Portugal e a Europa Estão a um Passo de uma Revolução de Consequências Imprevisíveis

15 de Novembro de 2012

Política Nacional

As greves e manifestações de protesto ontem em Portugal e por toda a Europa, demonstraram sinais de descontentamento massivo de milhões de europeus contra as políticas económicas e financeiras dos líderes europeus. Foi um sinal de que os povos atingiram um limite de saturação contra as medidas de austeridade, impostas pelos governos, forçados por grupos e instituições financeiras, que colocam a prioridade dos seus lucros sobre o bem-estar dos povos.

Pelos indicadores de ontem, o ano de 2013 será um ano trágico e mesmo sangrento. A situação a que os líderes da Comunidade Europeia levaram a Europa, é um verdadeiro contraste com o prémio Nobel da Paz que lhes foi concedido este ano.

Tal como o governo de Passos Coelho, para além do ainda não aprovado OE para 2013, já tem um plano B para rectificação do dito orçamento após o 1.º trimestre do próximo ano, exigindo mais de 800 milhões de euros em cortes, também a Comunidade Europeia, CE, ainda não conseguiu aprovar a proposta de orçamento comunitário para 2013, demonstrando a insustentabilidade das políticas económicas seguidas pela CE. Também, o comissário do euro, Olli Renh, já projectou para Fevereiro de 2013 reavaliar os objectivos de redução do défice orçamental para os países em crise económica, como Portugal e Espanha.

Todo este cenário demonstra que os líderes europeus andam num sistema de governação às cegas, apalpando terreno passo a passo, mas sem certeza se acabaremos num buraco económico maior, tornando um autêntico colapso económico e social da Europa. Com todas estas incertezas, os povos europeus estão cada vez mais sufocados com medidas de austeridade e a cada dia com menos benefícios sociais e mais incertezas de futuros a médio e longo prazo.

É notório mas não surpreendente, ver a maioria das massas nas manifestações de protestos serem jovens cidadãos, que devido à adrenalina da idade e à falta cada vez mais de esperanças para o futuro, acabam em momentos de agressividade. Muitas vezes a agressividade é incentivada por meia dúzia de indivíduos, até infiltrados por organizações não associadas às manifestações, mas com o propósito de criarem conflitos. Os incidentes ocorridos ontem, foram criados como que uma forma de intimidação do governo a cidadãos idosos e de pais com filhos pequenos a não mais saírem à rua em manifestações como a do 15 de Setembro ou a manifestação dos jovens à rasca. Não foi por acaso que a aprovação dos aumentos de 10,8% da PSP e GNR foram anunciadas antes do 14 de Novembro. Este governo é incompetente em gestão económica. Mas tem conhecimento dos tempos do fascismo, como oprimir o povo, mesmo através do uso de força e violência, se isso for a única forma de poderem manter-se no poder.

Deixo aqui um apelo a todos os jovens em manifestações, a que demonstrem a cara sem terem vergonha. Todo aquele que encobre a cara com máscara, seja considerado de infiltrado com intenções duvidosas.

Acredito que 2013 será um dos piores anos de que haverá memória do nosso tempo. Acredito também que é difícil para este governo sobreviver. Mas, mais uma vez pergunto quem resta para governar? Outro partido da direita, do centro ou da esquerda? Que políticos com algum senso de credibilidade e capacidade existem? Honestamente, com o actual sistema político instalado no país, não voltarei a votar. Mas estou decidido de corpo e alma a lutar por uma mudança de rumo.

Ler a petição: Parlamento-Os Velhos do Restelo. Se concordar com a iniciativa, assine e divulgue.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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9 comentários em “Portugal e a Europa Estão a um Passo de uma Revolução de Consequências Imprevisíveis”

  1. RDC Says:

    Isto não vai lá com novas eleições, infelizmente.
    No meu entender, o país só com ajuda dos militares honestos e íntegros e nova constituição se põe novamente de pé. Os militares têm de se juntar ao povo, pois está visto que as forças de segurança já têm as “palas dos 10.8%” na ventas (eles sabem como as fazem).

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  2. serolmar Says:

    A análise aqui exposta é deveras interessante. Já há algum tempo atrás que penso que a solução para o problema actual não se resume a um país apenas mas a toda a união europeia.
    Quanto aos aumentos da psp e gnr, começou a ser evidente as intenções do governo. A comparação com a ditadura é pertinente. Aliás, se formos a comparar a gestão económica com a que foi seguida nesse tempo também nos deparamos com algumas surpresas. Começo a ficar na dúvida em discernir qual das ditaduras é a pior, se a outra ou se esta.

