A DÍVIDA PORTUGUESA É IMPAGÁVEL E A PERDA DE SOBERANIA, PODE SER INEVITÁVEL COM OS POLÍTICOS QUE DESGOVERNAM PORTUGAL

É indiscutível que Portugal possui grandes economistas e gestores, admirados e contratados  pelas maiores instituições internacionais. Mas, todos eles virados com o seu saber, “know-how”, como aplicar fórmulas para enriquecimento dessas instituições financeiras à custa do povo. Eu sou leigo na matéria. Mas, como todo o português e segundo as liberdades ainda existentes, tenho direito a expressar a minha opinião sobre o estado cada vez mais crítico que o país atravessa.

A ambição e determinação deste governo é apenas o desejo de regressar aos mercados financeiros. Isso significa continuar a viver à custa de endividamento, pedindo a Pedro para pagar a Paulo, sem procurar produtividade e desenvolvimento económico para alcançar sustentabilidade nacional, muito menos poder pagar os empréstimos e respectivos juros, que governo após governo acumulam.

Supostamente, o primeiro resgate que Portugal adquiriu, à custa de medidas de austeridade insustentáveis, seria para redução do défice, e consequente redução da dívida pública, para além do apoio suposto à economia. Ao longo dos dois anos do resgate, as metas do défice têm sido alcançadas aproximadamente não com valores reais e estáveis, mas com privatizações, com colheitas de receitas apenas uma vez, e com manipulação de dados contabilísticos, que nunca acabam por ser devidamente esclarecidos aos supostos accionistas, os contribuintes, que são no meio de toda esta trapalhada quem sustenta a má gestão governamental. Quanto à dívida pública, essa não parou de subir continuamente para valores insustentáveis de serem pagos, em relação ao PIB da nação que contínua em descida.

Quais os benefícios do primeiro resgate? Para além do apoio à banca nacional, que afirma que nunca precisa, mas sempre de braço estendido para receber tudo que for oferecido e, do cumprimento das obrigações com os pagamentos da dívida externa e respectivos juros, para evitarmos cair em incumprimento, só a troika ganhou com juros obtidos do resgate concedido.

Qual o propósito ou benefícios de um segundo resgate, que vai acontecer, ou das expectativas do regresso aos mercados o mais breve possível? Os objectivos do governo são os mesmos do primeiro resgate: Apoio à banca nacional,  cumprimento das obrigações com os pagamentos da dívida externa e respectivos juros, para evitarmos cair em incumprimento das obrigações internacionais.

Quanto aos danos, esses agravarão mais e mais. Como cada vez há menos para privatizar e menos património nacional negociável, mais difícil se torna manter um défice baixo e estável. A dívida pública aumentará com o novo resgate ou o regresso aos mercados e respectivos juros. As medidas de austeridade, directas ou indirectas continuarão a aumentar. A eliminação de postos de trabalho do Estado e empresas privadas de pessoas em idade de actividade profissional, vai produzir mais desemprego, menos contribuições para a segurança social, mais obrigações de pensões antecipadas antes da idade e mais subsídios sociais. Todo este cenário contribui para menos capacidade de consumo, mesmo a nível de sobrevivência,  desintegração e instabilidade social.

Independente de mais resgates ou regresso aos mercados, um perdão da dívida é inevitável ou uma saída do euro e uma desvalorização total da nova moeda.

A soberania de um país depende da capacidade de autonomia para a sustentabilidade do seu povo, no respeitante à agricultura, à produção industrial, aos meios educacionais e estruturas sociais do país.

Portugal, com a entrada na CE, perdeu muito da autonomia de sustentabilidade interna, começando no tempo do então primeiro-ministro, Cavaco Silva, com o abandono da agricultura e das pescas, em troca de subsídios da CE, os quais eram cedidos a Portugal para uma remodelação de estruturas do país no sentido de investimentos em novas estruturas com benefícios economicamente rentáveis para o país. Apenas uma mão cheia de empresas privilegiadas, ligadas a ciclos de políticos que beneficiaram dos investimentos dos dinheiro da CE, investindo em projectos não rentáveis no longo curso, como a construção de estradas, muitas delas sem qualquer fundamento.

ACTUALMENTE PORTUGAL NÃO TEM AUTONOMIA DE SUSTENTABILIDADE INTERNA

Hoje, o governo reconhece a falta da agricultura e das pescas, mas não admite a culpa das decisões governamentais de muitos políticos, alguns dos quais ainda no poder, como Cavaco Silva, responsáveis pelo caos de sustentabilidade económica que causaram. Hoje, esses políticos procuram motivar o povo para regressar à agricultura, depois de tirarem todos os incentivos de  apoio  por  todo o país, para além do litoral, como adequados centros de saúde, estruturas educacionais, sociais e culturais.

