AS CONTAS DA NAÇÃO

4 de Setembro de 2012

Economia

Ao longo de mais de um ano, muito se tem escrito e falado acerca do acordo com a troika. Na realidade, tudo o que tem acontecido nas nossas vidas desde então e, acontecerá seguramente para os próximos 10 anos, sendo esta previsão muito optimista se nada pior vier acontecer, depende desse acordo que a maioria dos portugueses foram pouco informados, e como tal pouco sabem em detalhe sobre o mesmo, para além da palavra austeridade. Na realidade, acreditem que estamos endividados, a maioria de nós para o resto das nossas vidas.

Antes de iniciar de uma forma simplificada, tipo merceeiro, a explicação sobre o acordo com a troika, devo informar que graças a Deus, não possuo qualquer grau em economia ou finanças, porque isso me colocaria de imediato num grupo de incompetentes e/ou duvidosos economistas de que estamos rodeados. Um dia dizem que o país está no caminho certo. No dia seguinte, ou mesmo horas depois, dizem o oposto, tudo dependendo dos interesses de quem representam no momento e, do tipo de audiência a quem se dirigem.

EMPRÉSTIMO da TROIKA:

                          Concedido: 78 mil milhões €

+ Juros: 34,4 mil milhões €

Total em dívida = 112,4 mil milhões € (61% do Produto Interno Bruto, PIB, assumindo que a economia não continue em queda)

O total dos juros a pagar, representam 44,1% do valor do empréstimo. Será que isto se trata de uma ajuda de solidariedade, para com um membro da CE?

Principais objectivos do Empréstimo:

  • Reduzir o défice das Administrações Públicas – para menos de 10.068 milhões de euros (equivalente a 5,9% do PIB baseado nas projecções actuais) em 2011, para 7.645 milhões de euros (4,5% do PIB) em 2012 e para 5.224 milhões de euros (3,0% do PIB) em 2013.

Toda a preocupação do governo actual desde o acordo da troika, ao ponto de ficarem cegos e de não olharem a meios para demonstrarem as suas capacidades de cumprirem com o exigido, é concentrada no défice, com receitas insustentáveis que acabam dispendiosas e despesas manipuladas ou encobertas debaixo de tapetes.

Explicando de uma maneira básica:

Antes de entrarmos no défice, devemos compreender a diferença entre défice orçamental e dívida pública, que muitos não conseguem distinguir.

“O défice é a diferença entre as receitas e as despesas num dado período de tempo estipulado”.

É feita uma previsão, em geral para o espaço de um ano, sobre a projecção de receitas e despesas.  Com base nessa previsão o Estado deve gerir o país. O mesmo acontece, ou devia de acontecer com cada família ou empresa. Quando as despesas ultrapassam as receitas, temos saldo negativo, designado como défice. Para efeitos de comparação com outros países, esse valor é apresentado em percentagem (%).

Infelizmente, ao longo dos anos os nossos governos têm mantido a consistência de manter saldos negativos, cada vez mais elevados, arrastando famílias.

A dívida pública, é o montante total que o Estado deve de compromissos externos e internos assumidos, provenientes de transacções + empréstimos + juros sobre os empréstimos. Também, para efeitos de comparação com outros países, esse valor é apresentado em percentagem (%).

Embora o défice orçamental seja diferente da dívida pública, um aumento do défice, significa um aumento da dívida pública.

Défice orçamental

Fórmula de Cálculo do Défice = Total da Despesa – Total da Receita

2 Exemplos muito básicos:

1)     Aplicando a fórmula num orçamento de uma família, com receitas anuais de 20 mil € e despesas de 22 mil €:

Défice = Despesas (22 mil €) – Receitas (20 mil €)

Défice = 2 mil €

Défice% = 2 mil €  = 10%

       20 mil €

2)     Aplicando a formula no défice orçamental do Estado de 1-1-2011 a 31-12-2011

Défice = Despesa – Receita

Défice = 181.068 mil milhões € – 171 mil milhões €

Défice = 10.068 mil milhões €

Em termos de percentagem para comparação com outros países:

Défice% =  Défice

                  Receita

Défice% = 10.068 mil milhões €   =  5,89%

171 mil milhões €

Em ambos os exemplos apresentados, tanto a família como o Estado estão a viver acima das posses, como tal endividados.

Infelizmente, no mundo real nem tudo é tão simples como aqui apresentado. Há muitas complexidades envolvidas. Pior do que as complexidades dos sistemas, é a manipulação intencional ou desonesta para ocultação da realidade a quem tem o direito de saber a verdade, por muito dura que seja. Como exemplos básicos de manipulação, a omissão de facturas e o não pagamento a fornecedores, para reduzir as despesas dentro do período orçamental, ou o aumento de receitas, através de empréstimos ou transferências de fundos, como o caso da PT e das pensões dos bancários para apresentarem défices que não correspondem à realidade, mas apenas com o intuito de persuadir e convencer, que estão a cumprir. Tal actuação ou comportamento é desonesto e mesmo considerado actos criminosos, dado a serem executados intencionalmente, para dar uma imagem positiva do governo. Posso dizer que o Estado ao cometer tais actos, comete fraude fiscal perante o povo português, o FMI e a CE.

Infelizmente, estamos rodeados de governantes e economistas, não muito iluminados, mas pelo contrário, limitados na visão e conhecimento sobre previsão de contas. Razão pela qual, um orçamento que supostamente para 2012 deveria fechar o ano com um défice de 4,5%, chegámos ao fim do 1.º Semestre com um défice de 6,9%, com vastas possibilidades de ultrapassar os 7% no final do ano. Mas isso não é defeito mas feitio dos governos que nos têm desgovernado.

