades, levam muitos à depressão, desespero e daí ao suicídio. Infelizmente, os recursos e centros sociais de apoio a indivíduos e famílias, são cada vez menos e os casos  aqui expostos são cada vez mais.

Matou-se frente à autarquia onde dormia há semanas a suplicar por um teto

Há mais de dois meses que dormia à porta da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, reclamando o direito a uma casa. O desespero por uma resposta, e por um teto, fez com que José Augusto Oliveira colocasse termo à vida e se enforcasse à porta da autarquia na madrugada de ontem.

Tinha apenas 45 anos mas o diagnóstico de diabetes tipo I, seguidos de uma cegueira provocada pela doença, atirou José Augusto Oliveira para uma pensão de invalidez de apenas 303 euros mensais. Este homem, divorciado e pai de três filhos, enforcou-se em frente à autarquia na madrugada da noite passada, um acto de desespero e resultado, em parte, dos problemas psiquiátricos de que admitia sofrer.

O desespero e a falta de um teto fez com que este ex-camionista passasse a dormir em frente Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, onde vinha a suplicar por uma casa.

A autarquia acabou por lhe atribuir um quarto e assegurar-lhe todos os cuidados de saúde, mas talvez tarde demais.

Onde estão os apoios sociais, para prevenir casos drásticos como este?

Ministro diz que morte por enfarte à espera nas urgências é caso isolado

Paulo Macedo disse numa comissão parlamentar de Saúde. “Nós temos um conjunto de situações todos os anos, de erros médicos, de dificuldades que não deveriam ter acontecido. Certamente que o ministro da saúde, Paulo Macedo,  seria imediatamente atendido e não ficaria sujeito como esta doente que esperou 6 horas para ser atendida, acabando por falecer sem assistência médica.

Bastonário dos Médicos acusa Governo de diminuir a qualidade do SNS por razões economicistas

O bastonário da Ordem dos Médicos diz que os meios que existem nos hospitais públicos não estão a funcionar em pleno porque o Estado não quer gastar mais dinheiro para pô-los a trabalhar durante mais horas. José Manuel Silva diz ainda que os serviços de urgência têm poucos profissionais e que muitos portugueses regressaram às urgências porque não têm alternativa nos centros de saúde.

OUTROS SECTORES

Associação avisa que os pensionistas estão no limite da resistência

A representante da Associação de Pensionistas e Reformados entende que os cortes nas pensões não dignificam os 40 anos do 25 de abril, celebrados este ano. Depois de ter sido recebida pelos partidos da oposição.

Sociólogo Boaventura de Sousa Santos diz que recebe menos que a empregada de limpeza. Boaventura de Sousa Santos acusa o Governo de fazer terrorismo de Estado contra os pensionistas e reformados.

Salários do Estado acima de 2.500 euros levam corte à cabeça superior a 40%

O primeiro salário para os funcionários públicos (relativo a Janeiro) que reflecterá os novos cortes previstos no Orçamento do Estado, fica a saber-se que os ordenados brutos acima de 2.500 euros brutos levarão um corte, à cabeça, superior a 40%. Será que um ordenado de 2.500 euros é considerado um alto salário?

 Será que estas situações são de optimismo para o governo? 

Para quê tantos sacrifícios pedidos ao povo independente dos danos causados, do sofrimento e mesmo  da perda de vidas precocemente, só para criar uma imagem de sucesso económica, quando na realidade não houve qualquer recuperação da soberania financeira, para além da manipulação dos mercados financeiros com interesses ocultos? Este governo está mais preocupado no parecer do que no ser. Um governo que demonstra total desrespeito pelos seus cidadãos, em benefício da sua imagem virtual e do seu bem estar, não é um governo democrata, muito menos digno de respeito dos seus cidadãos. 

A imagem que este governo está a  criar do país, é como a de uma família que tem um carro de luxo á porta, anda vestida na moda mas vive sem comer dentro de casa e cheia de dívidas.

CONCLUSÃO

Do que mencionei sobre o optimismo virtual do governo e das notícias reais negativas em alguns sectores do país, mas em todos os sectores podem ser encontradas, nada vejo que se possa celebrar ou que nos dei-a a possibilidade de ver alguma esperança para um futuro dentro do mesmo sistema político e económico instaurado. Existem muitas incertezas, mesmo sobre o fim do resgate; O governo desconhece na sua totalidade como funciona um plano cautelar ou se devem optar pelos PEC, tipo PEC IV á Sócrates, que deu a oportunidade a Passos Coelho para trair o povo e ser eleito PM. Mas, independente de todas as incertezas, há quem já esteja a usar esta onda de optimismo virtual, para lançar a sua campanha eleitoral a pensar nas próximas eleições. Mesmo Passos Coelho, que há algum tempo atrás afirmou que se lixem as eleições, é um dos primeiros a procurar usar esta onda de falso optimismo para se recandidatar precocemente a primeiro-ministro. Seu aliado, o irrevogável Paulo Portas, está a usar esta euforia para também sonhar bem alto e ir mesmo mais além, até à Presidência da República. Não esqueçamos que os sonhos comandam a vida. Mas a concretização do sonho destas duas individualidades e seus comparsas, só será possível serem concretizados se mais uma vez os portugueses continuarem adormecidos.

Mas deixo aqui um pequeno alerta. Apesar de tudo, e ainda que não seja visto pelos portugueses luz no final do túnel, ao longo de 2014 irá permanecer por parte do governo a opinião optimista que tudo está na perfeição. Contrariamente, ao OE para 2014, no OE para 2015 o governo irá distribuir chouriços por todos os portugueses e particularmente às classes menos favorecidas, provenientes dos 533 milhões na reserva oculta do OE para 2014 (um saco azul), como revelou a ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, para assegurar de que os portugueses lhe retribuam porcos grandes nas eleições legislativas, para que os mesmos possam continuar a chupar à conta do povo mais um mandato.

É meu dever informar todos os leitores, que toda a minha formação académica e profissional não abrange qualquer conhecimento sobre ecónomia. Mas, a minha experiência ao longo do meu percurso vida, não só no país como além fronteiras,  tem maior precisão do que as previsões dos conhecimentos teóricos de muitos videntes economistas e conselheiros do governo, não só deste governo como de governos anteriores.

 

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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One Comment em “ENTRÁMOS EM 2014 – O ESTADO DA NAÇÃO”

  1. artur Says:

    Esta Europa de Bruxelas tem de ser destruida. Não presta. É lixo. Só interessa à casta politica parasitária e aos banqueiros. Em Maio teremos de votar em qualquer partido que seja contra a União Europeia e contra o Euro. Nunca votar aos partidos do costume, os costume que levam parasitando e roubando há 40 anos.

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