UM POVO TEM AQUILO QUE MERECE!

10 de Julho de 2013

Economia, O PAÍS, O PAÍS QUE TEMOS

Não é a primeira vez que faço uma interrupção acerca de escrever no site. Não se trata que me ausentei de férias ou por outro motivo, porque com as tecnologias actuais escreve-se de qualquer lugar a qualquer hora. Mas como já tenho referido, de tempos em tempos é importante fazer uma  pausa para desintoxicação do ambiente político, económico e social que o país vive e que se agrava a cada dia. Também, a situação portuguesa do dia a dia é como que uma novela televisiva, acredito que parecido com as más novelas mexicanas e não só, em que mesmo perdendo uns episódios pelo meio, não se perde nada de importante, que tenhamos de rever os episódios perdidos.

Após esta minha interrupção, os meus comentários e criticismo sofrerão uma mudança de direcção, mas com o mesmo intuito de poder contribuir para uma mudança para melhor do país. Digamos que, desde início tudo o que escrevi esteve sempre apontado para os políticos e governantes, como que eles fossem os principais responsáveis pela situação caótica que Portugal atravessa e em contínua degradação. Na realidade, apontar os dedos aos governantes, não é apontar o dedo à raiz do problema, que está no povo. É como que alguém acusar o tabaco e os produtores de tabaco, pelo cancro do pulmão de que padece e não ver que a culpa está nele próprio em ter optado por fumar durante o seu percurso de vida, ainda que sabendo que o tabaco faz mal à saúde. Os portugueses sabem que cada vez que vão votar no mesmo regime político instalado, sabem que estão a cometer o mesmo erro do passado,  contribuindo para a degradação económica e social, mas insistem em cometer o mesmo erro. A maioria do povo prefere aprender à custa de sacrifícios. Mas o pior, é que a maioria nem com sacrifícios conseguem aprender e os erros se repetem, agravando cada vez mais o futuro de todos.

O GOVERNO DEU UMA LIÇÃO DE UNIÃO AO POVO PORTUGUÊS

Caros portugueses, Passos Coelho, conseguiu demonstrar o que tem dito no passado, que há males que vêm por bem, ao criar uma união governamental entre o CDS e PSD, ainda que mais no parecer do que no ser. Contrariamente  ao povo que para além de comentar e criticar, não conseguem encontrar unificação  de interesse comum de luta nacional, o governo num momento em que as mentes mais inteligentes e credíveis apostavam na queda irrevogável do governo, consegue formar uma coesão partidária, obviamente já aceite como credível pelos  parceiros europeus e sem margem para duvida com a aprovação do PR, transmitida aos portugueses dentro de poucas horas.

Contrariamente ao governo, os portugueses lutam cada um pelo seu interesse, ignorando o interesse comum como um povo. Os camionistas entram em greve para prevalecer seus interesses, independente das queixas dos restantes portugueses sobre os danos causados; uma vez sucedidos, ignoram os protestos da restante população. A TAP, entra em greve para prevalecer seus interesses, independente das queixas dos restantes portugueses sobre os danos causados; uma vez sucedidos, ignoram os protestos da restante população. Os professores, entram em greve para prevalecer seus interesses, independente das queixas dos restantes portugueses sobre os danos causados; uma vez sucedidos, ignoram os protestos da restante população.Os transportes, entram em greve para prevalecer seus interesses, independente das queixas dos restantes portugueses sobre os danos causados; uma vez sucedidos, ignoram os protestos da restante população. São alguns exemplos de sectores da sociedade portuguesa, que se preocupam apenas por aquilo que directamente os afecta, ignorando os problemas e bem estar de um país como um todo e como tal sem interesse  na  procura de coesão de todos os portugueses pelo bem estar de todos. Cada um lutando independente sem interesse comum, poderá ganhar uma batalha individual, mas jamais uma guerra como uma nação.

“O mal dos povos, o mal de nós todos, é só aparecermos à luz do dia no carnaval, seja o propriamente dito, seja a revolução. Talvez a solução se encontrasse numa boa e irremovível palavra-de-ordem: povo que desceu à rua, da rua não sai mais. Porque a luta foi sempre entre duas paciências: a do povo e a do poder. A paciência do povo é infinita, e negativa por não ser mais do que isso, ao passo que a paciência do poder, sendo igualmente infinita, apresenta a «positividade» de saber esperar e preparar os regressos quando o poder, acidentalmente, foi derrotado. Veja-se, para não ir mais longe, o caso recente de Portugal. “  –  José Saramago, in ‘Cadernos de Lanzarote (1993)’

Quanto mais tempo o povo perder em se unificar, tarde ou nunca o país voltará a ser um estado soberano, com esperança de futuro para futuras gerações e digno do sacrifício dos nossos antepassados.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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7 comentários em “UM POVO TEM AQUILO QUE MERECE!”