Segundo o Banco de Portugal, chegámos ao final de 2011, com uma dívida pública 715 mil milhões de euros, representando um valor de 418% sobre o PIB. Este valor representa um resgate 9 vezes o valor do resgate da troika.

Assumindo como hipótese para analisarmos, que ao longo dos governos o PIB anual estivesse fixo nos 171 mil milhões de euros e que tivéssemos tido um défice constante de 10% anualmente, seriam necessários mais de 40 anos para ter acumulado a dívida pública que temos. Isto demonstra que estamos em bancarrota, endividados para o resto dos nossos dias e para as próximas duas gerações. Só pergunto: como sem nunca termos melhorado a qualidade de vida dos portugueses em relação aos outros países da CE, onde foi gasto tanto dinheiro?

É indiscutível que os nossos 715 mil milhões de euros, comparados com outras dívidas de outros países, é um valor de quase um copo de água no Atlântico. Mas é monstruosa com o nosso PIB, as estruturas económicas que possuímos, o número de população que temos em decadência e uma das mais envelhecidas.

O que está errado com o acordo da Troika e com o orçamento?

– Analisemos Primeiro os Iluminados da Troika

O acordo da troika baseia-se essencialmente no défice e em medidas de austeridade. Basicamente, pretendem ensinar medidas aos nossos governantes incompetentes, como gerir financeiramente o país. Infelizmente, os iluminados da troika, ou são maus professores em aspectos financeiros, ou são investigadores de modelos futuros dos mercados financeiros e, usaram países como a Grécia e Portugal, em desespero terminal, como cobaias para avaliar os efeitos de medidas de austeridade aplicadas a sangue frio, para avaliar as vantagens e desvantagens do tratamento. Como qualquer experiência laboratorial, há sempre cobaias que acabam de sucumbir ao estudo experimental para benefícios futuros de outros. Espanha, observando estas cobaias em sofrimento sem salvação à vista, ainda que esteja em necessidade absoluta de tratamento, está a usar mais cautela, procurando outras modalidades de tratamento que lhe produzam melhores efeitos de cura e menos efeitos contrários.

– Analisemos agora os aprendizes dos nossos governantes.

Perdoem-me por chamar aprendizes aos nossos governantes. Mas até saberem governar um país, ainda têm muito que aprender e fazer o povo sofrer. Na realidade, a passagem pelo governo, é apenas um ingresso num curso de novas oportunidades, com vagas limitadas para alguns privilegiados ou oportunistas, independente da qualidade de curriculum que possuem.

Digamos que em face dos défices e da dívida total que existe, embora que ao longos dos anos, as classes mais desfavorecidas não tenham sido as beneficiadas e culpadas pela situação do país, é indiscutível que terão de haver medidas de austeridade e muitas mudanças em toda a estrutura governamental. Mas é preciso ser feito trabalho de casa com cuidado e, compreender que medidas aplicadas como tratamento de sock em desespero, acarretam na maior parte das vezes mais desvantagens do que benefícios.

Infelizmente, os nossos governantes em lugar de fazerem o trabalho de casa e apresentarem o trabalho de um estudo original, preferem plagiarem, não fazerem os trabalhos de casa e usarem trabalhos de ex-governantes, os quais acabaram os cursos com más notas.

Antes de apresentar sobre este aspecto a minha visão sobre a matéria, devo referir que não sou de direita, centro ou esquerda. Sou apenas democrata. Ainda que democracia possa significar estar sempre de acordo com a maioria, nem sempre é o meu caso. Procuro mais estar do lado do bom senso ou consciência do que da maioria. Admito também, que muitas vezes tenho errado, mas assumo os meus erros, ao contrário dos nossos governantes, que embora errados, continuam afirmando que estão no caminho certo e que dias melhores estão à viragem para o próximo ano, como sempre.

Tal como a troika especificou, o principal objectivo, e o mais imediato possível é reduzir o défice. Não podemos pensar em reduzir a dívida pública, sem primeiro sermos capazes de gerir o dia a dia. Mas, mas nem todos os meios são válidos para alcançar os fins desejados.

A troika, exigiu medidas de austeridade, como condição de financiamento para garantia do empréstimo e respectivos juros, 44% do total do empréstimo, o governo aceitou sem pestanejar. Apenas nunca foi devidamente pensado, pela troika ou pelo governo, os moldes como ou onde aplicar essas medidas de austeridade, sem afundar mais a situação.

Para haver medidas de austeridade, para além das que existiam antes do pedido de ajuda externa e que sufocaram o país, era essencial que fosse pensado num crescimento económico que sustentasse as novas medidas de austeridade. Nem a troika nem o governo deram muita atenção a esse factor fundamental.

O défice

Como referimos anteriormente o défice é o resultado da diferença entre as receitas e as despesas, quando as segundas são superiores às primeiras.

– Estudando as receitas

É importante compreendermos que o dorso principal para sustentação do Estado, num país sem riquezas naturais incide na cobrança de impostos. Mas, para que impostos sejam cobrados é fundamental que sejam criadas adequadas infra-estruturas que suportem a aplicação dos mesmos. É preciso crescimento económico.

