ASSIM NÃO VAMOS LÁ

19 de Fevereiro de 2013

Economia, O PAÍS QUE TEMOS, Política Nacional

A gestora de fundos BlueBay acredita que Portugal pode avançar para uma emissão de dívida a 10 anos “até ao final do mês”. Segundo o governo o regresso aos mercados financeiros para emissão de dívida a longo termo representa sucesso das medidas governamentais.  

 A Minha opinião  – Regresso aos mercados financeiros è uma forma de sobrevivência dia após dia. Não se trata de um modo de viver, depender de contrair dívida constante. Só dá continuidade a uma dívida que vai crescendo á medida que vai rolando, sem nunca um fim à vista.  Dívida a longo termo é de facto um alívio para o actual governo, porque são os governos que sucederem que terão de cumprir com os vencimentos e as jovens gerações que terão de pagar. A questão é como será possível para os jovens, que passam do momento presente ao futuro, sem qualquer futuro.

 Vítor Gaspar disse no Parlamento  que a banca nacional “Na ausência de intervenção [estatal]  levaria a uma redução muito acentuada do financiamento à economia”.  A minha opinião – Desde o início do apoio e nacionalização do BPN, que para além de toda a ajuda à banca, a economia nacional tem caído drasticamente sem qualquer apoio visível. Existe uma parceria entre o governo e a banca, em que ambas as partes se apoiam mutuamente, sem financiarem a economia do país.
Vítor Gaspar adiantou no Parlamento que o Estado estima receber este ano “cerca de 500 milhões de euros em 2013”, conta dos juros pagos pelos bancos que receberam auxílio estatal.   A minha opinião – 500 milhões de euros que por pressuposto o Estado vai receber dos juros da banca, ficam muito aquém dos mais de 4 mil milhões de euros no BPN e mais de 1100 milhões de euros já investidos no BANIF, praticamente a fundo perdido. O governo omite também, quanto têm os bancos lucrado através dos juros pagos pelo Estado sobre empréstimos concedidos. Entre o governo e a banca existe uma parceria oculta, que o cidadão comum desconhece totalmente o saldo real. 
Segundo afirmou Vitor Gaspar  “Precisamos que os empréstimos às empresas melhorem substancialmente mais rapidamente para que se possa entrar num círculo virtuoso”.

A minha opinião – Infelizmente, vivemos não num círculo virtuoso mas sim num círculo vicioso. Cada dia há mais empresas a encerrarem definitivamente as portas sem qualquer tipo de apoio por parte da banca ou do Estado.

Primeiro-ministro diz que a manter-se o nível de procura externa, o Governo irá rever as previsões macroeconómicas para 2013.  Durante o último debate quinzenal, o chefe do Governo  disse também que neste momento esta “evidência não existe”, já que para isso a recessão de 2013 terá de ser mais forte do que a verificada em 2012, mas esses “riscos existem”.    A minha opinião – Alguém se recorda de quando foi a última vez que o governo acertou numa previsão? Eu não me recordo. Posso apenas dizer, que as previsões do governo são sempre no sentido mais positivo do que a realidade, o que representa uma falta de experiência, ou falsidade sobre a verdade, por parte dos nossos governantes. Era óbvio que as medidas de austeridade impostas pelas instituições europeias e o FMI, levariam à queda dos maiores mercados de exportação. Ao apostarmos unicamente nas exportações, ignorando a economia interna, acabaríamos por nos afundarmos mais.
Jardim Gonçalves absolvido porque o BCP se enganou no Tribunal – O Tribunal da Relação confirmou que o Tribunal de Sintra não tem competências para decretar a nulidade da reforma de Jardim Gonçalves.  As leis neste país foram criadas para proteger a corrupção.    A minha opinião -Mais um banqueiro que depois de criar um caos desastroso num banco, tem absolvição e mantém todos os seus benefícios e reformas milionárias vitalícias. Portugal é um paraíso para a corrupção.

Millennium

Consumidores portugueses entre os mais pessimistas da Europa – Os consumidores portugueses estão entre os mais pessimistas da Europa face à evolução da situação económica, prevendo mais medidas de austeridade, e estando a sua disposição para comprar em mínimos, segundo uma sondagem da consultora GFK.Segundo afirma Passos Coelho, “Os números estão razoavelmente em linha com as previsões do governo”:

  • 16,9% de Desemprego
  • Quase 1 milhão sem subsídio de desemprego
  • Recessão subiu para 3,2% em 2012 (1,6 em 2011)
  • Cortes nas Pensões e Subsídios

Com os números previstos pelo governo, como será possível promover o consumo e crescer a economia?

