Tal como da uva também se faz vinho, o governo deve saber que também do trabalho se produzem receitas

24 de Outubro de 2012

Política Nacional

A política económica do aumento de imposto como forma de aumentar as receitas, está continuamente a ter efeitos contrários aos projectados pelo governo. A queda contínua da economia interna, é bastante superior aos aumentos de percentagem das exportações. Também, o aumento do desemprego contínuo, contribui para a diminuição das receitas provenientes das contribuições para a Segurança Social e com consequências graves na capacidade de consumo interno.

Ainda que as notícias continuem a demonstrar o insucesso das políticas seguidas, e o OE para 2013 esteja debaixo de fogo para ser aprovado, já se fala na previsão de novas cargas fiscais para 2013 e mesmo 2014, além das já previstas no orçamento. Esta situação é ridícula e insustentável para o país. Estamos praticamente na situação da Grécia.

Esta política económica não tem capacidade de remover o país do caos económico cada vez mais alastrado a todos os sectores económicos por todas as regiões do país.

Pensar em sermos meninos bonzinhos para voltarmos aos mercados financeiros, o mais cedo possível e contrairmos mais empréstimos para continuarmos a viver à custa de dívida, em vez de produção e desenvolvimento económico, não é viver.

Tal como da uva também se faz vinho, o governo deve saber que também do trabalho se produzem receitas.

Soluções recomendadas

  • As pressas acabam sempre por dar em devagar. É essencial o prolongamento do acordo com a troika, para além de 2014. Talvez mesmo pensarmos em 2016.
  • Reset total da economia com alguma parte das tranches recebidas da troika, serem directamente investidas na produção, na ainda possível reactivação de muitas empresas com estruturas montadas, mas paralisadas devido a falta de caixa e dívidas fiscais. A reactivação dessas empresas devolveriam postos de trabalho, contribuindo para o aumento das contribuições para a Segurança Social, para a reduções nos subsídios sociais e recuperação de consumo interno, ainda que apenas nos produtos e serviços essenciais à sobrevivência.
  • Amnistia de parte das dívidas fiscais das empresas, com possibilidades de pagamentos do restante, em conformidade com a progressão da capacidade  de cada empresa, e não com imposição de prazos e prestações insustentáveis para as empresas em função do seu desenvolvimento  a partir da reactivação das mesmas.

A continuidade com a política de aumentos de impostos, numa economia sem capacidade de consumo e nos rendimentos salariais já insuficientes para a sobrevivência das famílias, vai lançar o país numa recessão económica muito superior aos 2% ou 2,2% previstos pelo governo. Pior ainda, agrava a pressão social, tornando mesmo para o governo a incapacidade de trabalhar debaixo de fogo constante.

Um dos apelos já feitos pelo Opaisquetemos aos jovens, é para passividade nas manifestações de protestos, que para além de tumultuosas, não trazem benefícios, mas muitas vezes casualidades. Mas, com a continuidade desta política económica, que nunca irá produzir frutos, a teimosia por parte do governo, acabará por aumentar o descontentamento em todas as gerações, em que não haverá apelo, ou mesmo forças de segurança que possam conter toda a revolta sem consequências desastrosas.

UM ALERTA

A atitude por parte do CDS/PP, numa forma quase de silêncio, fazerem parte do governo e só darem breves comentários de apoio às decisões das medidas governamentais sobre os aumentos dos impostos, é como que por água fria na fervedura, para manter a coligação intacta, até ao momento oportuno que pretendem. Esse momento oportuno, que o CDS/PP espera, será muito provavelmente dentro de poucos meses quando o OE2013, começar a dar sinais explosivos, inversos aos dos planeados pelo governo. Aí procurarão as feiras e mercados, as pescas, as agriculturas e os reformados e pensionistas, prometendo que têm a solução, e com eles, tudo voltará ao normal. Basta de falsas promessas em busca do voto. Basta de governar com más intenções em busca de interesses políticos, deixando agravar cada vez mais os portugueses.

PARLAMENTO “OS VELHOS DO RESTELO”

O exposto neste comentário, são algumas das razões da iniciativa para a criação de um sistema paralelo e independente no sentido de fiscalizar, analisar, alertar e recomendar para tudo o que cada vez afecta mais as nossas vidas.

Todo o português que se sente conformado com a situação político-económica do país, este site e esta iniciativa, não se enquadram nas suas ideologias e é uma perda de tempo a sua leitura.

Aqueles, que acreditam que o país está em queda total para o abismo e que são a favor de uma mudança de rumo, político-económico, de uma forma moderada e com directrizes, a iniciativa lançada tem o propósito de sem ideologias ou interesses políticos de direita ou de esquerda, analisar todas as medidas governamentais, apresentar recomendações em relação às mesmas e alertar para tudo o que seja duvidoso acerca de políticos e partidos políticos. Também, contrariamente ao governo, que é eleito pelo povo, mas não governa pela opinião pública mas sim com base em interesses políticos e mesmo pessoais, o Parlamento “Os Velhos do Restelo”, aceitará propostas da opinião pública e fará os comentários de pós e contras das mesmas. Todas as propostas e pós e contras às mesmas serão publicados, dando o nosso parecer final.

Contrariamente ao governo, que pede cada euro que exista nos bolsos dos portugueses, esta iniciativa apenas pede o apoio de todos e a participação activa de quem esteja directamente disposto a participar. O mais importante para o sucesso desta iniciativa, é a experiência profissional e de vida de cada um e o desejo de um Portugal com futuro para nós e todas as gerações futuras.

