O GOVERNO PRETENDE A LEI DA EUTANÁSIA PARA BENEFÍCIOS ECONÓMICOS

27 de Setembro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

Segundo a Renascença e outros meios de comunicação, o Conselho de Ética para as Ciências da Vida, emitiu um relatório, aconselhando o governo a racionar os medicamentos para SIDA, cancro e doenças reumáticas, de modo a gastar menos.

Nada mais cruel em tempo de paz, por muita crise que possamos atravessar, do que a palavra racionamento, em tudo que diga respeito ao tratamento de doenças.

Esta notícia fere a sensibilidade de qualquer ser humano, mas particularmente dos pacientes, familiares e amigos. Destrói as poucas esperanças e a luta pela vida de quem sofre dessas doenças. Demonstra um desrespeito total pela vida. Demonstra que a escumalha que governa este país, coloca o valor da vida dos cidadãos abaixo dos interesses económicos.

Esta notícia demonstra que o governo pretende aprovar a lei da eutanásia no país, não para consentir o direito ao doente em sofrimento terminal, a opção da sua própria escolha de por termo ao sofrimento. A intenção dos nossos governantes, é promover algo como a lei da eutanásia, no sentido de reduzir custos na saúde, limitando aos doentes, a possibilidade de acesso a medicinas e meios biotecnológicas avançados, alegando que as esperanças e o pouco tempo que lhes resta de vida, segundo estatística da doença que os aflige, não justifica que o governo desperdice mais verbas, afectando mais o orçamento de Estado. Isto é o tipo de engenharias de economia do 3.º mundo.

Lamento que o Conselho de Ética para as Ciências, a pedido do Ministro da Saúde, se preste a emitir um relatório, desprezando o interesse pela vida em benefício de interesses políticos e económicos. Desconheço se são médicos, cientistas, intelectuais, políticos ou amigos de políticos que fazem parte deste Conselho de Ética. Mas estou certo que o estudo apresentado tem de tudo menos de ética das ciências. Nem o actual ministro da saúde, Paulo Macedo, pessoa totalmente ignorante em assuntos de medicina e saúde pública, nem nenhum outro governante ou economista, tem competência ou conhecimentos para decidir quando basta de tratamento para manter a esperança de mais alguns dias ou mesmo horas de vida, se esse for o desejo do doente.

A maioria dos portugueses saiu pela primeira vez à rua, passados 38 anos desta farsa de democracia, indignados pelas últimas medidas de austeridade anunciadas, nomeadamente a TSU.

A notícia que veio a público hoje, sobre a qual estou a escrever, indignou-me muito para além da TSU. Não porque eu ou alguém da minha família tenha sofrido de alguma das doenças em causa, o que felizmente não aconteceu, mas nunca se sabe o dia de amanhã. Mas a maioria dos portugueses tem um familiar, vizinho ou mesmo amigo distante, vítima do sofrimento que essas doenças causam. Acredito que a vida, é o bem mais precioso da vida de cada um de nós. Por isso, não podemos ficar calados à mercê das decisões políticas dos governantes.

Que a saúde pública e o aumento de certos grupos de doenças viessem a aumentar com a crise, não era surpresa para mim, conforme já tinha referido no meu artigo intitulado: “ESTAMOS PERDIDOS. O GOVERNO TEM UMA PROCURAÇÃO COM PODERES ABSOLUTOS”. Mas que o governo fosse de tão baixos escrúpulos e sem qualquer tipo de pudor, que procurasse cortar custos orçamentais, em doentes de algumas das mais dolorosas e terríveis doenças dos nossos tempos, isso era impensável.

Fui emigrante durante perto de 30 anos. Senti sempre orgulho em dizer que era português. Sempre que a oportunidade surgia, gostava de falar do meu país, das nossas terras, dos nossos costumes e da nossa história, aqueles que desconheciam Portugal.

Esse orgulho sobre a minha terra, Portugal, nunca diminuiu. Mas hoje, a vergonha de ser governado pelo sistema político instalado no país e governos de oportunistas, incompetentes e alguns mesmo corruptos, protegidos por leis por eles aprovadas, é cada vez maior. Hoje, sinto um desejo de revolta e dizer ao mundo que tipo de governantes temos e até onde eles podem ser acreditados. Pelo menos em Portugal, a cada dia têm menos ou nenhuma acreditação. Mas apesar de o sistema ser definido como democracia, o povo não tem poder. O órgão definido como o símbolo da democracia e representantes do povo, a Assembleia da República, não representa o povo, mas sim os partidos políticos, por quem foram escolhidos. Os votos não são da consciência de cada deputado, mas de acordo pelo exigido pelos interesses partidários.

Agradeço a todos os portugueses, espalhados por todos os cantos do mundo a divulgação do artigo, através de nacionais desses países, de modo a chegar a todos os meios de comunicação social. Talvez seja a única forma que possamos, para impedir a violação dos direitos humanos e do direito de lutar pela vida a todos aqueles que sofrem dessas doenças.

Desde já, como português e emigrante, o meu mais sincero agradecimento pela vossa atenção e apoio na divulgação.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

Ver todos os artigos de Carlos Piteira

Subscrever

Subscribe to our RSS feed and social profiles to receive updates.

3 comentários em “O GOVERNO PRETENDE A LEI DA EUTANÁSIA PARA BENEFÍCIOS ECONÓMICOS”

  1. Robert Says:

    No Brasil, essa lei também foi aprovada a pouco tempo pela comissão de ética medica. Há um lado bom nisso, uma vez que caso a pessoa não tenha mesmo chances de sobrevivência, pelo menos poderá, talvez, aproveitar seus últimos dias sem a necessidade de tomar remédios ou tratamentos evasivos que poderiam deixa-lá ainda em um estado mais mal. Por outro lado, deve-se lembrar que quem diz que o paciente tem ou não uma chance cura de, é um médico. Seres humanos, não são perfeitos, logo errar é recorrente, e poderia, sim, haver péssimos diagnósticos e o que poderia levar a pessoa decidir sua morte precipitadamente, enquanto ela tinha chances de sobrevivência.
    Eu sou a favor da Eutanásia, desde que haja consentimento de todos (paciente e de sua família), visto que seria um ato egoísta da família deixar seu ente querido sofrendo, ou então o paciente decidir por conta própria seu fim, sem se importar com aqueles que o ama.

    Gostar

    Responder

  2. Maria Alpoim Says:

    A defesa do testamento vital e da eutanásia pela Comissão de Ética para as Ciências da Vida está perfeitamente sintonizada com esta última proposta de racionamento.Desgraçadamente parece que se esquecem que 1 em cada 3 pessoas irá sofrer de cancro e a probabilidade deles ou de membros das suas famílias sofrerem da patologia é elevada. Mas, esta Comissão dita de ética não fala em racionar os abortos, mamoplastias estéticas e lipoaspirações (tenho conhecimento concreto do que estou a escrever) que o SNS gratuitamente faz a meninas de shoping porque rendem votos ao contrário de doentes com artrite reumatóide, sida e cancro que muitas vezes não têm forças para ir votar.

    Gostar

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s