HABITUADOS A SERMOS ENGANADOS

30 de Agosto de 2012

Política Nacional

Segundo a SIC, cada cêntimo de aumento no preço dos combustíveis rende ao Estado mais de 25 mil euros por dia em IVA. A SIC fez as contas e descobriu que, ao fim de um ano, o Estado amealha quase dez milhões por cada cêntimo que pagamos mais caro, o que está a acontecer todas as semanas.

O governo, a ERC e as empresas petrolíferas não contestam notícia. Há muito que andamos a ser enganados pela Entidade Reguladora da Concorrência, ERC, que nada faz. Tal como muitas organizações governamentais e algumas intituladas independentes, mas que de independente nada têm, são instituições criadas, para angariar posições de trabalho, aliás de rendimentos contínuos, para amigos de partidos e governantes. Na realidade, a ERC em tempo algum tem contribuído para o controlo dos custos de combustíveis, da energia, das telecomunicações ou da banca. Todos os seus estudos ou análises de investigações dos mercados, acabam sempre inconclusivas e sem qualquer evidência que possa colocar travões nos mercados orquestrados pelos monopólios, muito menos atribuir multas pesadas por infracções. Também, admitindo uma probabilidade mínima de algo errado ser reportado, o poder de contratação dos melhores advogados do país pelos poderosos grupos económicos e financeiros, levariam anos em processos, com bases em erros técnicos jurídicos, muitos feitos intencionalmente, até prescrição dos casos.

Muitas vezes tenho escrito que o maior erro cometido por Madoff não foi o sistema da fraude que destruiu milhares de famílias. O erro foi ter cometido o sistema de fraude que cometeu nos EUA. Tivesse Madoff usado Portugal como base para executar o seu sistema, viveria comodamente e numa forma luxuosa até á morte por velhice em liberdade, protegido pelos melhores advogados que o dinheiro neste país pode comprar, e através de erros técnicos criados para proteger os mais privilegiados.

Como é óbvio, ainda que o governo solicite esses estudos ou investigações para calar o Zé do povo, acaba por se satisfazer com os relatórios sem conclusões. Pois relatórios inconclusivos acabam por beneficiar tanto os bolsos do Estado, como produzir lucros na ordem de milhares de milhões para os grupos económicos. É impensável que produtos e serviços como os combustíveis e as energias, essenciais á vida, possam apresentar aumentos de lucros na ordem dos milhões num período em que a maioria das classes têm condições insustentáveis de sobrevivência e nada seja feito pelo governo.

No fundo, o Estado arrecada milhões para tapar continuamente buracos causados pelos governantes devido a má gestão, incompetência e mesmo apoio, dentro da lei, à corrupção passiva e activa. Infelizmente, nenhum desses milhões é para construir um Portugal melhor, porque depois de pagarmos continuamente empréstimos e juros dos mesmos, ficamos sempre de mãos vazias para criar produção, desenvolver a economia, e garantir uma segurança social futura. Ainda estamos muito longe de pagar o que devemos e já estamos pensando regressar aos mercados para criar mais dívidas. Com esse pensar, o governo não está preocupado em produzir para vivermos, mas sim em pedir emprestado continuamente para sobrevivermos.

Os monopólios, ganham lucros de milhares de milhões, sendo a maior parte camuflada devidamente, dentro da lei, para isenção de impostos.

Quanto aos membros da ERC, acabam por beneficiar de ambas as partes. Por parte do Estado, ganham maior confiança e garantia nas suas posições bem remuneradas. Por parte dos grupos de monopólios, certamente que são muito discretamente compensados. Acabam por ser remunerados por ambas as partes: por quem os contratou e por quem inspeccionam a actividade.

Também, os nossos governantes, com todos estes estudos requisitados, como parte de protocolo governamental para justificar o trabalho de todos, serão mais tarde compensados com posições de executivos em todos esses grupos económicos e financeiros. Certamente, que nunca terão de estar numa fila de desemprego ou de emigrar para ganhar o pão de cada dia.

Infelizmente, por muito pouco, e cada vez menos que os portugueses possam usufruir de salários, porque aumentos são apenas para políticos e governantes, o maior sacrifício e responsabilidade pelos compromissos externos e internos assumidos pelos governantes, é exigido das classes menos privilegiadas. Milhões de portugueses, mesmo muitos  daqueles que trabalham, ganham abaixo do limite da pobreza, menos do necessário para a aquisição de produtos básicos e serviços essenciais para a sobrevivência de cada dia.

Este Governo, tal como os anteriores, é uma instituição de crime de colarinho branco organizado, pior que a própria Máfia. Enquanto a Máfia trabalha fora da lei, os nossos governos cometem crimes de extorsão sobre o povo português todos os dias, protegidos pelas leis proteccionistas que eles próprios têm legislado ao longo dos anos, da chamada democracia em que vivemos há 38 anos.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, como que em campanha eleitoral, afirmou há dias que em 2013 Portugal estaria fora da recessão. Estará o primeiro-ministro a tentar convencer-se a ele próprio? Será Insanidade mental? Estará, tal como o seu antecessor, José Sócrates, a pensar que é primeiro-ministro de um país virtual?

Saberá ele, Passos Coelho, quanto custa 1 litro de leite?

Estará a par de que o pão, alimento básico da maioria dos portugueses, vai aumentar 15% já no próximo mês?

Tem o primeiro-ministro conhecimento de que a cada hora 90 empregados da construção civil ficam desempregados? E quantas centenas de empresas dependentes da construção que encerram as portas deixando dezenas de milhares desempregados?

Sabe o primeiro-ministro quantas centenas de empresas de restauração e hotelaria após o fim das férias encerram as portas deixando milhares de desempregados?

