É PRECISO MUDAR DE RUMO. MAS COMO?

13 de Setembro de 2012

O PAÍS QUE TEMOS

A política deste governo, liderado por Passos Coelho, está a lançar o país na miséria, na revolução social e numa crise política, talvez maior do que o 25 de Abril.

Há meses atrás, publiquei o CV do nosso primeiro-ministro, Passos Coelho, o qual volto a deixar aqui o link. Para além de ter terminado uma licenciatura aos 37 anos, ter sido o Presidente da juventude do PSD, desempenhado cargos dentro do PSD e de após a licenciatura, ter desempenhado funções de administrador de empresas de amigos, em parte alguma do seu historial estão apresentadas aptidões ou funções de experiência de vida e trabalho, que lhe confiram provas de competência para ter a capacidade de liderar o país. O seu historial como primeiro-ministro durante o primeiro ano de mandato, confirmam o que atrás afirmei.

Nasceu em 1964. Em 1991, com 27 anos, foi deputado eleito à Assembleia da República, onde para além de outras funções, desempenhou os cargos de Vice-Presidente e porta-voz da Direcção do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrático. Cada vez fico menos surpreendido como um grande número de deputados, não possuem conhecimentos da vida para terem a capacidade para votarem por consciência, estando limitados na íntegra à obediência do partido ou não conseguirem fazer carreira profissional na vida política.

No ano 2000, aos 36 anos, após 2 mandatos como deputado na AR, começou o início da sua actividade profissional na vida privada, na qualidade de consultor. Certamente que os contactos adquiridos enquanto deputado, lhe garantiram uma ligação a pessoas e grupos influentes. Sempre tenho afirmado e reafirmo, que ser governante ou mesmo deputado é um trampolim para sucesso profissional e social, independente das capacidades demonstradas. Desde então, ao longo dos anos desempenhou as funções de administrador em diversas empresas de amigos influentes. Não há dúvida que em Portugal, não importa o que alguém sabe ou que experiência possui mas sim quem conhece. São os tais, tachos de amigos para amigos.

É de interesse observar que o tempo em média de Passos Coelho como administrador de empresas foi de 2,5 anos. Pela crise política que estão a gerar as novas medidas de austeridade, as quais mesmo os responsáveis da troika não recomendaram, duvido que consiga alcançar como primeiro-ministro, o tempo médio de duração de cargo que conseguiu como administrador em empresas privadas de amigos.

Não tenho dúvidas que com Passos Coelho não vamos a parte nenhuma. Mas a minha pergunta é: quem poderá ser o seu sucessor na liderança do país? Passo Coelho foi eleito, não porque os portugueses acreditassem na sua experiência. Passos Coelho foi eleito, porque os portugueses tinham chegado à exaustão de tanta incompetência, falta de credibilidade e transparência por parte de José Sócrates.

Em pouco tempo chegámos à conclusão, que o partido e os homens que nos governavam mudaram. Mas a incompetência, a falta de credibilidade e transparência em nada mudaram.

A situação de Portugal é delicada. Estamos endividados para as próximas gerações. Duvido mesmo que a nossa dívida possa alguma vez ser liquidada. Como alguns economistas iluminados dizem: “A dívida de um Estado não é para ser liquidada mas para rolar”. O pior é que à medida que vai rolando, vai cada vez engrossando mais. Quanto maior for o défice ano após ano, mais engrossa a dívida pública.

O país precisa de modificar o sistema político, ainda que por um tempo limitado, sem afectar a segurança e integridade de uma sociedade democrática. Não acredito que a governação deste país através de partidos nos possa levar a algum porto seguro.  Vejo a Assembleia da República como um poço sem fundo de despesas, mais para providenciar os direitos e garantias de cada partido e postos de trabalho aos seus representantes, do que um elo para garantia dos direitos e liberdades dos cidadãos do país.

Acredito que por um período de tempo a AR deveria ser encerrada e o país ser governado por um governo de salvação nacional com representantes de cada partido e cidadãos independentes.

Acredito que a reabertura da AR, deveria incluir apenas metade do número dos deputados actuais. Temos um parlamento com 230 deputados para uma população de 10 milhões. Os EUA, para uma população de 250 milhões têm 535 representantes no congresso (435congressistas+100 senadores) . Significa que, para uma população, inferior a 5% da dos EUA, temos um parlamento igual a 43% do total daquele país.