Os Impostos Directos e Indirectos, relacionados na sua totalidade com a economia e, considerados como as receitas principais do Estado, estão em queda constante (-3,4%), apesar do aumento de IVA no 1.º semestre para 23%. A razão, deve-se ao facto de em lugar de crescimento da economia, a mesma se encontra em decadência, devido ao encerramento de centenas de milhares de empresas, pressionadas, pelo aumento das medidas de austeridade. Esta tendência na queda destes impostos, com o aumento de medidas de austeridade poderá ser muito maior no futuro.

A Segurança Social, devido ao desemprego de centenas de milhares de desempregados, perto de um milhão e à perda de cerca de 200 mil portugueses que emigraram, sofreu uma queda nas contribuições (-5,6%). Esta perda de contribuições com a continuidade da falência de empresas e consequente aumento de desemprego, poderá vir a ser muito superior em tempos próximos.

As receitas do país, sobre as quais o governo quer reduzir o défice e equilibrar os orçamentos futuros, estão baseadas em subsídios e benefícios, que o governo diz serem temporários, mas têm que ser definitivos. São baseadas em empréstimos, em transferências de fundos de pensões, na privatização e venda de património ao desbarato, sem qualquer controlo de negociação ou estabilidade para o futuro do país. Todas estas receitas são provenientes de transacções e negociatas que não podem ser consideradas como bases sustentáveis de receitas contínuas, uma vez que se tratam de uma vez transacções e que no final acabam por vir a sobrecarregar o lado das despesas continuamente.

Uma das previsões de receitas é baseada em multas aos portugueses, 90,6 milhões de euros até final de 2012. Esta é uma aposta na falta de civismo e/ou incumprimento das leis por parte dos portugueses. Puramente ridículo. Ainda que seja considerado como receita e que sempre haja falta de civismo e incumprimentos de leis por parte de alguns, para além de uma receita de demais valia, não podemos considerar um valor constante e com possibilidades de aumento. A menos que estejamos a incentivar a falta de civismo ou a caça à multa de qualquer forma, como recurso de gerar receitas. Se isso é o caso, direi que o lado com maior falta de civismo e mal intencionado é o Estado.

 – Estudando as despesas

Função públicaDesconheço o que o governo pretende fazer quando de uma forma ou de outra elimina postos na função pública. Há excepção dos mesmos virem a falecer e como tal os encargos acabarem de vez, remover das posições que ocupam para a prateleira da reforma, muitas vezes antecipada, ou colocá-los nas filas do desemprego, apenas reduzem simbolicamente as despesas e mudam a rubrica em que as mesmas são contabilizadas. Compreenderia esta forma de pensar dos nossos governantes, se o sector privado tivesse capacidade de absorver os postos que saem da função pública. Mas, a falta de crescimento económico, não permitiu a sobrevivência dos postos de trabalho existentes no passado, muitos menos absorver aqueles que saem da função pública.

Segurança Social – Os subsídios de desemprego e RSI, pensões do regime contributivo bancário e o aumento de pensões de velhice, contribuíram para o aumento de despesas da Segurança Social. Todos estes encargos, têm tendência a continuar a aumentar. Cortes nestas despesas, contribuirá para o aumento da fome, das doenças, do risco de instabilidade social e de segurança pública.

– As transferências de fundos de pensões para o Estado, para criar equilíbrio pontual do orçamento, aumentam também as despesas.

A integração dos pensionistas da PT na Caixa Geral de Aposentações ditou um aumento de mais de 5,0%, 396 milhões de euros anuais.

A transferência de 6 mil milhões de euros do fundo de pensões dos bancários, no final de 2011 para cumprir um défice 5,9%, o governo sem pensar duas vezes, assumiu a responsabilidade de 27 mil pensões, um encargo de 660 milhões de euros anuais.

Juro das dívidas do Estado – é um dos encargos, que o Estado não faz muito alarido, mas que trepou 20%, entre 2011 e 2012, valor de 8.013 milhões de euros, mais do total do montante de défice estipulado para 2012, (7.645 milhões de euro, 4,5% do PIB). Com as responsabilidades assumidas e com os pensamentos virados para os mercados de endividamento contínuo, as despesas com juros de dívidas têm a tendência a aumentar continuamente.

As parcerias público privadas, PPP, – são outro cancro nas despesas do Estado. Enquanto que com o funcionalismo público o estado actua a torto e a direito sem qualquer raciocínio no impacto da vida das pessoas, no respeitante às PPP, a situação tem de ser estudada e repensada, porque nessas PPP, estão amigos de amigos influentes e de relações ou ramificações políticas ou partidárias. Não assumam que eu faço parte do funcionalismo público porque nunca o fiz e concordo que na realidade tem de haver reformas. Mas, só para satisfazer a troika, não podemos corrigir em meses aquilo que foi feito erradamente ao longo de governos.

Conclusões

Não se trata de pessimismo, mas realismo. Temos um cenário péssimo, no sentido de equilibrar um orçamento com um défice baixo, ≤3%, para o futuro. Com as receitas dos impostos fundamentais, provenientes da economia, a terem cada vez mais tendência para baixarem. E pelo contrário, com as despesas assumidas pelo Estado, a terem cada vez mais tendência para aumentarem, com o sentido de gestão dos nossos governantes, nunca vamos longe. A nossa dívida tornou-se uma fonte de rendimentos vitalícios para quem nela investiu. Porque para que possamos começar a pagar o principal da dívida, teremos algum dia de não termos défice, em vários períodos orçamentais sucessivos. Sinceramente, pelo historial das gestões de governos sucessivos que tivemos, jamais acontecerá.

