A VARINHA DE CONDÃO DE VITOR GASPAR VOLTOU A FALHAR AS PREVISÕES

Infelizmente, para mal dos portugueses, Opaísquetemos estava correcto nas suas previsões para 2013, em relação aos números da varinha de condão do Ministro das Finanças, Vitor Gaspar.

Num artigo, que publiquei a 6 de Dezembro passado, intitulado: “PORTUGUESES, UM POVO A CAMINHO DA MISÉRIA”, alertei que no final do 1.º trimestre de 2013, as medidas levadas a cabo pelo governo, as quais de modo algum alcançariam os objectivos desejados, iriam mais além a ferro e fogo. Mencionei que para além do insustentável OE para 2013, do qual ainda nada foi dito pelo TC, seriam implantados os cortes de 4 mil milhões.

Analisando com mais pormenor as previsões do génio Vitor Gaspar, num artigo que publiquei a 14 de Novembro passado, intitulado: “COMO SEMPRE, DAS PREVISÕES OPTIMISTAS À REALIDADE NEGRA”, quando o governo previa um défice de 5% para 2012, eu mencionei que o défice ficaria acima dos 6%.

Nesse mesmo artigo, em relação às previsões do aumento do desemprego, mais uma vez o incontestável Vitor Gaspar, apresentou uma previsão demasiado optimista de 16,4% para 2013, quando eu fiz a previsão de 19%. Esta semana, mais uma vez o Ministro das finanças alterou a previsão para os 18,4%, aproximando-se cada vez mais dos meus números. Mas na realidade, pelo andar da carruagem, acredito mesmo que podemos ultrapassar a barreira dos 20%. Quando fiz a previsão dos 19% acreditava em alguns números vindos à luz do dia pelo governo. Mas hoje, tenho muitas dúvidas em qualquer mapa em Excel apresentado por Vitor Gaspar.

Ainda em Novembro, publiquei um artigo intitulado: “ESTE GOVERNO CONTÍNUA A CONDUZIR EM CONTRA MÃO”, onde alertei mais uma vez para o caos económico no final do 1.º trimestre de 2013, e os planos mais invasivos pela equipa do Dr. Vitor Gaspar e Dr. Passos. Nesse mesmo artigo apresentei uma sondagem sobre a previsão do défice para 2012, cujos resultados seguem:

Segundo a DGO, o governo pode acumular nos últimos meses do ano, um défice de apenas 855 milhões de euros para ficar no défice acordado com a troika. Acredita que:

  •  A meta do défice será cumprida.  2.17%  (1 votes) 
  •  O défice fica nos 6%.  8.7%  (4 votes) 
  •  Acima dos 6% . 89.13%  (41 votes) 

Os dados reportados ontem sobre o défice para 2012 de 6,6%, vêm a provar que as previsões do governo estão sempre demasiado optimistas. Esta actuação constante do governo sobre as previsões, pode levar a uma de duas conclusões. Uma delas é de que querem iludir os portugueses com previsões de sucesso das medidas tomadas, ainda que saibam que não correspondem à realidade. A outra conclusão, é de total incompetência de análise e gestão governamental.

Este governo está com dificuldade tremenda em governar. Talvez por dificuldade não só no respeitante a conhecimentos de economia, como também em entender português.

Ao longo de mais de um ano, tem existido por parte dos portugueses, um pedido para um período de extensão do acordo com a troika, para aliviar a carga de impostos e cortes sociais.  Finalmente, este governo tomou a decisão de pedir uma extensão do prazo, que acabou por ser concedida. Infelizmente, independente da concessão de mais tempo, o governo mantém a carga fiscal e aumenta drasticamente os cortes sociais. A tomada de decisão do governo veio agravar mais a situação económica e social do país. QUE SERÁ MAIS NECESSÁRIO PARA A EXPLOSÃO DE UMA REVOLUÇÃO SOCIAL, INFELIZMENTE, DE CONSEQUÊNCIAS POSSIVELMENTE DRÁSTICAS?