Acredito que os deputados deveriam ser eleitos individualmente, ainda que membros de partidos e não por listas. Isso obrigaria a uma melhor ligação de cada deputado aos seus constituintes em vez de devoção aos seus partidos.

Acredito que qualquer cidadão independente, não ligado a partido políticos, em pleno uso dos seus direitos civis e políticos, e sem registo criminal, se pudesse candidatar a deputado.

Estou certo que muitos daqueles ligados a partidos e mesmo alguns intelectuais iluminados, ao lerem este artigo, dirão que devo ser louco, sonhador, ditador, ou desconhecer a constituição do sistema político em Portugal. Nada do que possam ter pensado.  A diferença é que eu tenho uma visão diferente da constituição de um governo democrático, onde a prioridade deve incidir sobre o cidadão e não sobre os partidos. Tenho conhecimento que para alterar a constituição com a actual estrutura governamental requer o voto de 2/3 da AR. Mas, tal como a estrutura do Estado Novo caiu, a actual constituição governamental, pelo caminho que o país percorre poderá cair também.

Até acontecer uma reforma da constituição política do país, esta democracia não passa de uma fantochada onde os direitos e liberdades dos partidos sobrepõem os direitos e liberdades dos cidadãos.

Sou pelas manifestações de protesto contra as novas medidas de austeridade insustentáveis que o governo está a impor aos portugueses. O povo deve sair á rua e ser ouvido

Sou por uma remodelação governamental em algumas pastas ministeriais. Ministros mediáticos devido a incompetência e/ou falta de credibilidade devem abandonar o governo

Sou contra o pedido de demissão do governo. Que adianta trocar o actual por outro idêntico ou pior?

Sou a favor de um governo de salvação nacional até à concretização de uma reforma estrutural e mais democrática do sistema político do país.

E preciso mudar o rumo do país. Mas como?

Aceitam-se propostas para mudar de rumo.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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9 comentários em “É PRECISO MUDAR DE RUMO. MAS COMO?”

  1. Alerto Says:

    O problema não é só dos governantes que temos é também do povo que somos, que adormece com cantigas e promessas de vendedor bem falante
    sem ter uma visão real sobre o que interessa ao país que somos e o que não interessa. Qualquer politico que dê a treta e iludir com promessas e facilidades para todos têm o voto garantido, mas ninguém se interroga como e porquê e até desdenhamos dos que avisam que algo não está muito claro sobre essas facilidades todas. Nós queremos é palheta do bom falante para nos empolgarmos e isso tolda-nos a visão sobre a realidade.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Alerto,

      Agradeço o seu comentário, com o qual concordo na totalidade.

      Na realidade, o povo é fácilmente persuadido com bom falantes. Um desses casos aconteceu, segundo minha opinião, nas eleições em 2009 entre José Sócrates e Ferreira Leite. Ferreira Leite avisou os portugueses de que José Sócrates não estava bem claro nas suas promessas de campanha e que a situação era muito mais complicada.

      Mas na realidade, cada vez mais os portugueses têm menos opção de escolhas entre os partidos e políticos que temos.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  2. fedelho sonambulo Says:

    deve-se impedir por decreto de lei que um partido possa inscrever o seu nome no boletim de voto sempre que o lider desse partido tenha tomado uma decisao que ninguem compreeenda e seja trair a confiança.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro leitor,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Compreendo e concordo com o seu desagrado com o momento actual que vivemos. Mas, se fosse decretado uma lei como a que sugere, acredite que não haveria um único partido que pudesse inscrever o nome no boletim de voto. De uma forma ou outra, todos já cometeram erros graves. E se há algum que não tenha cometido, certamente foi porque ainda não teve a oportunidade de chegar a governo. Votar ou não num partido, é uma decisão que compete a cada cidadão no dia de eleições.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

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  3. americo Says:

    Boa Noite
    Um blog com objectivos, claro, sucinto e intuitivo.Prbns.
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  4. Paula Says:

    completamente de acordo e como não consigo vislumbrar uma solução para o país cheio de interessses instalados. Para tentar assegurar o melhor possível o futuro dos meus filhos num mundo cada vez mais globalizado de injustiças e imparidades emigrei já la vao uns anos foi a melhor decisão da minha vida ( infelizmente!!!)

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  5. Carlos Says:

    Bom dia

    Completamente de acordo consigo!!

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