A troika e o governo, ignoraram desde início o crescimento económico para sustentabilidade do país e da aplicação das medidas de austeridade. O país está em declínio económico e financeiro total, agravando-se ainda mais, por tempo indefenido a recessão do país. Atrás de tudo isto vem o aumento da pobreza, a degradação social, o agravamento da saúde, o ressurgimento de doenças do passado.

Vivemos em tempos, ainda que integrados numa comunidade, a Comunidade Europeia, não existe compaixão ou solidariedade, por quem comete erros e fica em dificuldades. Cobrar 44% de juros sobre o total de um empréstimo, a médio prazo a um membro da comunidade, não significa ajudar, mas sim tirar proveito das desgraças dos outros. Vivemos numa sociedade materialista, onde o valor do dinheiro é o principal objectivo. Não responsabilizo a nossa desgraça naqueles que usufruem de lucros à custa do trabalho e sacrifícios dos portugueses. Responsabilizo sim, a incompetência de todos os governantes que temos tido.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

Ver todos os artigos de Carlos Piteira

Subscrever

Subscribe to our RSS feed and social profiles to receive updates.

20 comentários em “AS CONTAS DA NAÇÃO”

  1. Bruno Santos Says:

    Perdoe-me a pontuacao e os erros ortograficos mas nao tenho nem teclado nem dicionario Portugues e o tempo e deveras curto.

    Mas com o fim de participar de forma construtiva na discussao, entao aqui vai.

    Primeiro, um muito obrigado por expor um excelente texto. Penso que se esquece de apontar algumas coisas importantes e, que a meu ver sao a raiz do problema actual. E, por outro lado, apresentar solucoes e alternativas?

    Vou deixar aqui algumas das minhas solucoes, muito por alto, e alguns dos pontos que julgo de maior importância:

    1. Mais democracia: Portugal tem um defice democratico muito elevado, pois nao se admite que um presidente seja eleito com apenas 25% dos votos da populacao. O sistema tem que mudar com o fim de ser mais representativo e mais abrangente:

    1.1 – Reforma do sistema legislativo: Parlamento + Camera dos Comuns – Adicionar uma câmara dos comuns com X representantes (por exemplo, 1 em cada 5000 eleitores) eleitos atraves das freguesias que representam. Este trabalho, como em outros paises nordicos pode ser a tempo inteiro ou nao. Os representantes podem e devem formar grupos de trabalho com outros representantes locais ou externos as suas freguesias e criar e apresentar legislacao ao parlamento. Os salarios de estes estao na ordem dos 2000 euros mes (ver Suecia). Tanto o parlamento como a camara dos comuns podem criar noves leis e apresentar alteraracoes as leis em vigor. As leis, para passarem, tem que passar primeiro no parlamento e camara dos comuns, depois pelo presidente e, finalmente pelo tribunal constitucional. Os representantes na camara dos comuns terao que ser residentes e/ou contribuintes das zonas que representa. Devem de continuar a viver na freguesia e apenas visitar Lisboa quando necessario. Os representantes tem a obrigacao de esclarecer de forma directa os cidadaes que representam com forma a esclarecer propostas e decisoes tomadas e, com o fim de dinamizar e promover o dialogo democratico.

    Vantagens: Combate ha desertificacao e ha centralizacao de poder e de interesses, pois os representantes locais terao voz e veto nos assuntos que lhes afetam e, muitas mais vantagens.

    1.2 Reforma do sistema eleitoral: Os eleitores passarao a eleger todos os elementos do parlamento e os representantes locais de forma directa. Desta forma elimina-se o maior problema actual, a corrupcao atraves do tope partidario e, dando assim voz e legitimidade ao representante eleito que de esta forma se sente mais confiante em discordar com o lider partidario. Claro esta que a lei-dos-partidos tambem tera que ser eliminada.

    1.3 Eliminacao das Camaras Municipais: O sistema actual nao serve ao pais, mas, em muitos casos, serve ao que consequentemente sao eleitos atraves da continua exploracao da ignorancia publica. Exemplos: Felgueiras, Joao Jardim e Maria Emilia. Os assuntos de logistica das municipalidades seria transferido para um grupo de pessoas eleito pelos representantes elegidos pelos cidadaos.

    1.4 Transparencia e fiscalizacao de financiamentos partidarios

    1.5 Reforma do sistema judicial com o fim de simplesmente funcione. Simplificar a lei de forma a que possa ser eficaz. Copie-se directamente de ouotros paises de maior sucesso se tiver que ser (por exemplo, Dinamarca ou Suecia). O combate ha corrupcao politico-financeira deveria de ser a maior prioridade de qualquer governo.

    2 Reforma do Sistema Financeiro: O problema de Portugal nao e a falta de productividade dos trabalhadores. O problema e o sistema neo-liberal e mercantilista com que os Portugueses tem sido subjugados nos ultimos 30+ anos. E simplesmente a democratizacao do sistema economico e explorativo tambem usado no regime anterior.

    A solucao esta, a meu ver, no Capitalismo Democratico (ver http://www.democratic-capitalism.com). Mas para que este funcione e necessario que haja mais democracia atraves de maior representatividade.

    Infelizmente nao tenho tempo para expor os principais pontos do Capitalismo Democratico e peco apenas que visite a pagina web. Se nao sabe Ingles deixe aqui uma nota que terei todo o prazer em transcrever alguns dos pontos mais importantes.

