O ESTADO DA NAÇÃO E PARA ONDE CAMINHAMOS

16 de Agosto de 2012

Política Nacional

As medidas de austeridade, estão gradualmente a colocar o país numa recessão a longo termo. Muitos governantes são fracos em matemática e esquecem que mesmo que uma taxa seja de 100% de imposto sobre qualquer transacção, o produto pode ser igual a zero (imposto 100% x valor da transacção 0 = 0). A prova está que após o aumento para 23% do IVA, o valor das receitas passou a ser inferior, num período homólogo quando o IVA era 21%.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, para além da sua experiência muito limitada, ou nenhuma no mercado de trabalho, demonstra ser um indivíduo de duas caras. Para os compromissos assumidos com a troika, não importa o quê, o acordo e as datas assumidas são para ser cumpridas, demonstrando ser indivíduo de integridade.

Para as promessas e compromissos assumidos por Passos Coelho, durante a campanha eleitoral, onde afirmou que a classe operária, não podia suportar mais impostos e, com tal argumento rejeitou o PEC IV, tudo o que tem feito é precisamente o oposto do prometido. Finalmente, onde está a integridade do primeiro-ministro?

Deixemos para trás as conversas de tretas de Passos Coelho, no discurso na Festa do Pontal, que marcou o início do ano político do PSD, que são idênticas às da campanha eleitoral, cujos resultados são conhecidos.

Analisemos alguns aspectos como cidadãos, ainda que sejamos considerados leigos na matéria, mas que temos o direito de o fazer, porque somos nós quem pagamos os salários e o estilo de vida dos nossos governantes e todas as burrices a nível nacional e internacional que os mesmos têm feito ao longo dos anos.

A Economia

A queda de centenas de milhares  de pequenas e médias empresa (PME), que contribuíram para a perda de centenas de milhares de postos de trabalho, a caminho de um milhão. A queda da economia contínua cada vez mais acelerada, por falta da capacidade de consumo e consequentemente resultando na perda da receita de impostos de consumo.

Com o fim das férias grandes em final de Agosto, centenas de empresas que fecharam para férias não voltam a entrar em actividade. Muitos estabelecimentos de hotelaria que tentaram sem sucesso os meses de Verão, acabam por encerrar, lançando o desespero em mais algumas dezenas de milhares de desempregados.

O início brevemente às aulas, com dezenas de milhares de famílias desempregadas, algumas com subsídios insuficientes para sobrevivência e outras nem subsídios, a necessitar de adquirirem livros e outros materiais escolares para os filhos iniciarem o novo ano escolar, é algo também não pensado pelos nossos governantes. Mesmo nos meios da comunicação social, este assunto do regresso às aulas ainda pouco foi abordado, mas não tarda a preencher páginas impressas sem fim e horas de notícias e debates televisivos.

Parece que estou já a ouvir ou a ler as palavras de alguém do governo:

«O governo, como em anos anteriores, providenciará o apoio às famílias necessitadas, na aquisição de materiais escolares, com o comprovativo da aquisição dos mesmos e provas da necessidade de apoio.»

O pior, é que o comprovativo de aquisição, só é viável se a família tiver a capacidade financeira de os poder comprar, o que em milhares e milhares de casos, as famílias não têm o básico para sobrevivência no dia a dia.

Um governo responsável, e preocupado com o bem-estar dos cidadãos e a educação dos jovens, deveria antecipadamente solicitar a documentação necessária, se é que ainda não foi apresentada, e providenciar vales para aquisição dos respectivos materiais escolares, cabendo ao Estado o pagamento aos fornecedores dos mesmos. Infelizmente, há muito que o Estado deixou de ser pessoa de bem e perdeu o crédito por incumprimento com pagamentos a fornecedores dentro do país.

A actuação do governo causa em milhares de crianças pelo país inteiro, um estado de humilhação e vergonha, na entrada das aulas, porque não possuem os materiais escolares, ao lado de outros colegas de classe que felizmente os possuem. Esta situação, contribui para diferentes atitudes de comportamento. Umas crianças mentem, dizendo que os materiais estão esgotados ou outro tipo de desculpa. Outros recusam-se mesmo a ir ás aulas. Outros tornam-se tímidos, pouco sociáveis e desinteressados pela escola, acabando muito cedo por abandonar os estudos.