    Deixei de votar há já algum tempo. Aliás, quando via os debates do parlamento no segundo canal fazia-me pensar algo que escrevi como se pode ver em: http://serolmar.blogspot.pt/2008/09/parlamento-portugus.html

    Temos a tendência para concluir que os governantes se têm mostrado incompetentes. O que me assusta é precisamente o facto de não se tratar de incompetência.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Serolmar,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Quando me refiro a incompetência dos governantes, trata-se na realidade no factor de conhecimentos de gestão, não de intenções como actuam. Não se trata de indivíduos inteligentes e conhecedores para o que foram nomeados mas sim de chicos espertos para o que pretendem conseguir na vida. Por isso, se viu o Passos Coelho a receber a Angela Merkel, quase como que ele fosse um servante dela, em lugar de a receber como o primeiro-ministro de Portugal.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  3. Artur Says:

    Este governo é o pior governo desde que há memória. Disso pouca gente tem dúvida. O PM, ele mesmo, não passa dum individuo sem a mínim experiência seja do que fôr e o pouco que tem de gestão pelas empresas por onde passou foi de um fracasso, uma fraude total. Por outro lado, tão pouco tem legitimidade para estar nesse cargo. Conseguiu-o fazendo uma campanha eleitoral do mais mentirosa, do mais enganosa de que não há memória. Sabia que o povo, o votante, estava fragilizado e que uma maneira de conseguir ser eleito (ou o tacho) era prometer ou manter o seu discurso antes da queda do governo que ele substituiu. Ganhas as eleições rodeou-se de individuos do piorio, de poucos conhecimentos ou nenhuns em nenhuma matéria, sòmente bons em demagogia. Também esses ministros e/ou conselheiros não poderiam ser de qualidade superior a ele pois doutro modo perderia brilho. Digamos que é um ala de ignorantes que forma este governo. Tomou posse e de imediato fez exactamente o contrário que disse na campanha eleitoral. Sendo isso, que legitimidade tem este governo. Nem legitimidade nem credibilidade.
    Por outro lado, o PR está refém deste governo e nada pode fazer. Está muito contaminado pelo caso BPN, que ele nunca quis aclarar e os poucos que deu ainda contribuiu para mais confusão e mais contaminação pessoal. Sendo assim, este PR nunca demitirá esta governo porque este governo tem uma guilhotina sobre o PR que accionaria no momento em que fosse demitido. Portanto temos as cabeças da governação bastante comprometidas.
    Novas eleições e novo governo no contexto actual não iria resultar em nada. Substituam-se umas pessoas por outras absolutamente comprometidas com o sistema, com o regime. Só alguém absolutamente neutral e com pulso e que pudesse aglutinar todos os portugueses nos poderá tirar deste caos. Alguém que unisse o que estes politicos de terceira categoria fraccionaram. Um bom governantes que possa pôr Portugal a trabalhar, a produzir e a consumir aquilo que produzimos. Sei que não podemos restringir ou proibir as importações mas uma recomendação sibilina aos grandes grupos para se concentrarem em colocarem à venda produtos nacionais e aos consumidores para darem preferência aos produtos portugueses teria muito impacto. E mais ainda se o povo estiver contente e feliz. E isto consegue-se aliviando os impostos para que o povo tenha dinheiro para poder consumir, gastar e assim “produzir” IVA. Sem a exonomia mexer não há recuperação possível. E a politica seguida por estes ignorantes de retirar dinheiro ao povo vai precisamente no sentido contrário. Procuram apenas o empobrecimento do povo e criar indignados, povo com ódio e rancor a tudo o que é politico e instituição publica. A persistir nessa politica vamos ter a guerra civil, os mortos que não tivemos em 1974/1975. Será isto o que os governantes querem? Se é pois que se lembrem que apesar de toda a segurança que têm serão os primeiros a cair, os primeiros alvos que o povo vai buscar. O povo e não só. César foi morto pelos seus parceiros, pelos seus mais chegados. Pela sua guarda pretoriana. Não é uma ameaça, é a minha visão da realidade e do que pode acontecer. Como ex-combatente estou farto de guerra mas estes politicos armados em governantes estão a fomentar o ódio do povo e a desunião entre o povo e as suas instituições e de quem as representa. Cuidado Portugal com o caminho que vais trilhand. É muito periigoso.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Artur,

      Obrigado pelo seu comentário e suas opiniões as quais são a realidade do presente e do que temos pela frente, caso não haja mudança de rumo.

      Em muitos dos meus artigos tenho sempre referido sobre os conhecimentos e experiência de Passos Coelho, que não é nenhuma conforme mencionado também no seu CV que já o publiquei há tempos. Também, a actuação dele no cargo que desempenha de governante tem demonstrado todas as suas incapacidades. A única das suas qualidades que não fazia parte do seu CV, e que os portugueses desconheciam até há pouco, é a sua capacidade de mentir. Eu costumava definir José Sócrates como um “mentiroso patológico”. Na realidade de um ao outro, venha o diabo e escolha.

