A ANÁLISE DAS NOTÍCIAS POR UM CIDADÃO INDEPENDENTE

1 de Outubro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

Segundo a comunicação Social, as novas medidas foram acordadas no final da semana passada com a Comissão Europeia

O porta-voz dos Assuntos Económicos da Comissão Europeia indicou hoje que as medidas alternativas introduzidas no programa de ajustamento português para compensar o recuo na Taxa Social Única (TSU) foram acordadas com a ‘troika’ no final da semana passada.

Esta actuação por parte do PSD, não é diferente da que o PSD discordou com o PS, quando o governo de José Sócrates levou à aprovação a Bruxelas o PEC IV, sem informar o maior partido da oposição e os cidadãos. Isto não passa das mesmas discussões entre comadres ou peixeiras no mercado, com a diferença que isto significa que estes governos tentam a todo o momento enganar cerca de 10 milhões. Independente do partido no governo e das caras, a trampa da falta de transparência para com os cidadãos é sempre a mesma. A ignorância, palavra em voga, dos nossos governantes é tal, que dificilmente conseguem aprender a lição e não mais esquecer.

No entanto, até ao lavar dos cestos é vindima. Pelo facto do acordo ser aprovado por Bruxelas, não significa que o mesmo terá a aprovação do povo e da AR. Pelo facto de não termos conhecimento sobre as novas medidas em substituição da TSU, não devemos fazer qualquer comentário, muito menos criticismo, até conhecimento na íntegra sobre o que foi acordado nas nossas costas. A impulsividade do BE e PCP em apresentarem uma moção de censura, sem mais factos é para já demasiado exagero de actuação com a cabeça quente, para aproveitar o momento em benefício próprio.

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A IGNORÂNCIA DE ANTÓNIO BORGES

No sábado passado, António Borges considerou que a medida do Governo sobre a Taxa Social Única (TSU) era “inteligente” e que os empresários que a criticaram  eram “ignorantes” e não passariam no 1º ano do curso de Economia. 

Raramente, me disponho a fazer comentários exclusivos a um indivíduo tão leigo em matérias específicas. Mas neste caso sobre António Borges, o consultor do governo para as privatizações, o que deixa os portugueses preocupados sobre como as mesmas são realizadas, quero escrever umas breves palavras para expressar a ignorância, arrogância e a incapacidade de diferenciar desta pessoa, mesmo na sua especialidade de economia, sobre o que está certo e o que está errado e porquê. A maioria dos economistas que desempenham funções ligadas ao governo, não se podem considerar muito inteligentes. Mas possuem um nível de esperteza para persuadir e camuflar, ainda que temporariamente, as suas decisões. Infelizmente, António Borges não tem nada de inteligente nem mesmo de esperto.

O que acabo de afirmar não se trata de uma opinião minha ou mesmo a nível nacional. A opinião que acabo de afirmar foi mesmo demonstrada no âmbito internacional, numa entrevista por António Borges, dada à BBC: http://www.youtube.com/watch?v=Bi6YjsqyiRg&feature=plcp

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Maquinistas da CP em greve de duas horas por dia contra “espoliação dos salários” 

Concordo com o direito à greve. Mas há greves, como a dos transportes públicos, que afectam mais o cidadão mais desfavorecido, que depende dos mesmos, do que o governo ou as empresas de transportes. Com todo o respeito pelos sindicatos e trabalhadores, a minha opinião, e experiência vivida, sobre os protestos dos transportes públicos, teria mais impacto se nesses dias ou períodos destinados á greve, todos os transportes funcionassem mas sem cobrança ou a validação dos bilhetes previamente adquiridos pelos utilizadores dos transportes. Essa forma, demonstraria às empresas o custo e significado de trabalhar sem ser compensado e obtinha mais apoio, em vez de contestação, por parte do público em geral. Os únicos totalmente prejudicados seriam as empresas, sem danos ou transtorno para os utentes.

Essa foi uma das medidas de protesto da carris, no tempo do Estado Novo, quando era impensável o direito à greve. Durou pouco mais de 2 dias até o Estado ter colocado forças de segurança dentro dos transportes com cães, mas foram aceites algumas das propostas dos trabalhadores .

Referência:

http://cdi.upp.pt/cgi-bin/cronologia.py?ano=1968

Os trabalhadores da Carris recusam-se a cobrar bilhetes (greve da mala)

Julho de 1968
Os trabalhadores da Carris, em Lisboa, recusam-se a cobrar bilhetes “greve da mala” e ao fim de 3 dias conseguem um aumento diário de 20 escudos e o compromisso da revisão da contratação colectiva, assumido pela administração da empresa.

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POSSIBILIDADE DE UM SISMO DE ENORME PROPORÇÕES EM LISBOA É REAL

Durante a semana passada, cerca de 3 mil especialistas e investigadores de diversos países, estiveram reunidos em Lisboa na 15ª Conferência Mundial de Engenharia Sísmica. Este evento tem lugar de quatro em 4 anos, sendo normalmente escolhida uma cidade com tendências a terramotos.