    Cumprimentos

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro Bruno Santos,

      Os meus sinceros agradecimentos pela sua colaboração e propostas sugeridas. Também pelo link http://www.democratic-capitalism.com. Quanto ao inglês, não é qualquer problema, dado que fiz toda a minha formação académica nos EUA, onde vivi perto de 30 anos.

      Infelizmente, há poucos portugueses como o Bruno, que se interessam pelo sistema político onde vivem e muito menos que apresentem proposta para mudanças. Mas, a menos que alguém possa continuar a insistir em mudanças, nunca poderemos modificar seja o que for.

      O sistema político português está totalmente controlado pelos partidos, os quais se tornaram quase que ditadores da vida dos portugueses.

      Mais uma vez os meus agradecimentos. Sempre que tenha qualquer reflexão sobre alguns dos meus artigos, mesmo criticismo que seja, agradeço que me envie. Também, se desejar contribuir com algum artigo para ser publicado, sinta-se livre para o fazer.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

  2. João Balio Says:

    Caro Carlos Piteira,
    Adorei a forma como explanou o acordo Troyca, mas fiquei baralhado com a taxa do empréstimo. Ora, não será necessário saber o numero de anos, e a periodicidade de pagamento para chegarmos à taxa? Se assim não fosse, o meu empréstimo-habitação (tendo em conta o total de juros que irei pagar) teria uma taxa de + de 100%.

    Quanto à formula do défice orçamental, a receita não deverá ser o PIB (171 mil milhões) como me pareceu indicar. Penso também que o défice é indicado em % do PIB e não da receita ou, em valor nominal.

    Desculpe se percebi mal, um abraço e parabéns pelo Blog

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro João Balio,

      Primeiramente, os meus agradecimentos pelo seu comentário.

      Em resposta ao empréstimo, sim para determinar a taxa do empréstimo é essencial saber o número de anos e a periodicidade. Mas na realidade o que conta, é aquilo que no final pagamos na totalidade em função do valor do empréstimo. Na realidade, e usando o empréstimo da sua casa como exemplo, o custo da sua casa não será o valor pela qual o senhor realizou a compra, mas sim o valor total que o senhor acabou por pagar na totalidade no final dos pagamentos: empréstimo + juros.
      Quando nos dirigimos a uma imobiliária para comprar uma casa, criamos uma dívida do valor da compra da casa. Quando vamos ao banco para obter o empréstimo criamos outra dívida do valor total dos juros sobre o valor do empréstimo. Os bancos ao concederem empréstimos, estão a vender os produtos do seu tipo de negócio: dinheiro. Como tal meu caro, o preço final da sua casa, não foi o valor pelo qual o senhor fez a escritura, mas sim o valor total que o senhor acabou por pagar para que a casa possa ser realmente sua.
      Não é por acaso, que quem necessita de apoio para aquisição de algo, seja o tipo de cliente que está disposto a pagar o preço mais elevado. Não é por acaso que os melhores clientes dos bancos são aqueles que deles dependem. Mas como em qualquer tipo de negócio, os bancos também têm por vezes perdas elevadas por transações na venda dos seus serviços.

      Quanto á formula do défice orçamental, Fórmula de Cálculo do Défice = Total da Despesa – Total da Receita, que se encontra de uma forma simplificada, mas é muito mais complexa, onde o PIB é uma rubrica das receitas. Para os efeitos, considerei o PIB como valor total das despesas. Sim, está correcto. O défice é indicado em % do PIB.

      Uma vez mais, os meus agradecimentos pela sua análise.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

  3. joaovieira1 Says:

    Francamente elucidativos e interessantes os comentários aqui expendidos, mesmo para os cidadãos mais atentos às subtilezas da evolução do país, nas suas múltiplas áreas e sectores de actividade. Três notas :

    1) Para mim, parecem estar em causa, desde o 25Abril/74, o modo, tempo, ritmo de intervenção e decisão política bem como a necessidade imperiosa, nunca assumida pelos nossos partidos, sobretudo, do poder e representantes políticos de recuperar, com toda a urgência, força e determinação, sucessivas décadas de afastamento e alheamento do que, em centros mundiais nevrálgicos e criativos, a nível da economia real, se fazia a favor do desenvolvimento, inovação tecnológica e crescimento dos países, em geral.

    2) O contexto internacional em que Portugal se encontrava, as barreiras, bloqueios e condicionamentos políticos associados à diplomacia e relações internacionais, tanto quanto as dificuldades e complexidades internas da consolidação de uma democracia renascida, reduziram ou impediram mesmo, é certo, que o país se desenvolvesse a um ritmo muito superior, sendo, também, determinantes o atraso educativo, empresarial e cultural em que vivíamos, as nossas baixas qualificações, em geral.

    3) Tudo o que afirmo, não desresponsabiliza os nossos sucessivos governos e políticos, pelo estado lamentável em que as nossas finanças foram ficando até à data, nem os muitos agentes privados, titulares por uma volumosa parte da dívida, não sendo, ética e humanamente aceitável que um governo, suportado por uma Troika, venha agora reduzir ainda mais o nível e qualidade de vida dos cidadãos incapazes de se subtraírem às incidências de uma austeridade, a bem dizer, obscena.

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro João Vieira,

      Os meus agradecimentos pelo seu comentário.

      Concordo com as suas observações. No entanto, alguns paises que hoje fazem parte da Comunidade Europeia, enfrentaram também décadas de afastamento e os mesmos obstáculos que Portugal, devido aos governos anteriormente existentes. Mas conseguiram dar a volta à situação devido a governos competentes e à participação da maioria dos cidadãos na vida política do país.

