A SAÚDE PÚBLICA AGRAVA-SE – IMPACTO DOS CORTES

21 de Fevereiro de 2013

O PAÍS QUE TEMOS, Saúde

De acordo com notícias na SIC (19.02.2013),  mais de 3.700 doentes internados em hospitais foram infectados com bactérias entre 2010 e 2011. 

Num artigo neste site  publicado a 9 de Dezembro passado, intitulado: “OS RISCOS DE INFECÇÕES HOSPITALARES EM TEMPOS DE CRISE” , alertei para o impacto da crise no respeitante às condições hospitalares e os riscos que representam para a saúde pública.

A continuidade de cortes no sector da saúde pública e a falta de fiscalização  do Estado pelas condições ambientais em instalações hospitalares, irão agravar muito mais a saúde de muitos doentes internados, como também de todo o pessoal hospitalar.

A saúde pública está numa situação de desprezo total pelos governantes do país. Todos os indicadores nas notícias, como a notícia vinda a público hoje com o título: “Hospital de Braga sem medicamentos para doentes com cancro“, demonstram um desinteresse total do governo em relação aos cuidados hospitalares.

Certamente, que cada caso fatal que ocorra, particularmente nos idosos e mais debilitados de saúde, torna-se uma demais valia para a regularização do défice do Estado. Mas demonstra cada vez mais do sistema político instalado, uma falta de respeito e dignidade pelo ser humano.

 

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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3 comentários em “A SAÚDE PÚBLICA AGRAVA-SE – IMPACTO DOS CORTES”

  1. RV Says:

    Gostaria de pegar no título do post “mais de 3.700 doentes internados em hospitais foram infectados com bactérias entre 2010 e 2011”, para quem não tem esse conhecimento, deixar a informação do estado a que chegou a questão em alguns hospitais, e o estado a que chegou Portugal.

    A questão da infecção hospitalar era normalmente controlada com mais assertividade, sem prejuízo de todos os responsáveis de saúde colaborarem, por três principais serviços: Aprovisionamentos; Comissão de Controlo de Infecção Hospitalar e Serviço de Instalações e Equipamentos.

    Relativamente aos aprovisionamentos as instruções são adjudicar à empresa de limpeza que faça mais barato, sendo muitas ou demasiadas vezes as condições de limpeza propostas pouco eficientes para as actividades produzidas, o único critério ou mais relevante é o preço.

    Comissão de Controlo de Infecção Hospitalar, este serviço tinha normalmente afectos em permanência 3 a 4 pessoas, entre médicos e enfermeiros, além dos representantes dos serviços, sendo que neste momento os serviços estão reduzidos a 1 ou 2 pessoas sem capacidade de controlar todo o trabalho necessário, e com intervenção reduzida;

    Serviço de Instalações e Equipamentos, também reduzido no seu pessoal além de que em alguns hospitais foram colocadas pessoas à frente destes serviços sem formação em engenharia o que é imprescindível, tendo as substituições sido realizadas por técnicos superiores, advogados, técnicos de gestão, economistas, etc.

    Assim é fácil concluir que ir a uma instituição hospitalar hoje em dia é apenas um totoloto, onde não se ganha nada, mas apenas se aposta a nossa saúde/vida.

    Deixando os partidarismos de lado, o facto é que isto nunca esteve tão mal, e chegamos ao ponto em que é a nossa saúde/vida que é posta em causa por supostas causas maiores (pagamento da divida externa), pelo que, vale a pena??? Pagamos mas alguns de nós tem que morrer??

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Vieira,

      Obrigado pelo seu comentário com o qual estou plenamente de acordo.

      Em 2007, publiquei um livro intitulado: A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”, onde abordei os assuntos que aqui mencionou. Tenho também ao longo dos anos publicado artigos no meu site e em algumas entrevistas para jornais.

      Tenho conhecimento e experiência sobre todo o assunto que apresentou no seu comentário. Infelizmente, as decisões não são tomadas por quem delas possui experiência, mas sim com base em valores monetários e por indivíduos que não têm conhecimento na matéria.

      Nos últimos anos, com o agravamento da crise que veio para ficar por tempo indefinido, a situação tem tendência a agravar. No futuro, o que está a acontecer nos hospitais públicos, acontecerá também nos hospitais privados, o que já se começou a verificar, pois a classe média está em decadência e os pobres não têm capacidade para ter acesso a serviços privados.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  2. Micael Says:

    Pois é… só para dar mais um exemplo. Aqui em Aveiro no centro de saúde, não existem médicos (só mesmo para quem já tenha médico de família). Eu que queria mudar o meu médico de família para cá não o vou fazer (e recusar a carta que querem enviar sobre este mesmo assunto). Mais vale ter um longe do que não ter nenhum, até porque alguns exames só são executados se forem prescritos pelo médico de família.
    Solução… mais um para as urgências com fita verde, a mim também não me agrada, mas não existem mais soluções!

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