ALERTA: “Se os cipriotas aguentam, por que é que nós não?”

Não há nada que aconteça de mal aos outros, que não nos bata à porta. Os governos portugueses têm por tendência serem optimistas e afirmarem antecipadamente que o mal que acontece com os outros não irá acontecer a nós. Infelizmente, ainda que uns passos atrasados, acabamos por seguir as pegadas do percurso errado dos outros.

Recordo-me em Setembro de 2008, Quando a crise rebentou nos EUA e na Europa, o nosso então primeiro-ministro, José Sócrates, afirmar num debate da Assembleia da República, que Portugal estava preparado para não ser afectado pela crise, porque o governo tinha preparado o país para passar ao lado sem problemas. Em menos de 1 mês a situação tornou-se caótica em Portugal.

Desde 2008 o país tem continuado economicamente em queda livre, seguindo todas as dificuldades e agravantes da Grécia, ainda que os governos, afirmem sempre com ar de quem sabe o que faz e o que diz, de que Portugal não é a Grécia. Podemos estar atrasados na tragédia em relação Grécia, mas todos os indicadores económicos indicam que caminhamos para o mesmo abismo. Isto, contrariamente ao optimismo de Passos Coelho que no final do Verão de 2012, ainda de férias no Algarve,   afirmou que o fim da crise era em 2013; meses depois mudou o fim da crise para 2014 e finalmente, Victor Gaspar anunciou esta semana para final de 2015. Na realidade, não têm noção do país que supostamente foram nomeados, não eleitos, para governar.

O governo português, é pobre em competência e em criatividade. Mesmo para qualquer tipo de iniciativa dentro da constituição nacional, ainda que não faça parte do acordo  com a TROIKA,  são incapazes de tomar iniciativas e decidir sem o parecer de entidades internacionais, o que reduz a nossa soberania quase a nada. Certamente que os juros que pagamos, são suficientes para usar as instituições de apoio internacional como consultores profissionais. No entanto, pedir opinião aos grupos internacionais de apoio ao país, é como pedir ajuda a quem é tão incompetente como aqueles que pedem, ou pedir ajuda  ao diabo. Os métodos de apoio empregues pelo FMI e todas as instituições europeias, têm causado não só danos económicos e sociais nos países em crise, como com tendência a alastrar aos restantes países europeus. Na realidade, o segredo é a alma do negócio e os métodos de apoio empregues, ainda que agravem mais a situação económica dos países, o objectivo para essas instituições não é curar o que está errado na economia, mas produzir lucros na ordem de milhares de milhões anuais para o FMI e as instituições europeias de apoio. Existe algum risco de prejuízo para estas instituições? De modo algum. Têm como colateral o poder sobre a soberania de todo o território e património dos país a quem providenciam financiamento, não contando com os plebeus dos países de que se apoderam para trabalhar o resto da vida com o mínimo essencial para sobrevivência.

Não obstante a falta de competência e iniciativa por parte dos governantes portugueses, têm demonstrado ao longo do tempo, obediência sagrada a qualquer instituição internacional e uma habilidade incontestável de copiarem tudo que de ruim possa vir afectar o povo. desde que fiquem bem na foto internacional.

Usando a célebre frase de Fernando Ulrich, ” Se os sem abrigo aguentam, por que é que nós não?“, os nossos governantes empregarão essa mesma frase com uma simples alteração: “Se os cipriotas aguentam, por que é que nós não?“. Podem duvidar e pensar que estou a exagerar a possibilidade das probabilidades de vir a acontecer. Mas, com os anos que tenho, as experiências vividas e tudo o que tenho visto dos governos em Portugal, ainda que não tenha visto tudo, acreditem que há possibilidades e uma percentagem enorme de probabilidade de vir a acontecer.

Se dentro de dias o governo português compreender que apesar de todas as manifestações e protestos dos cipriotas, que o governo de Chipre conseguiu uma verba de impostos de centenas de milhares de milhões de euros, o nosso governo, que ignora totalmente as manifestações e protestos e não governa pela opinião pública, acabará por criar esse imposto. Em poucas semanas conseguiriam talvez mais de 4 mil milhões de euros. Mesmo assim, não evitariam os cortes sociais dos 4 mil milhões de euros, já determinados em por em efeito. 

Qualquer pessoa com um nível de inteligência média, mesmo sem credenciais de economista ou gestor, compreende que na eventualidade de tal poder vir acontecer, será a ruína total do país. Independente de Vitor Gaspar ou o mais acreditado político (se é que existe), comentador ou individualidade internacional que possa comentar de que se trata de mais um sacrifício para garantia de continuarmos no caminho certo para a recuperação do país, acreditem que essa pessoa está a mentir com todos os dentes que ainda possa ter.

