É TRISTE! MAS TUDO ISTO É A REALIDADE DO PAÍS QUE TEMOS

7 de Novembro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

Vivemos num sistema, intitulado democracia, onde os líderes dos partidos políticos consideram que seria vergonha para eles, andarem de “Clio” em lugar de viaturas top de gama à custa dos contribuintes, mas onde há milhares de crianças que frequentam as escolas sem livros e com fome.

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, CNIPE, denunciou hoje, no Parlamento, que há “fome nas escolas”, em vez do pequeno-almoço prometido pelo Ministério da Educação. A presidente da CNIPE, Maria José Viseu, disse : “Não existe pequeno almoço, o que existe é fome nas escolas”.

Na realidade, de tempos em tempos este governo dá notícias optimistas sobre iniciativas, as quais, para além do papel, ou mesmo apenas verbal, através de notícia de um ministro ou Secretário de Estado, nunca entram em efeito. Esta notícia diz respeito a um programa piloto, lançado no final do ano lectivo passado, aparentemente poucos o conhecem e não entrou em funcionamento. O mesmo se passou com os navios mandados construir pelo governo da Venezuela nos Estaleiros de Viana do Castelo. Fez título de notícia e criou expectativas nos trabalhadores, mas na realidade, não houve qualquer iniciativa de investimento para que o projecto tivesse forma de ser concretizado.

Lamentável que este país tenha que sobreviver com este tipo de falsas notícias ou promessas, muito delas infundadas. Tudo que se vive actualmente é uma incerteza constante. Os nossos governantes estão desgovernando o país numa incompetência total. A AR está debatendo o OE2013, que o governo que o aprovou em conselho de ministros, está seguro que o mesmo é irreal e que não vai produzir os efeitos desejados. A prova disso, é que já existe um orçamento rectificativo para o mesmo, Plano B, para entrar em vigor talvez no final do 1.º trimestre de 2013. Quando o orçamento em discussão é já totalmente insustentável, como será viável o rectificativo ter ainda mais agravamento? Isto é impensável.

Não se trata de enviar ou não para avaliar a constitucionalidade do orçamento. Trata-se de que o mesmo, ainda que seja considerado constitucional ou mesmo que necessite de uma ou duas correcções para passar a ser constitucional, o mesmo é impraticável e com efeitos nefastos aos objectivos.

O país está como uma autêntica sopa de pedra. Pior ainda, é que com toda a burocracia política e económica, sem um Estadista na Presidência da República ao nível de tomar decisões, com este governo ou com outro governo em eleições antecipadas não vamos lá.

Um herói ou um verdadeiro Estadista, não é aquele que segue tudo direitinho como está no livro, ou que escreve sempre direito por linhas direitas. Um herói ou Estadista, é aquele que toma decisões independente o que possa estar escrito no livro, ou que consegue escrever direito por linhas tortas. É aquele que vai para além da sua obrigação de dever cumprido e que coloca a protecção daqueles que dele dependem, acima da sua protecção e do seu bem-estar. O sangue de herói e de um verdadeiro homem de Estado, parece que acabou em Portugal.

Os partidos políticos, para além de debates e oposição política, para português ver na praça pública, sentem-se protegidos pela constituição que eles mesmo criaram e que serve para os proteger. Usam a Assembleia da República não em representação do povo, mas como local de convívio e garantia dos seus interesses. Para além dos salários injustificáveis, em relação ao que contribuem para benefício de quem lhes paga os salários, o povo, usufruem de benefícios e regalias recusadas à maioria dos portugueses.

O governo, como já várias vezes mencionei aqui, é como que uma instituição de formação de novas oportunidades, que serve como trampolim para quem por lá passa, para criar um CV e acesso a oportunidades futuras de emprego com salários milionários e benefícios vitalícios.

O Presidente da República, já com reformas garantidas, mas que diz não serem suficientes para cobrir as suas despesas, um insulto a quem tem reformas de sobrevivência e que tem que optar entre medicamentos ou alimentos, desempenha apenas o cargo de PR, como prestígio pessoal, sem querer importar-se para ir mais além das suas funções simbólicas de representante do sistema político, limitando-se a actuar como catalisador da situação entre as diversas partes, até ao final do seu mandato.

O povo, a classe de plebeus, que embora comentando e criticando, basicamente é tudo que a liberdade democrática lhes consente, é o responsável pelo pagamento na integra de todos os seu salários, benefícios, reformas e erros de incompetência na gestão do país, que custa milhões de milhões em empréstimos e juros, ano após ano, geração após geração.

Os idosos não têm garantia de sobrevivência para 2013, 2014, 2015 ou pelo menos nos próximos cinco anos como Merkel se referiu recentemente. Mas os jovens também não conseguem ver uma luz de esperança ao fundo do túnel. Ninguém sabe qualquer é a extensão do túnel.

Leiam a petição: Parlamento-Os Velhos do Restelo. Se concordar com a iniciativa, apoie, participe e assine.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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6 comentários em “É TRISTE! MAS TUDO ISTO É A REALIDADE DO PAÍS QUE TEMOS”

  1. Carlos Borges Says:

    Boa noite Sr. Carlos Piteira,

    Na minha modesta opinião, infelizmente ainda não paramos e vamos assistir a mais casos de fome, miséria e pobreza. Vai haver suicídios de pessoas por perderem os seus bens como a sua casa, o seu negócio, o seu emprego e exclusão da sociedade.
    Este governo é assassino pois denota-se a sua total falta de sensibilidade perante os problemas reais que o país está a sofrer.