      O maior mal desde o 25 de Abril, é que a nossa constituição protege 100% o sistema político assente nos partidos instalados. Os partidos, publicamente atacam-se uns aos outros, mas entre eles protegem-se como irmãos. Razão pela qual, uma das principais reformas estruturais que deveria ter sido feita, seria na reduzão do número total de representantes na AR. Não se justifica que um país com menos de 5% da população dos EUA, 250 milhões, tenha uma AR com 50% do total dos representantes daquele país. Mas essa reforma da redução do parlamento, tão falada por Passos Coelho antes das eleições, tenha caíu no esquecimento, porque aí os partidos teriam menos posições onde colocar os seus membros. Outra reforma tão falada por Passos Coelho, a da eliminação das Parcerias Público Privadas, PPM. Tal como a AR, é outro poleiro de postos de trabalho para amigos dos partidos, pelo que quanto mais tarde melhor para actuar.
      O valor poupado em cada orçamento anual, seria muito superior, aos subsídios de natal e férias acumulados, mais os 7% de imposto da Segurança Social cobrados sobre salários de miséria de 485 euros brutos.

      Sinceramente

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

      • joaovieira1 Says:

        Caro Carlos Piteira,

        Grato pela sua resposta, com que concordo, globalmente.

        Esperando não abusar do seu tempo, aproveito para colocar algumas questões que, a mim, como cidadão democrata independente, preocupam, a curto/médio prazo :

        1ª) A evolução de Portugal, a muito curto prazo, sobretudo, política, no quadro repetido e gravoso das medidas de austeridade até agora anunciadas, atendendo a que o governo foi eleito democraticamente e detem uma maioria absoluta*, apresenta condicionantes e dificuldades notórias de previsão, dado o histórico lamentável, nada inspirador do comportamento dos nossos partidos políticos bem como as omissões habituais e/ou extrema lentidão de resposta dos nossos órgãos de soberania, em particular, o Presidente da República.

        *Ignora-se qual a actual tendência do eleitorado que contribuiu para a eleição do governo e agora, em grande parte, se vê duramente atingida pelas medidas anunciadas.

        2ª) Será admissível que um governo esteja a estrangular, internamente, o país, social, económica e financeiramente e a tratar a grande maioria dos portugueses como cidadãos irresponsáveis e desqualificados, só para ganhar credibilidade junto das instituições europeias, credores, investidores e financiadores internacionais, etc., etc.?

        3ª) Que critérios obscuros serão os do governo para sacrificar toda uma credibilidade interna que não ganhou à consecução de uma credibilidade externa que, apenas propagandea?

        4ª) Se, acaso, tal credibilidade existisse, o que valeria a este governo, Presidente da República e restantes órgãos de soberania tê-la, se o mercado interno vier a fraquejar, ainda mais, e deixar de reunir as condições indispensáveis (anímicas, de confiança, boa fé, iniciativa, etc.) para dar resposta a quem tão mal o trata?

        5ª) Será que este governo, Presidente da República e restantes órgãos de soberania, estarão a pugnar pela credibilidade externa, desprezando a interna, porque, também, não acreditam na contenção e/ou diminuição dos deficits e dívidas do país e vão prosseguir, entre outros, os dois objectivos que consideram essenciais à sua estratégia de longo prazo :

        5ª.1 Diminuir salários, pensões, subsídios e apoios financeiros, em geral, bem como esvaziar o Estado social e muitos serviços públicos para continuar a empobrecer, internamente, a grande massa dos portugueses, tornando mais “atractivo” o investimento estrangeiro e nacional.

        5ª.2 Continuar a apoiar, exclusivamente, os grupos económicos, grandes e médias empresas exportadoras e privatizar as empresas públicas e/ou vender, ao preço de ocasão, as suas componentes mais rentáveis à custa do esfrangalhamento e irrelevância do mercado interno.

        Saudações amistosas.

        João Vieira

        Gostar

      • opaisquetemos Says:

        Caro João Vieira,
        Todos os comentários, críticas, perguntas e propostas são bem vindas. Significam que existe interesse e envolvimento na vida política por parte dos cidadãos. Se tivesse sempre havido participação dos cidadãos na vida política e social, talvez o país não tivesse chegado à situação insustentável que chegou.
        Em referência ao ponto 1 – acredito que encontrará a resposta no meu último artigo, “ É PRECISO MUDAR DE RUMO. MAS COMO?”. Este primeiro-ministro, Passos Coelho, foi eleito, não porque o eleitorado acreditava que era competente para assumir a liderança do país. Mas que havia uma necessidade absoluta de remover José Sócrates, pelas razões que todos sabemos.
        Pontos 2 e 3 – Ganhar credibilidade junto das instituições europeias, credores, investidores e financiadores internacionais, foi sempre o objectivo tanto de José Sócrates, como de Passos Coelho, querem impressionar internacionalmente, ainda que isso obrigue a deixar o país na miséria, morrendo de fome.
        Ponto 4 – A credibilidade é importante em todos os aspectos na vida. No entanto, nem todos os meios são aceites para alcançar os fins desejados, neste caso a credibilidade. Quando para alcançar determinados objectivos, significa degradar a vida humana, contribuindo para miséria e conflitos sociais, então algo está profundamente errado. Mas a visão política dos nossos governantes é limitada. Quando focam num objectivo, deixam de observar tudo o mais em redor.
        Pontos 5 – As medidas de austeridade aplicadas pelo governo nos rendimentos da maioria da população, particularmente nas classes mais desfavorecidas, estão a posicionar o país numa queda profunda da economia por tempo indeterminado. Esta situação, não só incapacita o povo na aquisição, mesmo de produtos e serviços essenciais à sobrevivência. O dorso da economia interna, que se baseava nas pequenas e médias empresas, PME, tem diminuído nos últimos anos com o encerramento de milhares de empresas, aumentando o número de desemprego para valores nunca antes registados. Também, os grandes grupos económicos, devido á incapacidade do poder de compra dos portugueses, começam a sentir-se preocupado com as medidas tomadas pelo governo e a pronunciarem-se publicamente.
        Espero que tanto quanto possível, lhe tenha dado a minha visão sobre os pontos por si referidos.
        Sinceramente,
        Carlos Piteira

