A ANÁLISE DO PAÍS POR UM CIDADÃO INDEPENDENTE

9 de Outubro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

A REPÚBLICA FOI ENTERRADA

Começando pelo Presidente da República, foi demonstrado no dia 5 de Outubro, um governo cheio de medo e cobardia de exposição aberta ao povo que os nomeou para governar, quando pela primeira vez decidiram fazer as comemorações do dia da República, num ambiente fechado ao acesso do povo. Esta atitude por parte do governo é um contraste às afirmações do ministro das finanças, Victor Gaspar, que ainda há poucos dias afirmou que “…. o povo português é o melhor do mundo”. Isto demonstra a consciência de que este governo sente-se intimidado pela sua incompetência e insustentáveis medidas de austeridade, que a cada dia enterram mais o país num poço sem fundo.

O 5 de Outubro e as Intenções

Desde o 5 de Outubro, muito tem sido escrito e comentado sobre o incidente da bandeira nacional hasteada ao contrário. Acredito que não se tratou de intenção maliciosa de alguém, mas sim de uma falha humana sem qualquer intenção. Mas no ambiente degradante em que o país se encontra, tudo é levado como acto intencional de má fé.

O ambiente desolador que os portugueses vivem, é o momento ideal para muitos oportunistas tentarem ascensão nas suas carreiras políticas, usando discursos persuasivos. O discurso de António Costa, foi um discurso de ascensão política a substituto de José Seguro como líder do PS. A promessa de José Seguro a reduzir o número de deputados, é uma promessa falsa. A menos que o que prometemos dependa apenas de nós, nunca podemos prometer. Essa mesma falsa promessa foi feita por Passos Coelho, que nunca passou para além de conversa de treta.

O silêncio de Paulo Portas durante as tempestades ou as suas breves respostas com apenas uma palavra, tal como “Claro”, demonstram muito a insegurança de uma coligação em que ele concorda com o PSD, mas fica na retaguarda, aguardando um possível colapso e a sua reentre imediata a sós na corrida eleitoral. Na realidade, Paulo Portas sabe melhor que ninguém que este governo tem os dias contados. Por isso, recusa-se a ser directamente responsável pela queda do governo. Mas ao mesmo tempo, não quer ser afectado futuramente em eleições.

PCP e BE, são os não conformistas de sempre. Contestam a torto e a direito qualquer medida. Mas poucas opções válidas apresentam. Moções de censura e pedidos de demissão do governo em nada beneficiariam os portugueses a menos que houvessem opções válidas para substituição. Honestamente, nenhum dos partidos, da esquerda ou direita têm competência ou mesmo acreditação. Por isso, vamos deixar como está para agora.

Tudo isto representa apenas interesses e manipulações político partidárias, usando como pretexto o bem-estar dos portugueses. Mas a única preocupação é quem é o próximo a ser eleito.

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A INDEPENDÊNCIA PRESTES A SER ENTERRADA

Depois do enterro do dia da República, está a chegar agora, o dia do enterro da Restauração da Independência, o 1.º de Dezembro. Na realidade, a um ritmo bastante acelerado, já perdemos a autonomia de sobrevivência e estamos no caminho de perder a nossa independência e dependermos em todos os âmbitos – económico, financeiro e mesmo social, do domínio dos países ricos da Europa e talvez não só europeus. Na realidade, Passos Coelho ao decidir eliminar também o dia da Restauração da Independência, tal como disse ainda ontem “…nós sabemos para onde vamos”, sabia que a nossa independência estava com a sua governação em risco de ser perdida. Para quê continuar a celebrar tal dia no futuro?

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PASSOS COELHO: “ NÓS SABEMOS PARA ONDE VAMOS”

Será que Passos Coelhos sabe para onde está a levar o país? Duvido!

Este governo deixou de ver o caminho e está caminhando cada vez mais a apalpar o percurso passo a passo, procurando manter-se a todo o custo na governação.

