­­­TAL COMO UM FILME DE TERROR OU SUSPENSE, AS NOTÍCIAS DE PORTUGAL NÃO SÃO PARA O CORAÇÃO DE QUALQUER UM

24 de Fevereiro de 2013

Economia, O PAÍS QUE TEMOS

Detesto o acordar numa manhã cinzenta, chuvosa, fria e húmida. Tempo de gripes e o factor idade, nesses dias faz também sentir mais algumas dores. Mas mesmo os mais jovens, particularmente aqueles que já tenham partido ou fracturado ossos, sentem desconforto. Mas, para além das condições ambientais dessas manhãs, como nos últimos dias, nada pior para a saúde nas primeiras horas do dia, do que ler ou ouvir notícias, tais como:

– Economia portuguesa vai contrair 1,9% este ano – Comissão Europeia piorou hoje a sua previsão para a economia portuguesa para 2013, esperando uma contracção do PIB de 1,9%.

– A Comissão Europeia reviu hoje em alta a estimativa para o desemprego em Portugal, que deve crescer para 17,3% este ano. Bruxelas prevê que o desemprego português continue a aumentar, acompanhando assim o declínio da actividade económica.

– Gastos com desemprego disparam 33,2% e receita de IVA cai 4%. – A execução do OE de Janeiro está a ser penalizada pela degradação da conjuntura económica que se acentuou no final do ano passado. As despesas com subsídio de desemprego cresceram 33% em Janeiro face ao mês homólogo e as receitas de IVA recuaram 4%.

– O Governo admite apresentar Orçamento Rectificativo para aplicar os cortes na despesa, de 800 milhões de euros. O secretário de Estado das Finanças admitiu hoje que o Governo tenha de apresentar um Orçamento Rectificativo para aplicar os cortes na despesa, de 800 milhões de euros, que servirão para controlar a execução deste ano.

– Despesa do Estado aumenta 11,2% em Janeiro. – A despesa consolidada da administração central registou um crescimento de 11,2% em janeiro deste ano, face ao período homólogo de 2012.

Tal como um filme de terror ou suspense, este tipo de notícias não são para o coração de qualquer um. De facto, conforme muitos dos meus artigos anteriores, nunca acreditei nas directrizes governamentais seguidas pelo governo, tendo afirmado que no final do 1.º trimestre deste ano (1), a calamidade das medidas orçamentais afectariam seriamente o estado económico, político e social do país. Todas as previsões previstas pelo governo, particularmente por Vitor Gaspar, pois que o primeiro-ministro, Passos Coelho, não tem qualquer conhecimento ou experiência no passado, foram sempre no sentido de criar optimismo e produzir falsas esperanças, do que apresentar a realidade. Muitos videntes, estariam mais perto dos valores reais esperados do que o Ministro das finanças.

Intervalado entre as más notícias, surgem algumas anunciadas pelos governantes, que no pensamento dos mesmos, acreditam que são notícias de grandes iniciativas e com sucesso garantido. Mas, muitas das iniciativas e projectos, para além de bem intencionalidades na inocência e/ou inexperiência dos nossos governantes, não têm qualquer impacto para a produtividade ou crescimento económico.

Analisemos por exemplo, esta notícia na íntegra, vinda a público nos meios da comunicação social:

“A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, assegurou ao Expresso que já houve contactos com os embaixadores da China e do Qatar, no sentido de promover Alqueva como destino de investimento em agricultura. O Japão também está na lista de interessados. Entretanto avançam a bom ritmo investimentos britânicos (na cultura da papoila para produção de morfina para a indústria farmacêutica) e espanhóis (com produção de cebola para a McDonalds).”

Ridículo e pura e simplesmente vergonhoso. Um país que pretende lançar a agricultura, como forma de criação de postos de trabalho e desenvolvimento económico, para reconquistar autonomia de sobrevivência, entrega o investimento agrícola a países estrangeiros? Será que os portugueses não possuem capacidade de desenvolver sistemas agrícolas para cultivar papoila,  cebola e tudo o mais que a terra pode oferecer? Será isto investir e desenvolver a agricultura, ou vender o melhor do país às parcelas? Quantos milhares de portugueses desempregados não poderiam usufruir dessas terras para produzir e desenvolver a economia nacional sem dar a maior parte dos lucros a entidades estrangeiras? Porquê o Estado ou os empresários nacionais não investem directamente em produção e desenvolvimento económico nacional, em lugar de oferecermos a oportunidade a estrangeiros? Será com este tipo de políticas económicas que Portugal continuará a ser um país soberano? Que tipo de gestão macroeconómica é este?

Este tipo de medidas económicas, são desastrosas para o país. Dia após dia o país tem cada vez menos capacidade de sair da crise económica pelos seus próprios meios, perdendo cada vez mais a autonomia de sobrevivência, quando precisamos dos ingleses para produzir papoila e dos espanhóis para produzir cebola.

Acredito sinceramente na ministra Assunção Cristas, como uma pessoa excepcionalmente honesta, trabalhadora dedicada e cheia de boas intenções. Mas de boas intenções, o inferno está cheio.

Com este tipo de políticas, não vamos lá.

 

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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3 comentários em “­­­TAL COMO UM FILME DE TERROR OU SUSPENSE, AS NOTÍCIAS DE PORTUGAL NÃO SÃO PARA O CORAÇÃO DE QUALQUER UM”

  1. Jose da Cunha Says:

    A Europa vai para o buraco, com o Vaticano incluido…
    Jesus brevemente voltara’!
    God bless all

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    Responder

  2. serolmar Says:

    Lembra-me uma música dos Xutos lançada em 1993 (adivinha lá quem estava no poleiro nessa altura):

    Estupidez

    Estupidez gananciosa
    Leva-me o país prá cova
    Estupidez gananciosa
    Leva-me o país prá cova
    Gestores, tangas, aldrabões
    Já só falam de milhões
    Mesmo que o resto fique a olhar
    Sem ter um sítio seu para morar
    Qualquer dia é tudo francês
    Ou alemão
    Mas não português
    E depois
    E depois, morreram as vacas
    Ficaram os bois
    Foram-se os dedos
    Ficaram os anéis
    E o resto
    Anda tudo aos papéis
    E é por isso
    Que a meu ver
    Está tudo mal, está tudo mal
    Nesta Europa de Portugal
    Qualquer dia é tudo francês
    Ou alemão
    Mas não português
    Falta pedir ao rei espanhol
    Licença para ir apanhar Sol
    Uns à volta do tractor
    Outros ó sr. doutor
    Quem me tira desta aflição
    Agarra-me aqui com a mão
    Eu até era um homem honesto
    Nunca fiz nada funesto
    Pedi à Europa para me apoiar
    E agora a minha sina é roubar
    1º Ministro
    1ª Dama
    E tu, queres ir prá cama
    Anda tudo a ver se mama
    Nesta união da tanga
    Qualquer dia é tudo inglês
    Ou italiano
    Mas não português
    E depois
    E depois, morreram as vacas
    Ficaram os bois
    Foram-se os dedos
    Ficaram os anéis
    E o resto anda tudo aos papeis
    E é por isso que a meu ver
    Está tudo mal, tudo mal
    Nesta Europa de Portugal
    Qualquer dia é tudo francês
    Ou alemão
    Mas não português
    Falta pedir ao rei espanhol
    Licença para ir apanhar Sol
    Antes quero ser um Velho do Restelo
    Que um fascista sem cabelo
    Antes quer ser um Velho do Restelo
    Que um fascista sem cabelo

    Gostar

    Responder

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