Parte 2 – O IMPACTO DA CRISE ECONÓMICA NA SAÚDE

12 de Novembro de 2012

Saúde

Parte 2 – Como Aliviar os Efeitos da Crise Económica na Saúde Mental

(Ver Parte 1 do artigo publicado a 4-11)

O aumento de desemprego associa-se ao aumento das percentagens de suicídios e mortalidade precoce, relacionados com desordens mentais e muitas outras doenças, devido a cortes no sistema de saúde e apoios sociais em tempos de crise económica conforme estatísticas da Comunidade Europeia.

Decisões políticas podem determinar se a recessão económica poderá ter efeitos no alívio a problemas da saúde mental. Estudos na Comunidade Europeia demonstram que a desigualdade na saúde não aumenta durante recessão, em países com boa qualidade de serviços sociais de protecção às populações afectadas. Na Finlândia e na Suécia, durante um período de profunda recessão económica e um elevado número de desemprego, não houve aumento de desigualdade e as percentagens de suicídio diminuíram, devido aos benefícios sociais. Nos EUA, um aumento na percentagem de suicídios foi causado pelos cortes do Estado nos serviços sociais.

A aplicação de programas de apoio como:

  •  Programas de actividade nos mercados de trabalho
  • Programas de Apoio às famílias
  • Programas de apoio e tratamento para pessoas de risco elevado da saúde mental
  • Programas no apoio a famílias endividadas

podem ajudar pessoas a reintegrar o mercado de trabalho, reduzindo ao mesmo tempo os encargos sociais do Estado, aumentando também as receitas provenientes das contribuições para a Segurança Social e actuando como uma medida de prevenção e alívio dos efeitos da recessão na saúde mental.

Programas de actividade nos mercados de trabalho –  Para manter e reintegrar pessoas no mercado de trabalho e reduzir os efeitos na saúde mental nos períodos de recessão. Estes programas, devem actuar no sentido de melhorar as oportunidades de encontrar emprego, incluindo serviço público de apoio para emprego, programas de treino de trabalhadores e programas especiais de transição de jovens do ensino escolar para o mercado de trabalho. Devem providenciar e promover emprego para desempregados e pessoas com deficiências. Devem incluir suporte de apoio à saúde mental, através de trabalho psicológico em grupo a desempregados, para melhor capacidade de reintegração no mercado de trabalho. Este tipo de actuação tem demonstrado a nível de custo-benefício, poupança nos serviços sociais e vantagens no sentido de integração no mercado de trabalho.

De acordo com dados da Comunidade Europeia, o investimento aproximado de 90 € por pessoa ao ano, nestes programas de actividade de trabalho, reduz o efeito de 1% no desemprego.

Programas de Apoio às famílias – Estatísticas dos Países da Comunidade Europeia demonstram que o apoio de 90 € por pessoa em programas de apoio às famílias, reduz os efeitos do desemprego sobre mortes por suicídio e mesmo mortes precoces por doenças crónicas ou não diagnosticadas antecipadamente, devido à crise económica.

Mulheres, crianças e idosos, particularmente nas classes mais desfavorecidas na sociedade, são mais afectadas pelos cortes orçamentais de apoios sociais na alimentação, na saúde e na educação. Muitos desses efeitos podem contribuir para um aumento de violência e negligência das crianças no respeitante a alimentação e incentivos na educação. É já notório a má nutrição de milhares de crianças que entram nas aulas todos os dias, sem terem sido alimentadas devido ao desemprego e à falta de programas de apoio. Muitos idosos, com pensões muito àquem do mínimo para sobrevivência, têm de fazer opção entre alimentação ou medicamentos essenciais para darem continuidade à vida sem condições de dignidade.

