PORTUGUESES, UM POVO A CAMINHO DA MISÉRIA

6 de Dezembro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

O optimismo, as promessas e as previsões do governo, são cada vez mais contraditórias em relação aos dados provenientes de relatórios de diversas organizações e à análise e visão de individualidades com mais experiência de vida, conceitos políticos, respeito pela vida e direitos humanos, do que qualquer dos nossos governantes submissos a governos externos e interesses de instituições financeiras.

Nos últimos dias têm sido publicados dados que revelam a incapacidade do actual governo, ou melhor do regime político instalado em Portugal, para poder afastar a hipótese de um agravamento contínuo da situação económica e social do país.

Há dias, foi estimado pelo governo que 2 milhões de famílias estão isentas do IRS devido a estarem desempregadas ou ganharem salários abaixo do limite da pobreza.

Segundo dados num relatório do Eurostat publicado nos últimos dias, relativos a 2011, o risco de pobreza e exclusão social da população é de 2,6 milhões, 25% da população do país.

Em outros dados vindos a público, o desemprego em Portugal atingiu 16,3%, número esse acima das previsões do governo.

Hoje, a notícia de que Portugal apresenta maior quebra nas vendas a retalho na EU, em nada podem surpreender. Os dados mencionados acima, são indicadores macroeconómicos de que a produtividade e a economia em Portugal, estão a atingir níveis tão baixos e desoladores, que dificilmente a situação do país poderá melhorar com as políticas económicas levadas a cabo pelo governo.

Miguel Angel Martinez, médico e vice-presidente do Parlamento Europeu, PE, definiu há dias em Lisboa, as medidas aplicadas no apoio aos países em crise como “obsessão suicidária com a austeridade”, considerando como muito grave o projecto europeu de apoio aos países membros, onde não existe qualquer tipo de solidariedade.

O vice-presidente do PE afirmou que:Se impedirmos as economias de crescer o que estamos a fazer é condenar estes países”, acrescentando que “Quando acontecem os resgates estamos, como se diz em Espanha, a dar ‘pão para hoje e fome para amanhã”.

A fome para amanhã que o vice-presidente do PE se referiu, é já a fome de hoje em Portugal para milhares de crianças, que dadas as incapacidades das famílias em providenciar alimentos, chegam às escolas com fome, conforme tem vindo a ser noticiado diariamente. Estamos já a tirar comida das mesas de milhares de famílias, para custe o que custar, como diz Passos Coelho, cumprir metas acordadas dos compromissos assumidos perante os nossos credores externos.

Mas, um mal nunca vem só. Para além da má nutrição de milhões de pessoas, surgem doenças de todo o tipo, como neurológicas, depressivas, contribuindo para o suicídio, cardíacas, e de todo o tipo de órgão e sistema do corpo. Agravam-se doenças crónicas por má nutrição e corte na medicamentação. Surgem novos casos de doenças, como  diversos tipos cancro, que quando diagnosticadas precocemente podem ser controladas, tratadas e curadas, muitas totalmente. Há o ressurgimento e propagação de doenças infecciosas, como a tuberculose e o HIV. Em resumo, para além da queda das receitas provenientes da economia, há um aumento de despesas com a saúde, embora impossível controlar o sofrimento de milhões e o aumento de casos de fatalidades.

O governo português tenta diferenciar-se das condições da Grécia. Honestamente, entre Portugal e a Grécia, venha o diabo e escolha. Poderemos não beneficiar das ajudas financeiras de apoio que estão a organizar para apoiar a Grécia. Mas certamente que, enquanto a Grécia durar na CE e no euro, a nossa permanência na CE não estará em risco. Mas acreditem que no dia em que a Grécia abandonar o euro, a nossa sobrevivência na moeda única se limitará a dias ou semanas.

Qual a razão pela qual a senhora Merkel luta para manter o máximo tempo possível a Grécia no euro, ainda que saiba que é uma questão de tempo até à queda final? Porque muitos dos bancos alemães têm centenas de milhões dependendo da Grécia. Trata-se de encontrar a queda da Grécia, com o menos de danos possíveis para a Alemanha. Quanto a Portugal é apenas uma pequena pedra no sapato.

Ainda que a nossa dívida seja pequena, comparada com a da Grécia, Portugal está endividado para as próximas gerações. Ou mesmo, a nossa dívida, com a continuidade das nossas políticas económicas, é totalmente impagável.

Para quê, a exigência custe o que custar, de tanto sacrifício e sofrimento de todo um povo, mesmo sem poupar milhares de crianças da fome e evitar o sofrimento e a depressão dos velhos? Para quê exigir, como que espontaneamente, a fixação de défice existente e da dívida acumulada ao longo de quase 4 décadas, num espaço curto de tempo, quando estendendo o prazo aliviava os sacrifícios insustentáveis do povo, acalmava o ambiente social agitado que vivemos e incentivava a produtividade e economia do país?

Apesar de toda a legitimidade deste governo, da Assembleia da República e do Presidente da República, nenhum sector deste regime político possui credibilidade ou a confiança do povo para continuar a desgovernar o país lançando a miséria, a doença e o caos social.

É preciso unirmo-nos agora ou nunca. Independente da idade, do sexo, do grupo étnico, da actividade profissional, ou em que parte do país vivemos, temos de usar o nosso direito e dever de cidadão, para procurar fazer uma mudança radical e salvar o pouco que nos resta. Leiam e assinem a petição: Parlamento-Os Velhos do Restelo.

No final do 1.º trimestre de 2013, será tarde demais. O governo irá mais além do que custe o que custar e passará a ferro e fogo, usando ainda mais cortes e mais impostos. Para além do insustentável orçamento, há ainda para serem distribuídos por todos nós, mais de 4 mil milhões de euros em cortes. Calar é consentir. Nessa altura, que Deus ou as Forças Armadas tenham piedade de nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

, , ,

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

Ver todos os artigos de Carlos Piteira

Subscrever

Subscribe to our RSS feed and social profiles to receive updates.

2 comentários em “PORTUGUESES, UM POVO A CAMINHO DA MISÉRIA”

  1. Jose da Cunha Says:

    Ainda a procissao vai no adro…
    A Europa continua ao pontape a lata pela rua abaixo.

    Gostar

    Responder

  2. Amílcar Vicente Says:

    Assino por baixo.
    – AV –

    Gostar

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s