Não esquecer também que muitas crianças, para além de entrarem as classes sem materiais escolares, muitos entram também com fome, sem pequeno-almoço.

Não esquecer, que são estas crianças de hoje, vítimas dos tempos em que vivemos, os futuros cidadãos do amanhã. Muitos acabarão por crescer revoltados e desintegrados da sociedade.

Não abordei este assunto por razões pessoais. Felizmente já não tenho filhos em idade de escola e, os netos estão a salvo deste país sem futuro, enquanto existirem governantes incompetentes, mal formados, irresponsáveis e muitos até corruptos. Abordei sim, porque possuo conhecimentos e experiência da vida, dentro do país e além fronteiras e compreendo as dificuldades do dia a dia, ao contrário dos políticos que temos, que nunca souberam o que é procurar trabalho sem o apoio de amigos influentes, ou que tivessem de emigrar.

A Segurança Social

Com a perda de quase um milhão de postos de trabalho, diminuíram as contribuições para a Segurança Social. O aumento dos subsídios de desemprego e sobrevivência e o aumento do número de reformas nos últimos anos, colocaram a Segurança Social, em risco eminente de ficar a curto prazo com dificuldades em cumprir com as suas obrigações para com os cidadãos.

Infelizmente, no sentido de pedir a Pedro para pagar a Paulo, o governo ao apoderar-se dos fundos de pensões dos bancários, afundou mais a situação já bastante complicada da Segurança Social. Esses fundos foram gastos e agora o governo nos anos que se seguem tem mais um buraco para tapar, sem mesmo ter ideias como resolver o problema.

Ainda que os nossos governantes nos digam que 2013 vai ser a  reviravolta de toda a situação, depois de tudo que prometeram e fizeram o oposto e falharam, como poderá alguém acreditar? Para mais quando nada depende de nós, quando eles mesmo o referem inúmeras vezes?

O pedido de ajuda à  troika, não foi para procurar criar produção e riqueza nacional, no sentido de sermos capazes com apoio externo de nos tornarmos mais autonomos. O empréstimo foi apenas realizado com a finalidade de taparmos buracos de más gestões governamentais ao longo das décadas desde que nos integrarmos na CE.

Para além das verbas de 12 mil milhões, como garantia de apoios bancários, que supostamente era para apoiar a economia nacional, o que não aconteceu, para onde tem ido o restante das entregas da troika?

Como iremos continuar a viver o futuro após não mais dinheiro da troika? Criar mais buracos financeiros? Mais austeridade? Sobre quê ou quem? Vender mais património nacional? E quando nada mais para vender?

A preocupação do governo é apenas a troika, e o que dizem sobre os políticos lá fora. Compreendo a preocupação dos governantes, porque como sabem como deixam o país, sem futuro, querem garantir futuro para eles na Europa. Não há qualquer planeamento ou preocupação sobre o futuro dos portugueses.

About Carlos Piteira

Licenciado em Microbiologia pela Maryland University. Especialista em Microbiologia Clínica pela American Society of Clinical Pathologists. Consultor da Qualidade do Ar Interior. Autor do livro: ” A Qualidade do Ar Interior em Instalações Hospitalares”

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7 comentários em “O ESTADO DA NAÇÃO E PARA ONDE CAMINHAMOS”

  1. Carlos Alberto Says:

    O povo Português tem de se por de pé, o povo islandês é um excelente exemplo, a divida não é de quem trabalha, mas sim de quem EXPLORA.
    Amigos, o que se esta a passar no nosso País, já não vai com palmadinhas nas costas.
    Para acabar-mos com estes CORRUPTOS, LADRÕES, INCOMPETENTES, FALHADOS e outras coisas mais.
    TEMOS QUE FAZER COMO O POVO FEZ NA ISLÂNDIA, NINGUÉM DIVULGOU NEM MIDIAS NEM NINGUÉM PORQUE É TUDO FARINHA DO MESMO SACO, MAS VÃO AO

    Aconteceu na Islândia-youtube

    E DIVULGUEM VAMOS ACABAR COM ESTES CÁ TAMBÉM.