Programas de apoio e tratamento para pessoas de risco elevado de saúde mental – Melhorando a forma de resposta e actuação dos serviços de saúde sobre as mudanças sociais das pessoas, no respeitante ao desemprego e rendimentos de sobrevivência. Reconhecendo num estado ainda precoce problemas de desequilíbrio mental, que dão origem a situações de adição ao consumo de álcool e suicídios, reduzirá o aumento de casualidades humanas durante a recessão. Confrontar problemas relacionados com desordens mentais em períodos de crise económica, requer não somente o investimento nos serviços de saúde mental, mas também a reestruturação dos serviços sociais para ir ao encontro das necessidades da população.

Programas de serviços de apoio e tratamento de desordens mentais, como depressão, bem estruturados em cada comunidade, são essenciais na redução de suícidios. Os serviços de cuidados básicos de prevenção, aumentam o acesso aos serviços de cuidados de saúde mental, no sentido de evitar o desenvolvimento de novos casos mentais quando detectados antecipadamente. Este tipo de serviços, na actual crise económica, poderá reduzir casos de saúde mental que possam vir a requerer tratamento hospitalar e reduz a desigualdade dos serviços de saúde.

Programas no apoio a famílias endividadas – como também legislação de apoio na protecção ao endividamento de famílias, ajuda na redução dos efeitos de desordens mentais em períodos de crise económica. Estes programas têm por objectivo reduzir o stress e depressão de endividamentos excessivo, ajudando a recuperar a situação económica e financeira e melhorar o estado mental.

COMO MANTER O SISTEMA DE SAÚDE NA CRISE ECONÓMICA

Muitos países da Comunidade Europeia em crise económica, estão debaixo de pressão das instituições financeiras internacionais para reduzir os orçamentos relacionados com a saúde e serviços sociais. Para além do aumento das necessidades enfrentadas em momentos de crise, a saúde mental é uma área susceptível de cortes orçamentais, devido à falta de fortes apoios contra esses cortes, como acontece em outras doenças físicas.

As evidências de crises económicas do passado, prevêem o que provavelmente acontecerá na actual crise económica. Para além do aumento de pressão sobre os serviços de saúde mental, o orçamento do Estado para a saúde diminuirá, contribuindo para os piores efeitos sobre a saúde da maioria da população. Os rendimentos das famílias para pagar serviços de saúde diminuirão. Também, as companhias de seguros recusarão tal tipo de protecção. A maioria das pessoas que previamente tinham possibilidades de pagar por serviços privados, acaba também por depender de serviços menos dispendiosos. Em países sem serviços de saúde de boa qualidade, suportados pelos impostos ou seguros de saúde, as populações que necessitem de serviços de saúde mental, terão menos acesso aos serviços disponíveis, acabando muitos casos sem qualquer tipo de assistência adequada no momento mais crítico.

INVESTIR NA SAÚDE MENTAL COMO UM BENEFÍCIO ECONÓMICO

É preciso persuadir o governo para que entenda que investindo na saúde mental tem benefícios económicos. Um investimento do governo a nível do sistema de saúde e de todos os sectores de cuidados sociais de apoio, no combate aos problemas de saúde mental, oferece recursos e oportunidades para reduzir o risco de exclusão social. É crucial ter uma perspectiva económica para além do sistema de saúde e dar a conhecer que investimento nos serviços de saúde mental gera poupanças em outros sectores. Para além das intervenções, que aliviam ou evitam muitos dos efeitos de um sistema pobre de saúde mental, as prioridades que lhe são dadas no sistema de saúde são bastante medíocres.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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4 comentários em “Parte 2 – O IMPACTO DA CRISE ECONÓMICA NA SAÚDE”

  1. Mil Razões... Says:

    Muito a propósito, deixamos aqui a informação sobre o simpósio Emprego e Desemprego / Impacto na Saúde Mental, a realizar a 24 de novembro de 2012 no Auditório Carvalho Guerra, da Católica – Porto, uma organização Mil Razões…: http://milrazoes.no.sapo.pt/index_ficheiros/Page6177.htm

    Mil Razões…

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