Cavaco Silva, como PR, perdeu mais uma oportunidade para corrigir o que está errado

“O Presidente da República reitera o entendimento de que o Governo dispõe  de condições para cumprir o mandato democrático em que foi investido e manifestou  o seu empenho em que sejam honrados os compromissos internacionais assumidos  e em que sejam alcançados e preservados os consensos necessários à salvaguarda  do superior interesse nacional”.

Todos sabemos, pelo menos os mais atentos e conscientes sobre o estado do país, que este governo já esticou demasiado a corda.  Com a  pressão e a desorientação com que o governo procura desempenhar as funções, é impossível algo de concreto realizar, no sentido de assumir os compromissos externos e manter a coesão social do país.

Estava ao alcance do PR, a dissolução deste governo e da AR e o agendamento de novas eleições, ou a formação de um Governo de Salvação Nacional. Infelizmente, como podia ser de esperar do actual PR, nem mesmo num estado catastrófico do país, Cavaco Silva tem iniciativa para actuar como um PR.

Vejamos o impacto de cada uma das duas opções acima apresentadas.

A dissolução do governo e da AR e o agendamento de novas eleições, muito pior que a aproximação das eleições autárquicas, como o PR já referiu, no meu ver, que não passo de um cidadão comum, não resolvem a situação do país. Conforme inúmeras vezes tenho referido, significa mudar de protagonistas e muito provavelmente alterar o partido. Mas as medidas politico-económicas desastrosas continuam a degradar o país. Os partidos continuam a nomear quem eles pretendem, de acordo com suas agendas e não segundo a opinião da maioria do povo. Também, o povo ao votar, vota uma lista de nomes desconhecendo na maioria de quem se trata ou historial ou CV da maioria dos nomes apresentados. Muitos, dos inscritos nas listas, não têm qualquer ligação ou conhecimento dos distritos pelo qual são candidatos.  Ainda que esta seja a opção da maioria dos partidos, principalmente da oposição, ambiciosos de alcançarem o poder e mesmo da maioria do portugueses cansados do actual governo, esta opção, para além do desgaste de tempo e economia do país, não traz qualquer melhoria ou esperança para o país. Se esta opção acabar mais tarde ou mais cedo ser a escolhida, será a vontade da maioria e o povo terá o que merece. MAS EU NÃO VOTAREI. Como cidadão, estarei sempre disposto a ser parte da solução, não do problema.

Aqueles que acreditem que esta seria a opção preferida, se quer participar activamente na solução do problema, enviem comentários com indicações de possíveis candidatos da vossa escolha. Num Estado de direito, a liberdade de expressão e escolha tem tanto peso como o direito ao voto.  A falta de participação, significa que ainda que não estejam de acordo com o actual sistema e governo , não estão dispostos a participar activamente no país, considerando o que for será. Como tal, é o governo quem mais ordena.

A nomeação de um Governo de Salvação Nacional (GSN) por tempo determinado, ainda que muitos pensem que seja o fim da democracia e um regresso ao passado, seria a única oportunidade de uma reforma da constituição, no respeitante ao que corresponde ao sistema eleitoral do país. Assim, podia ser reduzido o número de deputados, retirar o poder absoluto dos partidos, que possuem actualmente, dando mais poder aos cidadãos, permitindo que qualquer cidadão, em pleno uso dos seus direitos de cidadania pudesse candidatar-se à AR como independente sem fazer parte de partidos políticos. Muitas petições têm sido assinadas, por milhares de portugueses, no sentido de modificar a actual estrutura da AR e sistema eleitoral. Mas, alguma vez os partidos instalados da AR aprovarão uma medida que lhes retira poder e jobs for the boys? Nunca!

Os membros nomeados para um GSN, deveriam ser pessoas, não  activamente envolvidos com partidos políticos. Individualidades, como Catroga, devem ser totalmente vedado o acesso. Deveria ser composto de pessoas credíveis e com experiência em diversos sectores sociais e profissionais.

Certamente que é difícil e  quase que impossível de realizar, com um PR ligado ao actual partido político no governo,  como também com ligações há mais de duas décadas a pessoas ligadas ao mundo da corrupção nacional. Este PR, de modo algum é parte da solução do país. Mas desde o seu segundo mandato como PM, tem sido parte do problema que o país vive.

Esta segunda opção, aqui apresentada, é certamente a de menos aceitação pela maioria dos portugueses. Ou porque é mais difícil de concretizar, ou  porque não está ao alcance da maioria compreender a complexidade de modificar algo que está errado, com aqueles que há muito estão instalados no controlo do país e que têm beneficiado da situação, independente de terem levado Portugal à situação económica que se encontra e à perda de dignidade internacional.