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  2. Says:

    Para ser franco, preferia viver como o zé povinho.
    O zé, scomodou-se a viver num estado providencial onde tem asseguradas todas as condições mínimas da nascença até à morte. O zé, que quando vai ao médico diz” eles tem de ver a minha situação”; o zé que quando vai ao “fundo de desemprego”, como ele diz “eles tem de dar dinheiro para manter a fammília” e o zé que quando cai uma geada diz que a culpa “é deles”.
    Eles não sai mais nem menos que os nossos Governantes. O outro dia parei em frente a um galinheiro e fiz uma analogia interessantíssima, que muito me entristece e desanima:
    Tal como as galinhas e galos que alegremente picam as migalhas do chão, e dependem exclusivamente das condições que o seu dono lhe dá para obtenção do lucro, ou seja a sua carne e os seu ovos, os nossos “zés e marias” estão à espera das migalhas que lhes dão, sem perceberem que apenas lhes exploram o suor e o suor dos seus filhos, netes, bisnetos…
    O aumento ou abaixamento da gasolina é ridículo se fosse apenas isso.
    Até para beber água, que sempre foi um bem de todos e da qual dependem as funções vitais do nosso corpo, tem de se pagar impostos.
    A corja está em todo o lado. Não se queixem apenas de um piolho, mas sim da praga que vos suga o sangue.

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    • opaisquetemos Says:

      Caro leitor,
      Compreendo a sua opinião. Obrigado pelo seu comentário.

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    • Nuno Duarte Says:

      O tal estado providencial é um tipo de conversa para tapar a visão do que realmente se passa e surge para culpabilizar e lançar confusão sobre o modelo de sociedade que deviamos ter. Dizer-se que o comum dos mortais anda à procura de “sacar ao estado” são balelas. Entao para que servem os nossos impostos? Não serão para termos saude e educação universal e de qualidade? Não será para tornar mais justa a distribuição de rendimentos e ajudar quem precisa ou não pode viver sem ajuda ou mesmo quem por infortunio ficou com uma mão à frente e outra atrás? O estado não ser a tal pessoa de bem é que faz sobressair este tipo de conversa das migalhas, são migalhas porque há a apropriação de grande parte do que é recolhido em impostos para fins que não são os prioritários e que garantam rendas aos poderes corporativistas e financeiros (onde os politicos são marionetas à procura de entrada em cena no mar dos tubarões e tratar da sua vida e dos seus). Não tenho dúvidas que se ao cidadão comum fossem pedidas as prioridades para o emprego dos seus impostos (e depois gastos nessa ordem de prioridade) o estado social surgia como a principal preocupação. O país tem de levar uma volta e cabe à pessoa comum melhorar deixar de culpar o vizinho, mas unir-se a ele, reivindicar o seu estado que é de nós e para nós. O cada um por si só vai desembocar num retrocesso civilizacional, o regresso da segregação, uma nova era de escravatura e ditadura onde a única coisa que se pode fazer é mesmo dizer mal do governo porque tudo o resto nos estará vetado e a isto podem dar os nomes que quirem mas não é nenhuma democracia.
      Os meus parabéns ao autor do opaisquetemos pela informação e reflexões que partilha, não pare.

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  3. Luis Matos Says:

    Caro opaisquetemos:

    O problema não é que os governantes sejam maus a matemática. O problema é que eles sabem que nós somos maus a matemática! E sabem que podem tornar obscuro ou enganosamente claro qualquer assunto que meta percentagens, crescimentos marginais, taxas e diferentes unidades de medida ou estatísticas. O desemprego é de 15%, mas o “desemprego real” (ou seja, que percentagem da população activa está sem emprego, mesmo, mesmo, mesmo a sério…) é de mais de 21%! O tal desconto do IVA é de rir! São umas atrás das outras…

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    • opaisquetemos Says:

      Caro Luis Matos,
      Acredito que na realidade o desemprego, possa mesmo estar acima de 1,5 milhões de portugueses. Há milhares de portugueses, que nem se registam no desemprego porque sabem que não têm direito a subsídios de desemprego, como empresários que faliram e embora fizessem descontos para a Segurança Social, não têm direito a subsídios. Outros que trabalhavam a recibos verdes e não são qualificados como desempregados. Também, muitos milhares de desempregados em posições de estágio abaixo do salário mínimo, não são mencionados nas estatisticas como desempregados.

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