  1. Edoz Says:

    “” O povo têm aquilo que merece, mas nem sempre merece aquilo que têm “”- Esta poderia ser uma máxima de Marco Aurélio, Confúcius ou um outro grande pensador que serve ainda de suporte da nossa velha civilização. Encontre-ia esta manha ao reflectir na queda do nosso sistema financeiro e a forma cobarde como os altos responsáveis atiram culpas aos desprotegidos colaboradores de responsabilidade colateral. Vejam o que se passa com o Credit Suisse nos EUA e a forma pouco altruísta como o responsável máximo, lança as culpas a raia miúda, inadmissível. Nós somos culpados porque em democracia podemos escolher, por isso “merecemos o que temos” mas não deveria-mos merecer “ter feito a escolha que nos foi oferecida.” Em Democracia o voto de um analfabeto têm o mesmo valor que o de um iluminado. Esta é uma conquista que parte da Humanidade, ainda não reconhece.

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  2. RC Says:

    Não poderia estar mais de acordo. Tenho dito que o mal não está nos politicos nem nos partidos. O mal está claramente no regime. Há 40 anos que “vira o disco e toca o mesmo”. Depois de muito pensar sobre o assunto concluí que não posso votar num regime quando o problema está nesse mesmo sistema. Passei a ser apartidário e como bom democrata que sou, não tendo alternativa, aceito o que a maioria decide. Se o povo, não se importa de ser chamado de 4 em 4 anos para exercer o único direito que tem, de eleger meia duzia de pessoas para o representar, passando uma procuração em branco, eu cá importo-me e quero mais, quero participar, quero ser incluído nas grandes decisões.
    O povo elege e critica, elege e critica e andamos nisto há 40 anos!
    O regime é naturalmente viciado e viciante precisamente porque o povo permite. Para o povo é mais fácil criticar do que tomar uma verdadeira decisão.
    Os politicos conhecem a alternativa, mas não lhes convém. O povo vai sabendo, mas acomodado, quer lá saber.
    A Suiça, um país pequeno e próximo de nós, recebeu ao longo de anos milhares de emigrantes portugueses. Quem lá esteve só sabe dizer bem. Tudo era e é bom, contudo se perguntarmos porquê, poucos sabem explicar; simplesmente funciona! Como tudo, existe uma explicação e ela esta precisamente no regime democrático que permite que o povo participe nas decisões da região( cantão), do país, através de referendos. A chamada democracia directa. Eu sei que uma democracia desta natureza requer mais instrução, mais conhecimento, no entanto, também sou da opinião que seria assim que o povo iria crescer, aprendendo com as más decisões.
    Quando houver um grupo de pessoas que queira um regime destes, eu estarei lá para ajudar.Estou cansado de ver o mesmo, e não compreendo como as pessoas aceitam isto há tantos anos.
    Esta crise que se instalou, aliás que se foi instalando silenciosamente desde o 25 de Abril, é da responsabilidade do povo porque preferiu viver ilusões, que se deixou enganar pelos mesmos partidos, pelas mesmas pessoas e nunca tendei a por um ponto final neste ciclo doentio. Quero acreditar que o povo deixou-se levar devido a alguma ingenuidade e ignorância (basta pô-los lá que eles governam por mim).
    Nós deveremos ser os supervisores dos governantes!

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  3. Marcos Pinto Basto Says:

    Ontem ouvia a descriminação do que foi a PPP da ponte Vasco da Gama e fiquei estarrecido. Outra grande falcatrua foi o BPN, mas nunca dei conta que algum português tenha questionado sobre as irregularidades tão à vista de todos e cometidas por marcados pela desonestidade. O pessoal dormiu na forma e pouco ou nada ligou para o assunto.Disto sou forçado a concordar cada Povo tem o governio que merece.

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  4. Vitor Campos Says:

    Toda a caca agora já tem blog para dizer seus disparates. Quem tem o que merece são os traidores e não nenhum povo!

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  5. revoltado1 Says:

    Uma grande verdade nós portugueses temos a tendência de olhar só para o nosso umbigo, assim que o temos como desejamos ou queremos esquecemo-nos dos outros, só um exemplo, a função pública fazia greve por aumentos salariais, os governos não lhes davam o que pediam mas em troca compensava-os com ou dias de férias ou outras benesses, pois bem enquanto não alcançavam o que queria falavam em nome dos reformados, depois? Depois esqueciam-os ate nova luta por aumentos, não se lembravam que se eles levavam benesses, os reformados só levavam a percentagem de aumento acordado, porque não continuavam para que os reformados levassem o aumento que eles exigiam? Talvez hoje milhares de reformados não tivessem uma reforma de miséria como tem.

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