ALERTE AMIGOS E FAMILIARES – DIVULGUE

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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8 comentários em “ALERTA: “Se os cipriotas aguentam, por que é que nós não?””

  1. Jose Cunha Says:

    Nos dias de hoje as guerras ja’ nao sao so’ com homens, canhoes, tanques, barcos, etc. Atualmente vivemos uma guerra financeira total, este planeta foi transformado num casino com uma roleta gigante, aonde se jogam nacoes e sociedades. Existem entidades financeiras sentadas numa montanha de dinheiro, literalmente falando, aonde apostam contra paises inteiros e estao ganhando porque a Europa com a emissao do Euro, fazendo esta moeda tao forte, despertou a cobica de muitos grupos financeiros. Li a’ dias no New York Tmes que 30% do Euro que foi emitido ja’ se encontra fora da Europa. Agora pergunto eu: quem sao os beligerantes nesta guerra mundial financeira? Quem e’ o dono do casino com esta gigante roleta? Por isso existem homens que estao sentados numa montanha de dinheiro! As maquinas nao param de emitir moeda a nivel mundial!
    A sociedade esta passando um momento profundo de transformacao de lasses e o capitalismo esta em total forca movendo-se num globalismo acercebado, esta classe politica nao aprendeu ainda a lidar com esta transformacao financeira e estes grpos de capitais estao se aproveitando da ignorancia dos politicos em toda a Europa. Necessitamos lideres nos diversos paises que saibam defendesr-se deste grandes grupos capitais, para podermos negociar em diferentes termos, senao o povo vai acabar por sofre muito e sta nova geracao ainda mais, por foram muito mimados e pensam q e’ tudo gente boa, mas existem interesses enormes em explorar nao so’ mao de obra como recursos naturais de cada pais. Estamos atravessando uma guerra total no sector financeiro mundial, volto a afirmar.

    God Bless all

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  2. Jose Cunha Says:

    Europa e o Feudalismo…
    Vai recuar 600 anos esta velha e desunida Europa. Uns teem tudo e outros nao teem nada!
    o Euro foi o principio do fim e estes governantes liberais ajudaram a destruir uma sociedade que tantas regalias adequiriram. Continuam ao pontape’ a’ “lata” pela estrada fora…
    Ainda a procissao vai no adro.
    God Bless all..

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  3. alvegasat Says:

    Bem hajam, todos, preocupado já estava eu pois lembro o que se passou na Argentina uns anos atrás e a forma como foi feito.
    Uma pergunta vou deixar e não é retorica, gostava mesmo de saber como votou o “nosso” Vítor Gaspar na reunião do Euro grupo que aprovou o confisco dos Cipriotas?
    Talvez e reitero talvez, eu fica-se um pouco mais sossegado.

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  4. João Says:

    É preciso inserir essa medida num contexto de luta geo-política e perceber-se que o Chipre era um paraíso fiscal usado pelos russos para lavarem dinheiro que depois voltava limpinho á Rússia e o principal problema com o Chipre é bancário tal como na Irlanda ao contrário de uma crise da dívida como em Portugal. A EU e FMI podem ter um acesso previligiado aos montantes que os bancos do Chipre tinham que nós não temos para nos pronunciarmos apesar de por princípio ser contra a medida por causar nervosismo aos outros depositantes dos países do sul e ser uma inversão de valores de atacar as poupanças em vez dos créditos fáceis que nos trouxe até aqui, mas no essêncial creio ser uma tempestade num copo de água para os restantes países porque jamais isso poderia ser implementado por exemplo numa Espanha sem ums forte rebelião. A medida insere-se numa luta de geo-política com a Rússia porque é sabido que os russos têm um Estado mafioso com os olhos postos na Grécia e nas jazidas de gás natural que vão de Israel até ao Chipre e a EU a meu ver quis mandar uma mensagem ao Chipre de que para ficar no seio da EU teria de ser credível, embora a medida tenho sido algo arriscada como os mercados logo o demonstraram mas quanto à medida ser aplicada aqui ou em outro lado qualquer é mera especulação e rumor que tanto jeito dá por vezes ás esquerdas amantes do caos para se atingir o poder. O texto dizer que obtinham 4 mil milhões sob os depósitos já é alucinação mas dizer-se que além disso ainda os cortes dos 4 mil milhões iriam para a frente é cegueira completa que só se pode inserir na tal raiva a espumar da boca contra o sistema bancário (que em termos nacionais não teve culpas nenhumas na crise), iniciativa e propriedades privadas e o capitalismo como se a falta de regulação bancária na América, Islândia ou Irlanda e Portugal não tivessem sido os culpados da crise, dado que o capitalismo reformula-se e passa de capitalismo 2.0 a rápidamente capitalismo 3.0 porque nenhum sistema foi até hoje melhor inventado. O nosso problema é e sempre foi estrutural e de maus políticos e povo analfabeto e culpar os outros é sempre muito fácil quando as responsabilidades são cá de dentro e a nossa crise teria sempre de acontecer mais tarde ou mais cedo. Se Merkel e Lagarde quisessem aplicar essa taxa á Grécia já o poderiam ter feito e não o fizeram porque neste caso o que falou mais alto foi a geo-política que é preciso perceber!