A remodelação e criação de novas estruturas industriais não aconteceram. O país não tem produtividade industrial que possa ser sustentável para angariação de mão-de-obra no desemprego e dos jovens que ano após ano acabam licenciaturas como engenheiros e outros campos profissionais, sem qualquer forma de serem integrados nos mercados nacionais de trabalho. Algumas das empresas industriais que existem no país, como a indústria automóvel, são indústrias de países estrangeiros, que com as dificuldades contínuas causadas pela crise global, podem eventualmente encerrar a qualquer momento aqui e serem removidas para os países de origem. Portugal, não demonstrou ao longo de quase 3 décadas de integração na CE, capacidade para desenvolver as suas próprias indústrias. Talvez devido à imposição de normas impostas pela CE e ao facto dos nossos governantes não passarem de “YES MEN” perante os supostos parceiros europeus, que na realidade não são parceiros de comunidade mas sim patrões que nos ditam ordens do que estamos ou não autorizados.

Portugal é cada vez mais um país de prestação de serviços. Mas o emprego na actividade de serviços, depende de todo o tipo de actividade comercial e industrial do país. Quando há um decréscimo no comércio e indústria, há uma redução substancial a nível de actividades de serviços. Muitos serviços, como hotelaria, restauração, actividades culturais e mesmo outros como qualidade ambiental, dependem da capacidade de consumo. A capacidade de consumo tem degradado ao longo dos últimos anos, e continuará a degradar sem fim à vista.

O país não pode continuar a viver cada vez mais na incerteza do amanhã. Notícias como as divulgadas por Passos Coelho em que, alerta o povo para nove choque de expectativas em 2014, só demonstram que as medidas de austeridade ainda não vão parar de aumentar em 2014, 2015 e anos seguintes. Lembrar os discursos de Passos Coelho de rentrée do PSD  no fim do Verão de 2012 e 2013, cheios de optimismo e certezas de que a recessão chegava ao fim na primavera do ano seguinte e, ouvir depois este tipo de notícias do mesmo, e do seu comparsa, o vice primeiro-ministro, Paulo Portas com mais cortes nas pensões e subsídios de sobrevivência dos mais necessitados, como é possível acreditar este governo?

A dúvida não é o que acontecerá depois da troika sair do país, se isso vier a acontecer. A dúvida é: será que o país conseguirá sobreviver sem uma revolução social até 2015? E mesmo que sobreviva devido à passividade do povo, que escolhas temos para continuar a governar o país? A mesma escumalha política do passado e presente?

Na realidade, o Fado é mesmo à medida como uma luva feita para uma mão. Os portugueses são um povo triste, mas conformados com a sua sorte.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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3 comentários em “A DÍVIDA PORTUGUESA É IMPAGÁVEL E A PERDA DE SOBERANIA, PODE SER INEVITÁVEL COM OS POLÍTICOS QUE DESGOVERNAM PORTUGAL”

  1. V. Says:

    “Supostamente, o primeiro resgate que Portugal adquiriu, à custa de medidas de austeridade insustentáveis, seria para redução do défice, e consequente redução da dívida pública, para além do apoio suposto à economia.” Não, não foi supostamente para isso. O primeiro resgate serviu para o país ter dinheiro para pagar aos polícias, professores, médicos, juízes, reformados, etc. Foi para isso que serviu: para evitar a bancarrota. Claro que quem nos emprestou dinheiro, não o fez sem condições. E é aí que entram as medidas de austeridade, com vista à redução do défice. Fica o esclarecimento.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro escorregadacurva,

      Obrigado pelo seu comentário. Mas, tenho uma dúvida: Será que o país devia aos polícias, professores, médicos, juizes, reformados, etc., 78 mil milhões de euros? Não podia imaginar que esses sectores de pprofissionais tivessem tão avultados salários. Com esse nível de salários, a cada dois anos vamos precisar de um novo resgate.

      Os meus agradecimentos

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      • V. Says:

        Obviamente, o resgate não foi pensado para suprir as necessidades de apenas um mês. E claro que também havia empréstimos a vencerem-se, que tinham de ser pagos. Em todo o caso, nunca foi para reduzir o défice. Dizê-lo é equivalente a afirmar que se pediu dinheiro ao vizinho para reduzir as contas da água, luz, etc.

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