A ANÁLISE DAS NOTÍCIAS POR UM CIDADÃO INDEPENDENTE

26 de Setembro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

UM GOVERNO DE INCOMPETÊNCIA A GERIR NO SENTIDO OPOSTO AO OBJECTIVO

Com todas as medidas de austeridade aplicadas, mesmo para além do recomendado pela troika, o governo contínua no sentido inverso ao objectivo de baixar o défice. As contas públicas portuguesas continuam a piorar. O défice do subsector Estado e o da Segurança Social mantêm a tendência de agravamento. Os números da execução orçamental relativos ao mês de Agosto mostram que a despesa aumentou. Ocrescimento da receita abrandou, com os impostos sobre o consumo, como o IVA, a registarem quedas acentuadas, apesar do aumento do IVA sobre a indústria da restauração e produtos alimentares básicos.

Muito da sustentação do défice até ao momento presente, deve-se ainda à transferência da parte remanescente dos fundos de pensões dos bancários, no valor de 2,68 mil milhões, que fez disparar em 252,8% as receitas de capital. Também, o corte dos subsídios de férias dos funcionários públicos, veio beneficiar as contas do governo. Sem estas receitas pontuais, a situação do défice demonstraria uma situação mais crítica e real das verdadeiras contas do Estado.

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UM FALSO OPTIMISMO EM REDOR DOS INDICADORES NACIONAIS

Segundo um artigo ontem no Financial Times, intitulado “Falhando na manutenção do rumo”, os indicadores sugerem que tudo se está encaminhando na boa direcção. Os juros nos títulos a 10, cinco e dois anos estão bem abaixo dos máximos de 2012. Mas que uma análise mais profunda demonstra que o país caminha aceleradamente para alguns dos piores factores da Grécia e Irlanda. O Financial Times, acredita que o rumo de gestão política em que Portugal se move, demonstra tendências para as metas acordadas com os credores virem a ser falhadas.

A opinião deste jornal britânico vem ao encontro do nosso parecer no artigo acima publicado.

O mesmo jornal afirma, que Portugal tem beneficiado de todas as atenções estarem atentas sobre a crise em Espanha.

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Autarquias admitem contrariar decisão do Governo sobre as fundações

A filosofia, de o governo deve cortar aqui e ali tudo bem, desde que não corte no que é nosso, está errada.

É essencial cortar despesas nas fundações, que são supostas existirem através de fundos próprios. O governo não pode cortar apenas nos rendimentos dos contribuintes. Há que cortar em despesas que são neste momento insustentáveis ao país. Cortar nos contribuintes por todos os meios, para sustentar fundações, instituições e parcerias Público Privadas, PPP que apenas beneficiam uns tantos, e ainda contribuem para centenas de milhões de euros em despesa, está fora de questão. O governo tem sido demasiado lento e leve sobre toda esta situação. Talvez, se tivesse actuado de imediato logo após ter tomado posse governamental, estaria agora com menos pressão e mais compreensão por parte dos portugueses. O governo deve, com maior aceleração, ir mais profundo sobre esta matéria e sobre mais de 80% das PPP. Qualquer autarquia que se oponha a decisões do governo no sentido de cortes a fundações, ou outro tipo de instituições ou PPP, deverá ficar sujeita a perda de verbas do governo. Caso contrário, Não nos Governamos, nem nos deixamos Governar.

O CONTRASTE DE NOTÍCIAS QUE REVOLTA, MESMO O MAIS PACÍFICO

Ex-gestores da ERSE podem receber dois anos após saírem

Publicado ontem em Diário da República, o novo estatuto da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) indica que, depois do termo do seu mandato, “os membros do conselho de administração ficam impedidos, durante um período de dois anos, de estabelecer qualquer vínculo de natureza laboral, contrato de prestação de serviços ou qualquer relação, directa ou indirecta” com as empresas ou organismos regulados pela instituição.

Quem irá controlar e como, estes administradores durante dois anos?

Certamente que quem queira trabalhar, com as aptidões destes ditos administradores, posições não lhes falta de emprego, ainda que fora do mesmo sector de actividade. Em tempo de crise há que deitar a mão ao que for possível encontrar. Em última hipótese, sigam o conselho do senhor primeiro-ministro para os portugueses: emigrem.