O actual governo, aliás como o anterior, tentam manter a dignidade internacional do país, à custa de pagamentos monetários insustentáveis para os portugueses, que gradualmente vão acabar por poder dar continuidade aos demasiados sacrifícios da austeridade.  Mas a dignidade de um país ou de uma pessoa, não se compra com dinheiro. A dignidade só é  possível alcançar através da conquista com acções praticadas e trabalho desenvolvido com competência baseado em experiência, não através de projecções inexperientes que acabam sempre falhadas.

A segunda opção, apesar de apenas uma minoria muito reduzida apoiar, é a única pela qual eu estarei disposto incondicionalmente participar como cidadão na reconstrução do país.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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7 comentários em “Cavaco Silva, como PR, perdeu mais uma oportunidade para corrigir o que está errado”

  1. Rodrigo Says:

    Com este post ficou provado que infelizmente todos estamos reféns desta pseudo-democracia…pois o único com poderes para nomear um governo de salvação nacional o PR, é este também refém do apoio partidário para chegar a um poder que é supostamente constitucionalmente apartidário. Existe uma terceira opção, tal como no caso da Islândia, a redacção de uma nova constituição pelo povo e para o povo, acabando com estas escolas partidárias que apenas lutam pela sua sobrevivência e pela sobrevivência deste sistema demagogo e moribundo.

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  2. Alcides Says:

    Olá bom dia.

    Das duas opções acima demonstradas,a que eu apoio directamente,e ao qual me identifico é a opção de criação de um governo de salvação nacional.

    Eu como jovem, mete-me imensa confusão ver muita gente da minha geração 80-90, jovens de sangue novo e com força, deixar este país e ter que imigrar sem saber se compensa ou não voltar a este país cada vez mais pobre, corrupto e infelizmente já a ficar demasiado velho.

    Um país que destrói empregos à velocidade que a gente vê o dia a dia, sem ter a capacidade de os substituir, é um país que está condenado ao fracasso, os Portugueses são como atletas de boxe, num combate desigual, ou levantamos apesar de estarmos a levar uma valente porrada no corpo, ou dificilmente teremos força anímica para levantar e fazemos o mais fácil, Desistir….

    Bem sei que essa palavra não deve, não pode e nunca irá estar no meu vocabulário, mas sei que infelizmente, e por razões várias, está constantemente presente no pensamento de diversos Portugueses que lutam (com muita dignidade) para terem um pouco de comida nas suas mesas.

    Os constantes folclores políticos protagonizados pelos diversos elementos dos grupos de folclore presentes na AR, denota a um simples cidadão como eu, que da esquerda à direita, NENHUM destes grupos tem a capacidade, VONTADE, INTERESSE, e SENTIDO DE RESPONSABILIDADE para combater realmente os interesses instalados.

    Até aqui acho que todos estamos de acordo, e tem sido constantemente batalhado aqui e em outros locais que leio, mas infelizmente só nas redes sociais, pois nas TV’s, o poder instalado censura, típico de uma Psedo-Democrácia.

    Continuo a dizer para mim como fui capaz, como fui capaz de exercer o meu direito democrático como qualquer cidadão e entregar o meu voto a um sr que raramente sabe o que está a fazer, quando fala é para “tirar” a água do casado e dizer que a responsabilidade não é dele, mas sim dos outros, um sr que ajudou a salvar muitos dos seu amigos, colocando-os no conselho de estado, sabendo que estando esses psedo-portugueses fora desse circulo, estaria em risco a sua sobrevivência política.

    Um governo de salvação nacional, a meu entender teria que ser formada, não pelo sr atrás descrito, pois mete-me impressão, para não dizer outras palavras quando o vejo a ele e aos seus amigos de diversas cores políticas, mas sim por um grupo de cidadãos independentes, sem qualquer ligação política aos grupos de folclore instalados na AR, bem como sem qualquer ligação ao arco dos poderes financeiros e maçónicos.
    .
    Bem sei que é difícil, mas temos que lutar.

    No meu entender, algumas medidas teriam que ser tomadas, custo o que custasse, nomeadamente:

    1) Fazer uma verdadeira auditoria a todos os ministérios, empresas públicas, institutos públicos, AR, tribunais, câmaras, etc.

    2) Alteração e simplificação da constituição, Nomear um conjunto de pessoas idóneas, pois acredito que ainda existe pessoas muitos inteligentes, independentes e com vontade de combater esta corrupção, podendo um cidadão comum dar as suas ideias, dando assim oportunidade para todos os que queiram mudar, possam fazer.

    3) Criar um simples grupo para verificar e saber quem foram os responsáveis pois diversos acordos que lesaram o estado em muitos milhões de euros.