Esta manhã, a opção apresentada pelo governo do despedimento de cerca de 50 mil funcionários da função pública para cortes nas despesas, está muito além das previsões do aumento de desemprego previsto anteriormente para 2013. Com uma previsão recente de 16,4%, supostamente relacionada apenas ao sector privado, estas mais demissões determinadas pelo governo, não cabem na diferença entre o desemprego actual de 15,9% e o desemprego previsto até final de 2013 de 16,4%, igual a 0,5%. Na semana anterior eu previ um desemprego no final do próximo ano para 18%. Feliz de nós se ficar por aí.

Mas, sabe Passos Coelho para onde vão estes 50 mil portugueses? Vão para as filas do desemprego. Estes 50 mil da função pública, mais 100 mil novos despedimentos do sector privado, vão diminuir as receitas e aumentar as despesas da segurança social devido à entrega de menos contribuições e ao aumento de mais encargos com subsídios de desemprego e sobrevivência. Vão diminuir a capacidade de consumo, mesmo para produtos e serviços essenciais à sobrevivência. Vão diminuir ainda mais a economia nacional. Vão contribuir mais para a revolução social. Vão contribuir mais para a insegurança pública do país.

Para além da minha contestação sobre os despedimentos da função pública, nunca fui nem sou funcionário público. Sou apenas um cidadão independente que não diferencia portugueses entre classes pública, privada, civil ou militar. Vejo os portugueses como um todo que enfrentamos os mesmos problemas. E só unidos, sem atribuirmos culpas uns aos outros, poderemos contribuir para  um futuro melhor do que o presente. Senão para nós, para gerações futuras.

Este governo está a caminhar com uma pala nos olhos como os cavalos. Aconselho ao governo a remover a pala dos olhos e terem uma visão mais ampla sobre opções para gerir o país.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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10 comentários em “A ANÁLISE DO PAÍS POR UM CIDADÃO INDEPENDENTE”

  1. Antonio P Conceicao Says:

    “Não há nenhum partido com alguém à altura de governar”

    Verdade dita. Portugal e neste caso a Europa precisa de um “leader” urgentemente!

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    • opaisquetemos Says:

      Caro António Conceição,
      Obrigado pelo seu comentário.
      Estou de acordo consigo de que a Europa precisa de um leader urgentemente. Mas certamente que é difícil encontrar alguém com esse estatuto de estadista. Para chegar a uma posição de leader europeu, seria necessário ser do agrado de todos aqueles que agora têm voto na matéria. Isso para já, teria de ser um “yes man”.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  2. Luís Says:

    A sua previsão de desemprego é baseada em que? É que tenho sérias duvidas que o senhor tenha material que sustente essa opinião.
    E ao contrário do que muita gente aparentemente pensa há uma série de modelos matemáticos e de raciocínio lógico que se traduz depois na tomada de medidas que o país vai tomando conhecimento. As coisas não são feita a olho e decididas de hoje para amanha. Os anúncio que são feito hoje sobre o OE já vêm a ser pensados há muitos meses com bastantes cálculos associados e discutidos com a troika e com outros parceiros para que as previsões sejam o mais correctas possível e a economia seja puxada para onde quem a pensa quer que ela se posicione.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Luis,
      Obrigado pelo seu comentário, ao qual passo a responder.
      A minha previsão de desemprego é baseada em experiência e com base das falhas consecutivas nas estimativas do desemprego, nos últimos quatro anos. Apesar dos conhecimentos vastos dos especialistas na matéria, constantemente erram as estimativas, sendo obrigados a rectificações constantes sempre no sentido negativo da situação. Com o actual governo, caso não esteja errado, já houve pelo menos três rectificações sobre as estimativas do desemprego e sempre agravando mais as percentagens previstas anteriormente. Por isso, ou aplicam as formulas matemáticas e raciocínio lógico que não corresponde aos cálculos que pretendem executar, ou não as sabem aplicar. Mas no respeitante a este ponto da percentagem do desemprego, o tempo será o juiz na resposta mais precisa. Aguardemos até lá.