      O PR não é refém deste governo, mas sim um “Yes man”, procurando cumprir com o tempo do seu mandato, ignorando as suas obrigações como PR para o povo que o elegeu. A sua actuação não é diferente daquela de quando era primeiro-ministro, que protegeu todo o seu governo de elite e que foi do seus governos que sairam os primeiros cursos de alunos graduados em corrupção. Por isso, não possui capacidade de liderança para o cargo que representa.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  4. Mauel Says:

    Um novo governo já!!!… O novo governo deve iniciar uma investigação para levar à Justiça os responsáveis pela crise, e muitos executivos de alto nível e os banqueiros devem ser presos. Prisão preventiva para que eles não deixem o país. Caso de fuga dita uma ordem á Interpol os capturara-los e recambia-los á justiça portuguesa.
    O novo governo da Islândia deixou os bancos irem á falecia porque não era injusto o povo pagar o esbanjamento dos bancos. Isso ~É democracia. Culpados na prisão

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Manuel,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Um novo governo? Que tipo de novo governo? Quem eleger da escumalha de partidos e políticos que temos? Não iriamos ficar nas mesmas condições? Este governo foi eleito, não porque os portugueses acreditassem que era melhor que o anterior, mas porque nos queriamos livrar do outro. Irmos para aleições antecipadas, será como mudar de caras mas manter o mesmo sistema político de incompetência e apoio à corrupção legalizada.

      A situação em que o país se encontra, é preciso uma remoção total do governo e também do actual PR. Para isso, será necessário mesmo ultrapassar os limites da constituição actual que foi feita para protecção do sistema de governo implantado, não para protecção dos portugueses. Só a constituição de um Governo de Salvação Nacional o que com este PR não é viável. Para além disso, resta-nos uma revolução de consequências muito incertas.

      Quanto à justiça, deveria ser um ramo do governo, mas totalmente independente dos governantes. Infelizmente, estão debaixo da alçada dos governantes e na maior parte das vezes estão subjulgados sem poder exercer as suas funções livremente. A razão de em casos mediáticos o segredo de justiça ser tão importante, é para dar oportunidade a todo o tipo de manipulação dos processos.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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    • Carlos Silva Says:

      Os partidos políticos, ditos de direita, estão feitos com os bancos, com as construtoras, com as imobiliárias e com as grandes empresas. Por isso é complicado haver mudança de rumo da parte deles.

      Há Portugueses que são estúpidos e iluminados por eles. Já se fala na vitória do PS nas próximas eleições legislativas porque este não serve. E temos mais um demagogo a juntar ao clube: António José Seguro.

      Este é mais um que caiu de pára-quedas. Este homem que diz querer ser primeiro-ministro nem discurso a não ser enfadonho tem que convença as pessoas e não apresenta alternativas e ideias, só diz meias palavras. Quando estão cá fora prometam discursos de esperança, mas quando estão lá dentro fazem tudo o oposto. Mais um advogado formado numa privada que está ao serviço de grupos privados. E mais um que não sabe o que é a vida porque nunca trabalhou senão colando cartazes nas paredes no tempo da Juventude Socialista como Miguel Relvas.

      Os partidos políticos PS, PSD e CDS são tudo da mesma escumalha nem mesmo a esquerda é alternativa. Só pensem neles, nos seus amigos e nas suas famílias. Só precisam de nós para o voto. Isto é uma espécie de gato preto e gato branco.

      Haver mudança, terá que ser feita pelo povo.

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      • opaisquetemos Says:

        Caro Carlos Silva,

        Obrigado pelo seu comentário.

        Concordo com a sua visão.

        Possivelmente, como já muito se fala, mesmo pelos “intelectuais intendidos”, haverá possível queda de governo no próximo ano e novas eleições. Mas qual a finalidade? trocar este governo por outro idêntico? mudar apenas as faces dos actuais protagonistas? Em nada adianta.

        Quanto a José Seguro, não tem qualquer viabilidade, mesmo de ser candidato a primeiro-ministro em novas eleições. Trata-se apenas de um elemento de transição. Aoq ue tudo aparenta, António Costa já demonstrou em duas actuações que vai ser o substituto de José Seguro. O discurso do 5 de Outubro de António Costa foi um indicador das suas intenções. Também esta semana, a aprovação de uma redução de 31 milhões de euros no IRC dos contribuintes de Lisboa, foi outro indicador.

        Como já referi aqui no site, até o sistema político do país mudar, não voltarei a votar em nenhum partido ou político. Isso, não significará que não irei às urnas. Mas votarei em branco.

        Sinceramente,

        Carlos Piteira
        Carlos Piteira

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