        Gostar

  4. pedro Says:

    Os meus parabéns pela sua lucidez e contributo para uma sociedade melhor. Só com pessoas com sr. podemos sensibilizar e formar os cidadãos portugueses a serem mais exigente com os nossos politicos. Este é o caminho! Houvessem mil, dez mil pessoas como o sr.

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro Pedro,

      Os meus agradecimentos pelo seu comentário.

      A menos que cada cidadão participe activamente na política da nação e exponha as feridas de que o país está a sofrer e a podridão dos nossos governantes, jamais poderemos modificar o caminho cada vez mais caótico que o país enfrenta.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

  5. marco martins Says:

    carissimo … bom blogue … desde ja os meus parabens

    mas ha uma vertente que quase nunca é abordada.
    OS PORTUGUESES É QUE TÊM CULPA, AO VOTAREM NO PS DE SOCRATES
    muito se fala de agiotas da troika…
    que o socrates mentiu….
    que a culpa é de todos e mais alguns …. mas nunca de quem vota.

    mas houve aviso!
    peço que relembre o debate manuela ferreira leite vs socrates

    para as eleições, tirando os 1ºs 20 minutos de lixo politico o discursso é SEMPRE O MESMO, DEFICE E EXCESSO DE GASTO.

    a situação era conhecida, mas como em portugal eleições é um concurso de popularidade o bom falante socrates facilmente venceu a senhora ferreira leite que tem na melhor das hipoteses o carisma de uma esfregona.

    agora que sabemos o que aconteceu… e se olharmos para trás, vemos que foi o povo que ainda tem de aprender o que implica democracia

    cumprimentos

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro Marco Martins,

      Os meus agradecimentos pelo seu apoio.

      No respeitante, a José Sócrates, devo informar que o meu site: “opaisquetemos.com” , que recentemente passou para o servidor do wordpress como “opaisquetemos.wordpress.com”, foi criado em 2008, para comentar sobre as más politicas do governo do então primeiro-ministro, José Sócrates.

      Se entrar no meu site anterior “opaisquetemos.com” e clicar na link de “comentários anteriores do autor”, encontrará dezenas de artigos, a sobre as políticas de José Sócrates.

      Infelizmente, tal como diz o Marco, o povo vota na popularidade e nos bons falantes. Isso tem afectado o presente do país e comprometido o futuro para as próximas duas gerações. Mas a verdade, é que também não há por onde escolher. Os políticos que aguardam a sua vez de subirem ao patamar do poder, são incompetentes e não só. Não temos políticos com interesses no bem-estar na nação. Todos possuem uma agenda pessoal de enrequecimento do seu CV e de garantir futuros milionários para além da comissão governamental para a qual são eleitos ou escolhidos para governar.

      Um possível candidato do PS para o próximo governo, José Seguro, onde se encontrava ele escondido sem dizer palavra em abono dos portugueses, durante os mandatos de incompetência do seu colega de partido, José Sócrates? Se José Seguro tivesse uma veia política, com interesse nos portugueses e não uma agenda política para a sua elevação dentro do PS, tinha naquela altura elevado a sua voz, em lugar de se ter acobardado. Mas preferiu aguardar em silêncio, deixando primeiro o país afundar-se mais, para meses depois aparecer como o salvador do país. As promessas de José Seguro, são como foram as de José Sócrates e precisamente as mesmas de Passos Coelho.

      Caro Marco Martins, não vejo em nenhum partido possíveis candidatos competentes e honestos. Mas se surgirem dentro das malhas de algum partido, pessoa com tal perfil, os tubarões do partido removem-no de imediato para um cargo na Comunidade Europeia, para não se tornar um obstáculo.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

  6. Wilson Silva Says:

    Muito esclarecedor, simples e acessível. É realmente uma pena que, assim como eu, hajam muitas pessoas ignorantes nesta matéria, o que leva posteriormente a uma atitude de indiferença. Toda a gente quer que as coisas mudem e reclamam fervorosamente no conforto dos seus sofás (sobre o pouco que sabem), mas na altura de agir…

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro Wilson Silva,

      Obrigado pelo seu comentário. Caso possam surgir dúvidas sobre algum dos meus artigos, ou pretenda dar alguma opinião sobre assuntos aqui apresentados, disponha sempre.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

  7. Medina da Silva Says:

    Parabéns. Deconhecia o Blogue, mas de futuro não o perderei… Abraço do Medina da Silva