Mas meu povo, trocar este governo por outro idêntico, qual a diferença? Não acredito nos possíveis candidatos a governantes. Muitos, como José Seguro, já falharam muito antes de serem governantes. Onde estava José Seguro quando das atrocidades governamentais cometidas por José Sócrates? Se queria lutar pelos portugueses, porque não se pronunciou nessa época? Preferiu ser fiel e respeitar o mandato de José Sócrates, seu comparsa de partido, do que levantar a voz e os braços em nome dos portugueses. Quando olho para uma foto de José Seguro, vejo a cara de um menino privilegiado do tipo café com leite, que nunca fez nada na vida para ganhar o pão de cada dia. Apenas um oportunista como o seu amigo de adolescência Passos Coelho.

Para mim, toda esta escumalha de Sócrates – Coelho – Seguro, têm um código de honra para haver respeito entre candidatos: “Depois de mim, porque não tu”. Foi esse código de honra entre possíveis candidatos ao governo que estancou o arranque de António Costa à liderança do PS.

Não acredito na eleição de um novo governo, eleito da mesma forma como este e os anteriores. Mudamos as faces dos protagonistas, mas nada mudará para melhor na vida dos portugueses. Com mais uma falha de escolha de um governo, diminuem as perspectivas para o futuro dos jovens.

Se hoje houvessem eleições, não votaria em nenhum dos prováveis candidatos e muito menos em listas de deputados fabricadas pelos partidos. Os portugueses deveriam na sua totalidade fazer greve às eleições, até que o sistema político eleitoral fosse mudado constitucionalmente, de modo a garantir mais liberdade eleitoral de escolha e decisão aos cidadãos e menos privilégios aos partidos. O actual sistema político é um sistema orquestrado para protecção dos partidos políticos.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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5 comentários em “A VARINHA DE CONDÃO DE VITOR GASPAR VOLTOU A FALHAR AS PREVISÕES”

  1. korgmann Says:

    Em primeiro lugar deixe-me salientar a objectividade e assertividade dos seus textos. Quanto à varinha de condão é “ferramenta” de mágicos, neste caso parece estarmos perante um ilusionista que nós está a proporcionar um espectáculo de terror.

    As previsões são um hábito económico sobretudo europeu, a dada altura produziam um efeito quer no mercado quer na política. Honestamente as previsões de Gaspar são inócuas nos capítulos que salientei mas têm sido pertinentes a retirar a credibilidade a Gaspar, e fazem-no justamente, o optimismo matemático do ministro começa a roçar a impreparação.

    Quanto a indicadores que nos são apresentados (INE, BdP, Eurostat) e analisados à luz de diversos pensadores económicos é e evidente que estamos em depressão económica, verificam-se um conjunto de premissas que conduzem o país para um futuro muito sombrio. Apesar de estarmos mergulhados na pior crise financeira, (adiante explicarei porque) da nossa história continuamos com uma sensação de conforto que nos dá algum alento, não se isto é uma formatação induzida ou se realmente somos ainda uma cultura mais nobre do que publicitam os nossos políticos e estamos a evitar a todo custo uma convulsão social.

    A nossa crise, a pior de sempre?
    Sem dúvida. Em 100 anos Portugal faliu tecnicamente 3 vezes, um feito assinável que mais nenhum país da Europa conseguiu alcançar, mas as pessoas dirão: “então se isso aconteceu e conseguimos recuperar agora também o faremos”. Sim, nessas crises a nossa “cura” passou por um conjunto de soluções que hoje não dispomos.
    A primeira foi a moeda própria, que ainda com o custo de uma inflação galopante propícia as exportações com recurso à deflação monetária, em virtude disto o mercado cambial também acaba por se revelar gerador de um diferencial entre economias. Hoje isto não é possível, uma parte (Sul) da zona euro necessitava de uma moeda “barata” mas os países do Norte não abrem mão de uma moeda forte, primeiro porque possuem um superavit consistente e depois porque uma moeda forte actua como guarda-chuva sob o preço do petróleo no cambio do par dólar/euro, a persistência nesta política monetária está a conduzir a uma Europa de contrastes colossais: nisto parece-me existir dolo na criação de clivagens nas diferentes economias.
    A segunda “ferramenta” era o próprio modelo económico, uma ideologia de raiz proteccionista muito comum por exemplo no início do século passado, este modelo permitia controlar a balança comercial de forma autoritária ao mesmo tempo que mercado interno era rigorosamente regrado através de fixação de preços, se isso resultou à 100 anos atrás hoje é inconcebível uma acção destas, subestimamos os efeitos nocivos da globalização, e estamos assim reféns de exportações que na conjuntura de um sector primário depauperado vão tardar em descolar.
    A terceira solução foi quanto a mim mais importante e duradoura: a geopolítica. Na primeira falência e em virtude da independência da independência do Brasil o país orientou o seu foco para as suas colónias em África e para os seus valiosos recursos naturais. Nos anos 80, na segunda falência, já sem os recursos africanos, chegamos à Europa, a CEE abriu portas a fundos comunitários, a uma riqueza aparente que derivou na moeda única.
    Hoje em 2013 estamos “asfixiados” sem ferramentas, estamos à mercê de uma ideologia cega e experimental e numa espiral de mendicidade que, sem fim à vista, poderá resultar numa convulsão social. Aquilo que Europa está a criar é uma recriação da depressão americana de 1929 onde com armazéns repletos de comida a apodrecer as pessoas morriam à fome.