Esta notícia em contraste com esta no mesmo dia:

Ministro quer voltar a baixar indemnizações por despedimento

O ministro da Economia não ficou satisfeito com a redução de 30 para 20 dias de indemnização por cada ano de trabalho para as compensações por despedimento por mútuo acordo, até um tecto de 12 meses de retribuição, não podendo o limite máximo mensal ser superior a 20 rendimentos mínimos garantidos.

Muitos dos despedidos ficam no desemprego por tempo indefinido, mesmo para além dos dois anos.

Como é possível o governo ser tão tolerante, compreensível e disponível economicamente para administradores, com salários mais de 10 vezes superiores à média dos trabalhadores nacionais e ser tão impetuoso com os despedimentos da maioria dos portugueses?

Assim, com este tipo de diferenciação ou tratamento, o país não pode acalmar. O governo não pode exigir as mesmas obrigações e responsabilidades na crise em termos de igualdade para todos e benéfico para uma classe pequena de privilegiados e opressor dos mais fracos, a maioria.

Conforme mencionado no cabeçalho, “este site não tem o propósito de falar contra o governo…, mas sim o objectivo de expor acontecimentos que estão relacionados com a actualidade e a vida de todos os cidadãos”. Apoiámos aqui o governo e, exigimos mesmo mais, no comentário acima, “Autarquias admitem contrariar decisão do Governo sobre as fundações”. Mas neste comentário, sou contra as medidas discriminativas nas desigualdades cada vez maiores entre os portugueses privilegiados e, os apenas portugueses.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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2 comentários em “A ANÁLISE DAS NOTÍCIAS POR UM CIDADÃO INDEPENDENTE”

  1. Sandy Sennin Says:

    Verdade que um governo como este (tal como os anteriores) que aprova medidas que favorecem os “amigos” ou mesmo o lugar que pretendem ocupar no futuro pós cargo governativo não precisa que falem contra ele.
    Ele mesmo trata de agir de forma a que a simples constatação de um facto se vire contra o rumo que traçam com interesses cada vez menos dúbios!

    Para mim, cidadão ainda ignorante, só há duas linhas gerais explicativas: ou este tipo de medidas obedece a interesses deles e de terceiros e o fazem com plena consciência e na esperança que entre a confusão tudo passe; ou então vivem num mundo de loucura e não percebem muito bem o que estão a fazer!

    De qualquer forma, mais uma vez os parabéns pelo blog. É informativo e de uma leitura agradável!

    O cidadão anónimo Sandy Sennin 🙂

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    • opaisquetemos Says:

      Cara Sandy,

      É verdade! Tal como já foi dito por outros, este governo e os anteriores, demonstram ser fortes para os fracos e fracos para os fortes. Procuram não afectar as sua próprias oportunidades para o futuro após terminarem o mandato de governantes.

      O salto da ditadura do Estado Novo, para este sistema instalado a que chamam democracia, aconteceu quase que do dia para a noite, sem os portugueses terem noção dos seus direitos e obrigações no novo sistema.

      A maioria dos portugueses nunca tiveram conhecimentos da estrutura do governo português, conforme consta na constituição. Tal como o comentador Marcelo Ribeiro de Sousa afirmou no seu comentário semanal da TVI, no passado fim de semana, são poucos os potugueses que sabem o que é o Conselho de Estado, como é composto e quais as suas funções. Na realidade, não passam de simples conselheiros do Presidente da República, sem qualquer poder executivo ou legislativo para além da opinião pessoal de cada um deles. A faca e o queijo está apenas na mão do PR.

      A maioria dos portugueses sabem o total dos deputados da Assembleia da República. Mas desconhecem quem são os deputados dos seus distritos.

      Estas são as razões porque em Portugal, contrariamente ao que acontece em outros países, como com a Irlanda no tratado de Lisboa, os portugueses não têm votos em referendos, porque os governantes sabem que o povo está a kms de distância de conhecimentos sobre a vida política do país.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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