Se esta iniciativa vai ao encontro dos vossos interesses, leia, divulgue e assine a petição “OS VELHOS DO RESTELO”.

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About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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2 comentários em “Tal como da uva também se faz vinho, o governo deve saber que também do trabalho se produzem receitas”

  1. Jorge Alexandre Campino Says:

    Caro Piteira antes de mais os meus parabéns por este site, tenho seguido os seus comentários acerca do estado da nação, e revejo-me em todas as suas opiniões, tenho seguido tambem a imprensa estrangeira sobre o estado de Portugal, visto que a nossa (sabe-se la porquê), sonega varias matérias. A unica conclusão a que posso chegar é que o nosso País encontra-se a saque e sobre dominio das mega corporações mundiais, não tenho dúvidas que tanto o sr. Passos Coelho como o Sr. Vitor Gaspar e restante governo, tem noção dos danos sociais e económicos que andam a causar. Estamos (Europa) à mercê dos ventos que sopram da Alemanha, do FMI e do BCE, que andam a fazer ou pelo menos a tentar fazer o mesmo, que fizeram à América do Sul nos anos 70. Aliás gostava, que os leitores se informassem sobre a intervençao do FMI e EUA na Argentina e Chile, e vejam, como eu vi, as semelhanças com o que se está a suceder no velho continente. Para finalizar, e para que não haja duvídas, sou uma pessoa que sempre me revi no socialismo moderado.Continuo a ser socialista-moderado? Sim Revejo-me no PS actual? Não Existe algum partido actual que votasse a favor? Nenhum. Despeço-me com um forte abraço, e com um pedido a si, Carlos Piteira, para a continuidade deste site. Obrigado.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Jorge Campino,

      Os meus sinceros agradecimentos pelo seu comentário e apoio.

      Na realidade, a situação que vivemos é uma crise global, presentemente mais a nível europeu. Concordo que os governos europeus e não só, são manipulados por grupos financeiros, muitos deles ocultos, que manipulam os governos e as condições de vida das populações. Concordo, que o governo actual está consciente da situação económica e social do país. Mas discordo da falta de visão ou incompetência de gestão. Não concordo, com a pressa de regressarmos aos mercados financeiros para continuarmos a viver á custa de empréstimos, independente dos juros que nos cobrem. Há muito que dependemos mais de subsídios e empréstimos, do que na produção e enriquecimento económico para vivermos sem depender de encontrar receitas com juros cada vez mais insustentáveis. Tornámo-nos uma fonte vitalícia de rendimentos para os nossos credores internacionais.
      Portugal, derivado à sua falta de matérias primas naturais e tratar-se de um país que há muito se dedica mais à prestação de serviços do que à criatividade e produção, tem degradado desde a entrada na Comunidade Europeia, e agravado mais a situação com a introdução da moeda única, o euro. Certamente, que abandonando agora o euro, seriam danos impensáveis para um período muito longo.
      A falta de investimentos numa frota de pesca e em indústrias como o turismo, estaleiros navais e muitas indústrias artesanais, muitas delas com entraves burocráticos, tem encerrado muitas empresas e aumentado o desemprego para números dificeis de reduzir nos próximos anos.

      O abandono da agricultura e pecuária, contribuiu para o empobrecimento da população e desertação de mais de um terço das regiões do país. Portugal é o litoral. Todas as restantes regiões, com uma maioria de cidadãos mais idosos, estão cada vez mais abandonadas e carentes de apoios sociais, como no respeitante a serviços de saúde.

      O governo fala em investimentos na economia, mas sem apresentar um programa ou dar detalhes de como entendem reactivar a economia do país. Ainda hoje, publiquei um artigo no site, sobre um investimento pelo governo na economia, mas destinado especificamente para empresas selecionadas, não para reset de uma economia que necessita de um reset com urgência, que transmita esperança de que há luz ao fundo do túnel.

      Caro Jorge, tudo a nível de concretização no país passa pela política. Mas é preciso experiência e visão. Não a tomada de decisões de semana a semana, para apenas acalmar pontualmente os ânimos, mas sim a médio e longo termo.

      A pior situação que pode acontecer a qualquer indivíduo ou a um governo, é perder credibilidade. Dizermos algo e fazermos precisamente o oposto é o mínimo que se pode fazer para ficarmos desacreditados. Esta é a situação que vivemos governo após governo.

      Não acredito que este governo ou outro indêntico, independente do partido possa a curto espaço de tempo a situação política e social que vivemos. Levou anos a chegar ao estado a que chegámos, levará anos a sairmos do estado que estamos. Mas acelerar em demasia, exigindo sacrifícios que impossibilita a sobrevivência de muitos milhões, é como um extermínio precoce de uma sociedade.

      Pessoalmente, não acredito em nenhum partido ou político. Não sou pela substituição de um governo partidário por outro. Sou pela substituição do sistema político que temos. Esperarmos por uma reforma do sistema através de uma reforma legislativa, que requer 2/3 da AR, podemos esperar sentados, porque o sistema político actual na constituição, é na protecção aos partidos. Portanto, só há dois caminhos: um, através da instauração de Governo de Salvação Nacional apartidário, como transição. O outro, mas espero que possamos evitar a todo o custo, seria através de uma revolução como o 25 de Abril.

      Caro Jorge, disponha sempre de contactar caso pretenda algum esclarecimento ou tenha dúvidas sobre qualquer dos meus artigos. Se tiver oportunidade e concordar, agradecia o seu apoio e ou participação na petição apresentada. Aceitam-se propostas para alterações ou modificações da mesma. Qualquer contacto de sua parte terá sempre resposta, ainda que possa levar uns dias.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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