Conforme Passos Coelho, reformar o Estado é “um imperativo de coesão social” – o mesmo afirmou que: “A coesão não deixará de ser terrivelmente afectada se o país não se preparar para uma despesa sustentável” . Disse também que: “é impossível negar que muitos dos nossos problemas resultam directamente do modo como até agora definimos as estruturas do Estado”. Estas foram algumas das afirmações do primeiro-ministro na  abertura de uma conferência em Aveiro.  

Ainda que Passos Coelho se tenha referido que muitos dos nossos problemas resultam directamente das estruturas do Estado, na sua mente o que ele entende por reformar o Estado, é ter a possibilidade de mais cortes sociais dos direitos dos cidadãos, como referiu que: “o nosso Estado social não é suficientemente eficaz”. Este primeiro-ministro tal como os anteriores, veio para o governo como que fosse para um curso de Novas Oportunidades aprender em como gerir política e economicamente o país. Infelizmente, os cidadãos não têm mais disponibilidade económica para lhe continuar a pagar as propinas do curso de Novas Oportunidades. Uma reforma do Estado sustentável para o futuro, devia começar pela reestruturação do Estado:

  • É insustentável uma Assembleia da República com 230 deputados e toda a sua comitiva
  • É insustentável para o futuro do país uma frota automóvel para Ministros, Secretários do Estado e líderes parlamentares dos partidos políticos.
  • É insustentável dar continuidade ao sustento de fundações, Institutos e PPP.
  • É insustentável que o custo das pensões dos políticos seja superior ao total dos beneficiários das pensões mínimas.
  • É insustentável que o Estado gaste mais 3,5 milhões de euros nas subvensões vitalícias de 383 deputados do que nas reformas de 22.311 pensionistas.
  • É insustentável despesas vitalícias de 300 mil euros anuais com cada ex-Presidente da República

Quando todas essas estruturas aqui mencionadas forem reformadas; quando forem criadas estruturas de produção e crescimento económico, sem apoio exclusivo a monopólios e empresas e instituições privilegiadas, então a estrutura do país será sustentável. Nesse momento, haverá mais compreensão e apoio social de cada cidadão, porque cada um começará a acreditar num futuro. Até esse dia, depois de tanta incompetência, aldrabice, roubo e injustiças praticadas, é difícil acreditar e tolerar em mais reformas sociais, que, conforme referi acima, as reformas na agenda de Passos Coelhos referem-se a cortes e mais cortes sociais. Cortes que são sempre mencionados como temporários, mas acabam sempre definitivos. Caso contrário, não seria necessário uma reforma do Estado Social.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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4 comentários em “ASSIM NÃO VAMOS LÁ”

  1. kimarka Says:

    Reformar quer dizer dar nova forma a qualquer coisa.O Estado levou a formar-se o tempo que decorreu desde a Proclamação da Republica (?).
    Dar outra forma ao Estado?
    Vejam lá se a forma vai dar noutro objecto que não seja um Estado Republicano e Democrático como devem ser as republicas.
    Que classificação académica e experiência nestas coisas superiores do país, para que meia dúzia de palermas que mostram bem a maior incompetência que aconteceu em governos se metem a reformar um Estado?
    Reformar ou destruir?
    Porque não aceitam as recomendações do povo, e se reformam eles que, por muito que nos levem de reformas chorudas, Portugal sairia sempre a ganhar com os seus afastamentos da cena política..

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  2. Antonio Says:

    Ninguem fala da despesa do Estado fora de Portugal. É insustentável despesas do corpo dipolomatico por este mundo fora ! E depois temos instituicoes tipo ICEP para lavagem de dinheiros do estado pois nunca promoveram Portugal, Ha vinte anos nos EUA nunca vi nada feitos por estes!

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  3. serolmar Says:

    O país é vergonhosamente medíocre nas três áreas fundamentais da sociedade: saúde, educação e justiça.

    Por cá, parece-me existirem três máximas:
    – Deixar morrer os velhos porque uma sociedade de novos é mais saudável;
    – Para aumentar o rendimento escolar, aprova-se toda a gente;
    – O crime acaba por compensar (quanto mais brutal este for, maiores serão os lucros daí advenientes.

    Estas maravilhosas características, associadas à subserviência da horda que compõe o governo face aos parceiros europeus, mostra-se uma mistela capaz de produzir uma azia de tal ordem elevada que o vomitado consegue atacar fortemente (e a frio) o vidro.

    De todos os pantominos que enganaram o povo, apenas um se aproveita: o ministro das finanças. Porém, a sua ideologia advém de uma escola de energúmenos. Parece-me que é o que vamos arranjando, por ora.

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