    O que o governo quer é que os Portugueses empobrecem para pagar a dívida que os governos (e a corrupção) criaram.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Carlos Borges,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Concordo com a sua opinião, que de facto vem ao encontro deste artigo. Infelizmente, tudo o que menciona já está a acontecer.

      Quanto ao que o governo quer, acredito que nem o governo sabe o que quer ou como actuar. A incompetência do governo em gerir é que está a causar o empobrecimento. Mas é uma situação que vem de longe.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  2. Ivo Martins Says:

    Caro Carlos, li apenas o título e o primeiro parágrafo do seu post, por isto o meu comentário é o que se segue.

    “Vivemos num sistema, intitulado democracia”. A palavra chave na sua frase é: “intitulado”. Porque na verdade este sistema é qualquer coisa que não uma democracia.

    Transcrevo-lhe parte do exórdio, de José Amaro Dioníso, ao livro “Bestas De Lugar Nenhum”, de Uzodinma Iweala, que relata o destino infernal de uma criança convertida em soldado de guerra:
    “O destino desse menino que na alucinação da caminhada interminável para lado nenhum sob o peso da arma come tudo o que mexe para baldar a fome é traçado a regra e esquadro no xadrez ignóbil de (…) internacionais mais ou menos obscuras, dos partidos políticos de todas as ementas (…). São esses os predadores que alimentam e se alimentam da corrupção dos dirigentes ou candidatos a dirigentes de todo o mundo, estejam eles onde estiverem e pareçam eles brancos, pretos ou mestiços. E quem legitima essa gente somos nós com a MENTIRA ORGANIZADA DA «DEMOCRACIA». (maiúsculas da minha autoria) É à sombra do nosso voto que essa canalha de colarinho cor-de-rosa lança povos inteiros de continentes inteiros abaixo do limiar mínimo de vida. Somos nós a massa dessa mentira coberta com A FARSA DOS NOSSOS DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS (idem), com o blá blá blá galinheiro dos nossos media, com a cultura de Estado dos nossos autores, com a sabedoria jarra das nossas universidades, com a prostituição cortesã da nossa justiça, parlamentos e governos. Por isso esse menino Agu vítima e carrasco, assassino e assassinado, violador e violado, monstro e absolvido é filho pleno de cada um de nós. Agu somos nós. Agu é o troco do seu boletim de voto.”

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Ivo Martins,

      Os meus sinceros agradecimentos pelo seu comentário.

      O seu comentário, o qual público na íntegra é um exemplo perfeito da situação actual e não necessita de qualquer comentário adicional ao mesmo.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  3. Maria Alpoim Says:

    Infelizmente nós habituámo-nos a que outros façam as coisas por nós. Foi assim na vida politíca e na vida social. Antigamente nas aldeias pobres do país as pessoas aforravam porque sabiam que se não o fizessem quando estivessem doentes ninguém cuidava delas e era necessário dinheiro para pagar ao médico. Os jovens estudavam além do ensino obrigatório (6 anos) à custa das famílias que poupavam para lhes dar um futuro melhor. Quando havia um incêndio todo um povo se juntava no ataque ao fogo e não, como hoje se faz, para mirar o que está a acontecer e comentar, com um certo gosto sádico, a desgraça do alheio.Tomava-se o destino nas mãos porque sabiamos que só dependiamos de nós. Com o aparecimento dos politicos vendedores da banha da cobra tudo foi prometido a um povo, que esqueceu rapidamente os velhos ensinamentos e ensandeceu numa espiral de gastos e empréstimos porque os que resistiam eram apelidados de retrógrados pelos média. Ouvi muitos programas no forum da TSF em que se criticava abertamente a mania da poupança dos portugueses dando como exemplo a dívida do USA e da França. Apelou-se ao facilitismo nas escolas e no dia a dia. Muitos pais, jovens, pensam que ter filhos é colocá-los no mundo que alguém cuidará deles e as escolas vêm aterradas muitas crianças pequenas chegarem sem pequeno almoço e com as roupinhas vestidas do avesso porque os pais ficaram na cama e não se levantaram para lhes dar sequer um carinho, já nem sequer falando num pão com marmelada porque as novas gerações nem doces se atrevem a fazer para os filhos. Como poderemos exigir se permitimos que tudo se processasse sem protestarmos. Quem nos governa dimana do nosso povo, são cidadãos portugueses criados num mundo virtual em que não havia lugar para o sacrifício em prol dos outros, mas apenas um enorme egoismo. Como poderão compreender a responsabilidade se foram criados com a noção que alguém lhes resolveria tudo. É tempo de um povo tomar o destino em suas mãos porque está só e indefeso. Temos de voltar a fazer como os nossos avisados avós elembrarmo-nos que não há almoços grátis e quando a esmola é grande o pobre desconfia.

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    • opaisquetemos Says:

      Cara Maria Alpoim,

      Obrigado pelo seu comentário.

      O que diz é uma verdade, tanto no respeito ao passado, como no momento presente que vivemos. Mas para além do desejo de mudar de rumo, há poucas pessoas com determinação para o fazer. Os nossos políticos sabem isso e como tal não estão preocupados.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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