    Gostar

    Responder

  8. Pedro pereira Says:

    Pretendo apenas contribuir com três notas para … reflexão
    1. Desde logo o saldo orçamental tem várias definições. Para o caso é importante distinguir entre saldo orçamental global e saldo orçamental primário. A diferença é importante do ponto de vista técnico e deve-se à contabilização ou não dos juros associados ao stock da dívida pública (DP).
    Assim,
    saldo orçamental primário = saldo orçamental global – despesas com juros da DP.
    A dívida publica varia por diversas razões. A mais intuitiva (mas raramente óbvia para os não especialistas) consiste na existência de um saldo orçamental primário negativo. Na verdade, se o saldo primário for positivo mas o saldo global for negativo (devido à existência de juros) a dívida pública não aumenta- assumindo, naturalmente, que o estado paga os juros devidos no momento apropriado. Um saldo primário positivo permite ao estado captar receita fiscal suficiente para amortizar a sua dívida e, se o fizer, redu-la até.
    2. Tecnicamente falando, não é correto comparar-se o estado ás família (ou às empresas) em matéria de défices e de dívida. O assunto é complexo e tem dada muitas discussão, profundas até. Para o que conta de momento, importa recordar duas coisas muito simples e intuitivas.
    2.1 – Não é incorreto (nem coisa que mereça castigo…) que as famílias, as empresas e o estado se endividem desde que (e sublinho isto…) o façam obedecendo a critérios técnicos muito simples.
    2.2 As famílias e as empresas são “unidades” finitas na sua existência enquanto que estado é, por definição, uma “unidade contínua.” Quer isto dizer que a dívida pública pode “rolar” enquanto que a privada não tem essa possibilidade. Nenhuma família pensaria deixar dívidas aos seus descentes- nem as instituições financeiras aceitariam essa situação. Para o estado a questão que se coloca é antes de mais moral: será a dívida pública um fardo para as gerações futuras. Mas essa é outra questão!

    Gostar

    Responder

    • opaisquetemos Says:

      Caro Pedro Pereira,

      Os meus sinceros agradecimentos pelo seu comentário, o qual ficará no site para esclarecimento mais detalhados para os leitores.

      Em referência ao seu ponto 1- obrigado pela diferenciação apresentada entre orçamento primário e orçamento global. Conforme mencionei no meu artigo, o assunto em questão era algo mais complexo do que a forma simplificada como eu apresentei. Ao longo do artigo referi-me sempre ao valor do orçamento global, dado que fiz sempre referência aos juros dos empréstimos.

      No respeitante ao seu ponto 2 – tal como mencionou o assunto é bastante complexo e dá origem a muitas controvérsias. É certo que o Estado e as famílias estão em dois patamares a níveis muito diferentes. No entanto, ambos cometem os mesmos tipos de erros de gestão: Planeiam projectos muito superiores em relação às capacidades de receitas. Ou seja, tentam dar um passo maior que a perna.

      No seu ponto 2.1 – A sua opinião é muito vaga, controversa e pouco esclarecedora.

      Finalmente, 2.2 – Concordo com a sua definição em relação entre famílias e empresas, “unidades finitas” e o Estado, “unidade contínua”. Certamente que nenhuma família deseja deixar dívidas para os descendentes, nem as instituiçõe financeiras consentiriam. No entanto, discordo com o rolar da dívida do Estado contínuamente e discordo muito mais em relação ser apenas uma questão moral. Isso, é como garantir aos nossos credores um rendimento vitalício. Pior que isso! Significa incapacidade de autonomia da nossa existência e gradualmente, perda total do nosso património. Infelizmente, é isso que vem a acontecer ano após ano. De modo algum posso considerar má gestão contínua uma questão moral.

      Caro Pedro, estou bastante grato pelo seu comentário e contribuição com os seus esclarecimentos técnicos e as suas opiniões. É através de diálogo que cada um de nós aprende e contribui para uma sociedade melhor.

      Sinceramente,

      Carlos Piteira

      Gostar

      Responder

    • Revoltado Says:

      Caro Pedro Pereira,

      Você percebe, aparentemente, dos aspectos técnicos do orçamento de estado. Agora quando falamos de economia, creio que não entende ou não quer perceber a mensagem deste artigo.

      Não estamos a ter uma ajuda financeira conveniente e a comunidade europeia está a penalizar Portugal. Governantes corruptos e criminosos continuam a governar o nosso país. Temos um governo constituído por pessoas sem formação, mal informadas e sem conhecimento do que se trata a economia. Os últimos governos foram basicamente constituídos por gente criminosa.

      Conclusão desta análise, devia-se proceder a uma revolução onde seriam julgados na praça pública todos os cúmplices e autores destas barbaridades. Tribunais ou juízes que coadunassem com este tipo de comportamento ou atrasassem processos para que estes expirassem eram dispensados da função pública.

      Agora acerca de outro ponto.

      Digo-lhe 3 palavras “Poder de Compra”. A diminuição do poder de compra surge sempre que aumenta a carga fiscal. Neste caso mais recente, os impostos diretos – Segurança social.

      Que economista são e inteligente aumenta a carga fiscal do consumidor com esperança de ver o consumo a crescer? Que economista são e inteligente diminui a TSU quando o volume de vendas das empresas diminui? Mas anda tudo louco? Será que ninguém vê que este governo é inexperiente e não sabe o que está a fazer?…

      Resta-nos rezar e dentro de em breve fazer uma revolução.

      Talvez a revolta seja a resposta… eu acredito que sim.

      Gostar

      Responder

      • opaisquetemos Says:

        Caro leitor Revoltado,

        Agradeço o seu comentário. Na realidade, as novas medidas de austeridade apresentadas há horas, vêm agravar mais a economia nacional e aproximar cada vez mais o país à beira de uma revolução social.

        Sinceramente,

        Carlos Piteira

        Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s