      Quanto ao que o Luis menciona:

      “As coisas não são feita a olho e decididas de hoje para amanha. Os anúncio que são feito hoje sobre o OE já vêm a ser pensados há muitos meses com bastantes cálculos associados e discutidos com a troika e com outros parceiros para que as previsões sejam o mais correctas possível e a economia seja puxada para onde quem a pensa quer que ela se posicione.”

      Quanto todos nós desejaríamos que as coisas não fossem feitas a olho, ou feitas sobre o joelho e decididas de hoje para amanhã? Infelizmente, os anúncios de medidas que vêm sendo feitas há semanas e pensados há muitos meses por economistas e governantes iluminados, com bastantes cálculos associados e discutidos com a troika e outros parceiros, têm sido modificados ou rectificados inúmeras vezes. Na realidade, todas as previsões feitas com a troika e outros parceiros, com base em uma série de modelos matemáticos e de raciocínio lógico, têm tido ao longo do ano um efeito oposto ao desejado. Ao longo do ano de 2012, todos esses estudos e fórmulas sofisticadas em vez de terem baixado a dívida e o défice como suposto, foram no sentido oposto. Quantas rectificações já foram feitas ao orçamento de 2012? Quantos sacrifícios foram pedidos aos portugueses para pagar pelos erros nos modelos matemáticos e raciocínios lógicos? Se vêm pensando há tantos meses com cálculos associados, como é possível que ainda estão a trabalhar a contra relógio e com tanta incerteza e insegurança sobre o impacto do OE para 2013? Quantas vezes esse esperado orçamento será modificado, sempre para pior, ao longo do ano a que se destina?

      Caro Luis, o erro das previsões não está nas fórmulas matemáticas se forem aplicadas as adequadas com valores reais e não virtuais ou especulativos, para inglês ver. O erro das previsões está na incompetência por falta de experiência dos nossos governantes, economistas e gestores associados, que analisam e decidem apenas com base nos resultados matemáticos, não tomando em conta os efeitos contrários. Nem sempre dois e dois são quatro. Há casos em que a precisão está em desprezar as estatísticas e probabilidades.

      Caro Luis, respeito os seus conhecimentos teóricos e práticos sobre economia, matemáticas, estatísticas e raciocínio lógico. Mas não permito que me tente dar um atestado de ignorância. Para além, dos meus conhecimentos, de aritmética, matemática, cálculos, contabilidade, estatísticas e mesmo raciocínio logístico como especialista em áreas de ciências, possuo algo que nos diferencia. Os seus conhecimentos baseiam-se unicamente em teorias e talvez, alguns meses ou um ano de prática.Perdoe-me se errei o tempo que tem de prática. No meu caso, para além dos meus conhecimentos académicos, possuo muitos anos de experiência em casos presenciados e vividos. Também, o seu comentário foi como que alguém defendendo as medidas governamentais no âmbito financeiro. Eu não estou aqui em representação do governo, de partidos políticos ou interesses de grupos económicos. Os meus comentários são como cidadão independente e se represento alguém, esse alguém é o povo português a quem pertenço.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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      • Luís Says:

        Concordo!

        Exemplo:
        Passam 10.000 carros nas SCUT por dia.
        Vamos colocar portagens a 1€ por cada passagem, o que equivale a 10.000 Euros/dia (Cálculo matemático complicado e teórico!)
        Realidade -> mais de 50% dos carros evitam portagens das agora Ex-SCUT, porque afinal os utilizadores também sabem pensar e moderar custos.

        Conclusão: O Governo falha nas previsões de orçamentação, pois houve uma perda não prevista… dahh

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      • opaisquetemos Says:

        Caro Luis,

        Obrigado pelo seu comentário.

        Na realidade, o governo tem falhado em todas as previsões até à data. Razão pela qual os resultado das políticas e medidas de austeridade têm ido no sentido inverso aos objectivos.