O professor do IST, Mário Lopes, foi uma das vozes críticas, salientando a falta de legislação na área de reabilitação urbana e a falta de fiscalização nas construções, como os principais problemas. Responsabilizou também a falta de atenção por parte dos políticos em medidas de prevenção para reduzir os riscos. O Laboratório Nacional de Engenharia prevê que um sismo de grande intencidade poderá causar entre 17 mil a 27 mil mortos.

Se imaginarmos, que uma tragédia desta natureza acontecesse amanhã, o PS e restante oposição, acusaria de culpas o actual governo. O mesmo acontecerá ao PS ou outro partido que esteja no governo, num futuro que isso possa acontecer. Mas na realidade, todos os políticos serão responsáveis.

Vou deixar aqui como exemplo da falta de visão sobre assuntos desta natureza, um projecto planeado para a cidade de Lisboa

Está planeado para Lisboa, a construção de um hospital Central, denominado o Hospital de Todos os Santos, que irá eventualmente substituir a maioria dos hospitais públicos na capital. O projecto desse hospital é para ser realizado na zona de Chelas, área muito afectada por inundações. Na eventualidade de um terramoto de grandes proporções, a zona de Chelas, como todas as restantes nas proximidades do Tejo, poderão ser das áreas de Lisboa com maiores probabilidade de serem seriamente afectadas. Independente do hospital vir a ser construído á prova de sismos, todos os acessos ao mesmo poderão ficar totalmente inacessíveis nos primeiros segundos, incapacitando o acesso para apoio clínico às vítimas. Acredito que o local escolhido para construir o dito hospital foi escolhido sem pensar numa situação de um desastre natural desta tipo. Tal construção devia ter sido planeada para uma das zonas mais altas da capital. Também, unidades de emergências, como bombeiros e forças de segurança localizadas na parte baixa da cidade, nas proximidades do Tejo, poderão ficar incapacitadas de prestar serviços de socorros nos primeiros instantes. Infelizmente, há sempre falta de visão em planeamento. Depois dos incidentes, muitas vezes trágicos como numa situação destas, fazem-se inquéritos para saber o que correu mal e quem responsabilizar. Então, é tarde demais.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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4 comentários em “A ANÁLISE DAS NOTÍCIAS POR UM CIDADÃO INDEPENDENTE”

  1. Maria Alpoim Says:

    Concordo consigo Carlos Piteira. Os jovens da Frente Nacional Monárquica comportam-se infantilmente porque parece que ignoram que estamos na UE e que não é possível um pronunciamento sem graves consequências de reconhecimento político e económicas.
    Tal qual o BE e o PCP que querem de uma rajada rasgar acordos sem falarem nas terríveis implicações económicas e financeiras que isso teria para o País dado estarmos no euro.
    Contudo, estou crente que o regime democrático dificilmente se aguentará se a Justiça continuar a não funcionar e a legislação continuar a não criminalizar os políticos por gestão danosa e enriquecimento elícito. Pior que o empobrecimento é a noção de profunda injustiça que diariamente se abate sobre um povo.

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    • opaisquetemos Says:

      Cara Maria Alpoim,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Concordo plenamente sobre as suas reflexões em todos os pontos apontados.
      Aos longo dos tempos tenho recebido comentários um incitando à revolta com violência outros, ainda que no apoio a meus comentários, mas com emprego de obscenidades. Por uma questão de princípios, recuso a publicação de tais comentários.

      Dei início a este site em 2008 quando compreendi que era necessário intervir activamente nos acontecimentos que afectam as nossas vidas, recusando dar cheque branco aos políticos. Estou disposto a participar activamente numa mudança de rumo político e eventualmente sujeitar-me a riscos ou consequências que possam daí advir. Mas acredito em condições moderadas e com participação de toda a sociedade portuguesa, sem diferenciação entre funcionários públicos e privados, ou entre civis e as forças de segurança pública e militares. Recuso-me também, em participar em manifestações de protesto que envolvem partidos políticos.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  2. opaisquetemos Says:

    Caros Senhores,

    A vossa sugestão de invadir a Assembleia da República para acabar com o regime, será que têm um sistema em mente para instalar? Monarquico? que tipo de propostas para um novo sistema político? que tipo de governação propoem? Ou estamos apenas em busca de um governo identico ou pior do que o actual? ou de anarquia?
    Não estou de acordo de mudar só por mudar, muito menos de instalar uma anarquia. Mudar de regime sim! Mas dentro de uma modificação da constituição política do país.

    Sinceramente,

    Carlos Piteira

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  3. Frentre Nacional Monárquico Says:

    Convite: 5 de Outubro invadir a Assembleia da República e acabar com o Regime!

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