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    • Fábio Says:

      Sr. João, depois de ter lido atentamente o seu texto, fiquei um pouco confuso! Não sei se é exagero da parte dos amantes do caos ou se a sua preocupação é proteger o sistema bancário! Pois tenho a dizer-lhe que quando a situação começar a ficar feia para nós portugueses (brevemente), voçê será o primeiro a levantar o seu dinheirinho!! Gostei particularmente da parte de sermos um povo analfabeto! Não é necessário saber muito de geo-política para perceber que não iam aplicar essa taxa na Grécia como é obvio, pois já sabiam quais as consequências! A UE e FMI não fazem nada ao acaso meus amigos, isso é que é importante perceber, o Chipre vai ser a cobaia para a propagação do cancro… e com este governo não tenho dúvidas que seremos os primeiros a atingir a fase terminal… É com alguma tristeza que digo isto mas sinceramente é o que nos espera.

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  5. Jose Cunha Says:

    Ainda a procissao vai no adro…

    Jesus brevemente voltara’!!!

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  6. korgmann Says:

    Isto é assustador, criminoso e cruel.

    Estes resgates em vez de serem fundeados em solidariedade impõem punição numa dose de tal modo obscena e imprevisível que milhões de pessoas duvidam agora da moeda única.

    Muitos dirão que o Chipre é um protectorado da Rússia e uma zona-franca, nesse caso não deveriam ter entrado na UE e pouquíssimo tempo depois no Euro. Mas foram aceites, são membros de pleno direito e com igualdade: somos então consortes do mesmo projecto. Se existem europeus de segunda e de primeira que seja dito, e que cada país, cada cidadão decida em consciência o seu destino, não podemos ser irmãos na bonança e bastardos na miséria.

    A moeda única, se persistirmos nesta ideologia económica obstinada, poderá vir a custar-nos a coesão Europeia. O empobrecimento maciço e generalizado poderá conduzir milhões de pessoas ao ponto de ruptura, de nada ter a perder, e assim clamar as suas moedas primitivas pela via da falência, seguindo-se a isso uma cisão social de proporções e resultados que temo imaginar.

    Esta medida em concreto, o confisco de depósitos, costuma ser solução de estados em bancarrota, é uma medida de recurso adoptada em situações extremas de aflição económica, é um elemento catedrático usado na repulsa de rebeliões ou conflitos entre nações. Quando um resgate (mais pequeno que o nosso mas proporcional estatisticamente) que impõe um percentual de 58% do seu total baseado no imposto sobre depósitos deve levar à reflexão de todos nós, considere cada um que este crime se assola sobre a sua pessoa.

    Temos que agir rapidamente, informando, debatendo, discutindo.

    Melhores Cumprimentos,

    M. Carvalho

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    • opaisquetemos Says:

      Caro M. Carvalho,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Temos a mesma visão dos acontecimentos e o risco que representam para a nossa estabilidade económica e social. A minha opinião, é que o caos, não apenas no âmbito nacional mas por toda a Europa, se está a alastrar com maior rapidez do que o que poderia ser esperado. Os líderes europeus não têm visão a longo termo e as soluções para aliviar a curto prazo, são piores os remédios que a cura.

      Mas conforme referiu, compete a cada um de nós alertar, divulgar, e debater todos os acontecimentos e apresentar ptopostas para discussão. Através dos meus artigos tenho apresentado propostas e recebido também de muitos leitores. Seria interessante poder organizar uma convenção entre diversos blogs e cidadãos interessados em participar activamente para unificar ideias e propostas.

      Deixo aqui ao seu critério toda a sugestão e participação que esteja disponível.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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