        Sinceramente,

        Carlos Piteira

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    • raul Says:

      Mota Amaral, em boa altura, dá uma boa resposta, oportuna e adequada:

      “O episódio da TSU é um erro de palmatória que foi corrigido logo a seguir”, afirmou aos jornalistas Mota Amaral, à margem de uma ação de campanha do PSD para as eleições regionais açorianas de 14 de outubro.

      Admitindo que existem alguns erros na Governação, que o “povo reconhece”, Mota Amaral sublinhou que o executivo PSD/CDS “tem vindo a emendá-los com humildade democrática”.

      Quanto ao Orçamento do Estado para 2013, Mota Amaral prefere “aguardar com paciência” o documento final, para o “poder adjetivar, antevendo “que irá haver muitas modificações até lá” no seu conteúdo. “Tenho que dar um desconto nas declarações que vêm do Governo e em especial do Ministério das Finanças, porque se tem verificado que um dia é uma coisa e no dia seguinte já é outra”, acrescentou Mota Amaral, que pediu também uma mudança de discurso político em relação à crise financeira.

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      • opaisquetemos Says:

        Caro Raul,

        Obrigado pelo seu comentário.

        Estou de acordo com Mota Amaral. Há muitos erros de palmatória por parte do governo, que contribuem para reacções sociais, devido ao descontentamento que causam no povo.

        Há algumas horas, respondi a um comentário de um dos comentadores ao meu artigo, em que o senhor afirmava que todas os anúncios do governo, são com base em formulas matemáticas e raciocínios lógicos ao longo de muitos meses de estudo. Qualquer pessoa com um pouco de experiência da vida, compreende que isso não é o caso. Para começar o nosso primeiro-ministro possui um CV com muitos cargos de administrador mas sem experiência demonstrada. Muitos dos ministros a cargo das pastas mais mediáticas, poderão ser bons catedráticos, mas sem experiência na vida real. Sim, é cedo demais para analisarmos um orçamento ainda não apresentado.

        Sinceramente,

        Carlos Piteira

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    • raul Says:

      Adivinhe quem escreveu hoje isto?

      Austeridade: “Grande parte” dos ministros não têm “experiência de governo” nem de gestão.

      Pedro Passos Coelho escolheu para o seu Governo “pessoas que conhecia”, e “salta à vista que grande parte [dos ministros] não tem experiência de governo”, pensa João Salgueiro.Além disso, com exceção de “duas ou três pessoas”, a experiência de gestão dos ministros “é limitada, só de empresas pequenas ou médias”. No entanto, acrescenta Salgueiro, “ninguém está interessado em que o Governo caia”: “Nem a oposição, nem o Presidente da Republica, nem a União Europeia, nem o Fundo Monetário Internacional.”Isso porque a atual situação do país é “complicada”, e todas estas instituições preferem que “sejam outros a tirar as castanhas do lume”.

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      • opaisquetemos Says:

        Caro Raul,

        Obrigado pelo seu comentário.

        Na realidade, também não estou a ver o interesse em este governo cair, para o substituir por outro idêntico ou mesmo pior. Não há nenhum partido com alguém à altura de governar. Remodelação de algumas caras no governo por outras seguindo as mesmas políticas, não vai modificar a visão governamental. Não conheço capacidade e imparcialidade no Presidente da República para nomear um Governo de Salvação Nacional. Por isso, entre um mau governo ou uma anarquia, é preferível um mau governo. Mas não devemos de dar carta branca aos nossos governantes. Compete a nós portugueses, apresentar opções para uma substituição não de um governo por outro, mas de substituição da Constituição política portuguesa.

        Temos de passar a tomar participação activa na governação do país, em vez de nos limitarmos a comentar e criticar. Um velho professor disse-me um dia que: ” Devemos aceitar críticas de quem possa e consiga fazer melhor, não de quem saiba mais”.

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