    4) Criar um tribunal para julgar todos os que usurparam o poder, e colocar esses senhores, banqueiros, ex e actuais políticos, maçons, advogados, dirigentes sindicais, etc.

    5) Dinamizar a economia. Como? Facilitar o acesso a terras, financiamento, e criação de empresas. O governo como é que iria buscar dinheiro? Qualquer cidadão emprestava dinheiro ao governo, funcionando como uma conta a prazo, a diferença é que o governo por vez de dar dinheiro em cada semestre devolvia incentivos fiscais, como redução de impostos no valor do montante emprestado, não tendo que ir sucessivamente ao estrangeiro pedir dinheiro.

    6) Acabar com o rendimento da malandrice (rendimento social de inserção), e ajudar as famílias que não podem, nomeadamente famílias com deficientes, com incapacidade. Quem tinha direito a esta ajuda eram pessoas que tivessem descontado, quem não desconta não recebe, pois o que tem acontecido e tenho visto em primeira mão é que existe muita gente que usurparam estes rendimentos, sem nunca terem largado uma gota do suor para os merecerem.

    7) Nivelar e obrigar a reduzir os preços dos combustíveis, da electricidade, das portagens, pois temos visto mais de uma vez que não existe concorrência em Portugal, existe sim um aglomerado de interesses instalados, pequeno mas poderoso que comem na mesma pia e que é preciso combater com eficácia.

    8) Iria existir uma verdadeira reforma a sério no estado, só o PR, o presidente da AR, e o PM tinham direito a viatura, o resto só usava a viatura do estado em deslocação previamente definida.
    O número de deputados seria reduzido, Cada ministro e secretários de estado teriam que usar o transporte público, e dar o exemplo.
    O número de funcionários das câmaras teria que ser reduzido.
    Todos os boys que tinham ganho o emprego através de amizades e partidos perdiam o seu lugar automaticamente, reduzindo o número de funcionários.

    9) Existe todo um conjunto de reformas que se fosse colocar aqui iria dar muitas linhas, e não quero maçar mais.

    Eu acho que temos que mudar, isto tem que mudar, e VAMOS MUDAR..
    ACORDAR PORTUGAL.

    Cumprimentos
    Alcides Gomes

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Alcides Gomes,

      Os meus agradecimentos pelo seu comentário e proposta apresentada.

      Para além do comemtário ser publicado, como normalmente como comentário dos leitores, dado a sua introdução de uma proposta, com sugestões a serem consideraradas, vou destacar o mesmo como publicação, no sentido de dar mais destaque e sugerir opiniões sobre o mesmo e mesmo o convite a outros leitores a apresentarem respostas.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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    • Marcos Pinto Basto Says:

      Alcides Gomes, suas palavras são as dum cidadão Patriota Consciente que vê seu País ser destruído por uma gangue irresponsável e muito criminosa. Não é possível que esses indivíduos no governo, sejam tão cegos e surdos que não tenham visto ainda ou ouvido a miséria com muitas reclamações que toma conta de Portugal. Agora, mais nunca, o Povo Português tem que revoltar-se depondo e prendendo todos os membros do governo bem como as centenas de protegidos que ocupam cargos chaves em diversos escalões do governo e empresas privadas envolvidas em negócios muito nebulosos.Os cidadãos que votaram nestas aberrações que desmantelam Portugal, têm o direito e o dever de os destituir, mas estão sendo omissos. As manifestações feitas não surtiram qualquer efeito e deveriam ter continuado com uma greve geral..
      Abraços,
      Marcos Pinto Basto

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  3. Paula Says:

    Somos um País rico temos é demasiados ladrãos.Sem mudança politica(o povo com mais intervenção e mais poder) não vamos a lado nenhum.

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  4. Marcos Pinto Basto Says:

    Uma revolução sem cravos, mas com muitas prisões porque Portugal está atravessando esta violenta crise econômica devido a sucessivos e muito grandes crimes financeiros cometidos por muitos figurões bem relacionados com os governos e até fazendo parte deles. Se Sócrates foi um, Passos Coelho não lhe fica atrás e Cavaco Silva demonstra ainda que não tem arcaboiço para figurar no governo.

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  5. José da Cunha Says:

    Só uma revolução (desta vez sem cravos) pode mudar algo neste percurso de total descalabro em que a maior parte dos países europeus se encontram, quer a nível ecónomico, social e político.
    Continuo afirmando que a procissão ainda vai no adro…
    Sem trabalho àrduo , criando riqueza não vão a lado nenhum!
    Estes políticos europeus estão muito ignorantes em relação a esta nova global economia e suas regras.
    Acabou-se o almoço grátis. Alguém tem de pagar para tantos benefícios que os europeus alcançaram, o socialismo e o liberalismo europeu está esgotado!

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