    Não quero ser alarmista, mas creio que o Ministro das Finanças em vez de estar largos minutos no parlamento a aludir-nos sobre a história naval portuguesa deveria informar as pessoas da realidade. A democracia é informação, manter as pessoas na ignorância é próprio de tiranias: políticas ou económicas.

    Peço desculpa por ter sido tão extenso.

    Cumprimentos,

    M, Carvalho

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    • opaisquetemos Says:

      Caro M. Carvalho,

      Os meus agradecimentos por ter apresentado a sua visão da situação actual e por toda a informação oferecida no seu comentário, a qual contribui para o enriquecimento de conhecimento dos leitores.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  2. serolmar Says:

    Agradeço este pequeno momento de reflexão. Já não voto desde há muito tempo por me ter fartado do brinca-brinca que é a política desses bacanos. Este texto fez-me voltar a rever o valor moral desta atitude. Tem-se tratado da mais acertada opção no que concerne à forma de mostrar descrença em qualquer candidato que se apresente.

    Veja-se a lei de financiamento dos partidos políticos, artigo 5º, 2ª alínea:

    http://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/Legislacao_Anotada/FinanciamentoPartidosPoliticosCampanhasEleitorais_Anotado.pdf

    Esta minha predisposição tem poupado em média ao estado, por ano, 419/135=3,1 euros em subvenções para essa ralé.

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  3. Marcos Pinto Basto Says:

    Não adianta cantar “Grândola, vila morena” a esses membros dum desgoverno que parecem mais perdidos a cada dia de maiores sacrifícios do Povo português, fazendo suspeitar que estão seguindo à risca demolidoras teorias de “grandes sábios” para crises econômicas mundiais como Milton Friedman e seus Chicago’s Boys. Ainda não atingiram a meta final que é deixar o Povo tão necessitado de tudo, tão esfomeado que aceitará trabalhar a troco de escassas migalhas varridas da mesa das lautas refeições dos deputados da Assembléia Nacional, outro rebanho de espertinhos meninos que não descobriram quais são suas obrigações, mas não se esquecem de receber mensalmente seus bons ordenados e muitas mordomias, um verdadeiro acinte ao Povo já tão sofrido!
    Resta ao Povo uma única solução, parar duma vez tudo que ainda se movimenta na Nação, destituindo todos os indivíduos que se acomodam como governantes, formar um governo de salvação nacional cuja primeira missão será colocar todos os responsáveis por tamanha crise nas barras dum tribunal, fazendo-os pagar por tamanha desgraça que abateu a Pátria Lusitana e em consenso geral, arrumar a casa sem expulsar seus moradores dum teto protetor e muito menos tirar-lhes o mísero prato de comida que ainda tinham.
    Dói muito ver o que Portugal está passando e ainda mais com a ingerência dos agiotas internacionais chamados por aqueles que deveriam ter a obrigação de resolver nossos problemas, mas são eles mesmos os causadores de maiores dificuldades atuais. Está faltando brio patriótico ao Povo português e pergunto: Aonde estão os briosos heróis do 25 de Abril de 1974 que estão deixando meia dúzia de incompetentes enlamearem seus esforços e derrotarem as esperanças de milhões de portugueses?

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