Sabe o primeiro-ministro quantas centenas ou milhares de desempregados do encerramento dos Estaleiros de Viana do Castelo e industrias ligadas ao mesmo?

Sabe o primeiro-ministro que o custo dos transportes públicos ida e volta do trabalho aumentou desde o início deste governo mais de 10%? E o mesmo nos combustíveis para quem usa transporte próprio?

Sabe o primeiro-ministro quantas centenas de crianças vão regressar às aulas sem livros e muitas sem pequeno almoço?

Recorda-se ainda o primeiro-ministro que rejeitou o PEC IV, afirmando que não podia consentir pedir mais sacrifícios com o aumento de impostos e corte de benefícios aos portugueses? Finalmente, Passos Coelho, não sabia nada de nada. Apenas tinha uma ambição pessoal de ser primeiro-ministro.

Isto são apenas alguns dos muitos títulos caixa alta nos meios da comunicação social, que o primeiro-ministro tenta ignorar publicamente, mas que devia dar mais atenção do que fazer afirmações sem ter soluções que possa apresentar aos portugueses. Os portugueses estão habituados a ser enganados, mas cada vez ignoram mais as promessas, para não se rebaixarem ao mesmo nível daqueles que os tentam enganar. Normalmente, quando o povo faz um dia de contestação ou greve, os governantes ignoram, usando aquela expressão: “ Os cães ladram mas a caravana contínua”. Na realidade, já estamos a habituados a ouvir os nossos governantes a fazer promessas, ou afirmações, ou conversas de treta. Tal como os governantes reagem ás greves e contestações do povo, por educação não dizemos a mesma frase. Mas pensamos.

Na realidade, como todos sabemos, o nosso primeiro-ministro é o chefe de um governo sem poder. Apenas um intermediário ou porta-voz das ordens que lhe são dadas do exterior. Um “Yes man”, sem voto na matéria, nem mesmo coragem para sugerir algo diferente em benefício do povo que o elegeu.

Acredito, que para além do facto de as habilitações académicas do primeiro-ministro serem muito inferiores às minhas e a sua experiência de trabalho e da vida sobre todos os aspectos, de estar muito aquém da minha, estou certo que Passos Coelho nunca vai ter necessidade de procurar trabalho  ou de ter de emigrar como ele recomendou a muitos portugueses, muitos deles mais qualificados do que ele, e como eu que tive de emigrar numa época passada, em que o país era pobre, mas independente, soberano, orgulhoso do seu património, sem intenção de ser vendido em fracções com descontos e, sem dívida externa. Acredito, que tanto o primeiro-ministro, como sua comitiva governamental, encontrará muitas portas abertas com salários e benefícios vitalícios, que este e outros governos anteriores têm recusado ao povo. Na verdade, a posição de governante funciona como um trampolim para saltos com sucessos maiores na vida. Talvez até quem sabe, antes de uma nova vida depois de governante, possa passar umas férias longas numa cidade luxuosa como Paris, Londres, Roma ou New York? Depois de outros governantes, porque não o actual primeiro-ministro?

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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3 comentários em “HABITUADOS A SERMOS ENGANADOS”

  1. hugo Says:

    Um povo que elegeu por duas vezes um habilidoso como Socrates, não merece mais.
    Um povo que entrega o destino a este tipo de indíviduos não merece melhor.
    O nosso futuro só pode ser limpar a casa de toda esta escumalha, arrumar com políticos para bem longe (França é muito perto!!!!!!!!) e agarrar o boi pelos cornos (PPP, Fundações, Empresas com monopólios naturais); A Cesar o que é de César… PPP e fundações simplesmente deixam de se pagar as empresas monópolio têm que tar ao serviço do país e não ao serviço de meia duzia de acionistas cuja unica coisa que olham é o seu bolso!!!!!!!!!!!!Temos que voltar a semear os campos e comer os frutos do nosso suor….Na minha opinião isto já não vai lá sem uma revolução, está mais que visto que com PS PSD PP não temos hipoteses…………Miséria é o que nos espera!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Hugo,

      Obrigado pelo seu comentário.
      Estou totalmente de acordo com as suas reflexões. Desde 2008, do tempo de José Sócrates que venho comentando sobre a podridão que nos tem governado. Se aceder ao meu site anterior: “opaisquetemos.com”, e link to comentários anteriores, poderá analisar a minha luta constante sobre o desgoverno deste país.

      O país precisa de cidadãos como o Hugo preocupados com o destino da nação e dispostos a participar activamente na remodelação de Portugal. Infelizmente, Portugal possui ainda muitos portugueses que preferem futebol do que participarem activamente no destino da nação.

      Sinceramente,

      carlos Piteira

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  2. Pal Martinho Mes Says:

    Não posso estar mais de acordo. Apenas acrescento que não tenho nostalgia do nosso passado POLÍTICO – foi este que nos trouxe até aqui. As opções do passado deram ESTE resultado pelo que não há que lembrar com agrado. Mas sim, lembro um Portugal mais bonito à vista. Devem ser às dezenas de milhar pelo país, as lindíssimas casas de lavoura em ruínas. Como dizia um dia na TV um arquitecto que não lembro o nome: ” os portugueses trocam cómodas D. Maria por qualquer coisa em fórmica.” Ainda assim valeu não termos sido “ricos” por muito tempo senão tinham arrasado quase tudo. Só há uma coisa que gosto tanto como de arquitectura moderna: arquitectura tradicional portuguesa . Esse tesouro que se esboroa à beira das estradas e imagino que mais no interior seja a mesma coisa. Temos as nozes, não temos é dentes.

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